05.10.2020  /  14:46

Geração Z: Chegou a hora de colocar a mais importante passarela da moda à serviço da sociedade

Desfiles Isabel Marant, Balmain e Wales Bonner // Reprodução

por Cesca Civita*

Ninguém representa melhor a Paris Fashion Week de 2020/21 (SS21) que Grace Bonner, estilista de sua própria marca, Wales Bonner. Ela é a síntese do futuro da moda. Filha de pai jamaicano e mãe inglesa, Grace, com sua beleza e incrível senso estético, sabe vestir homens, mulheres e binários com o mesmo bom gosto, elegância e representatividade, sem distinção de peças e gêneros.

Wales Bonner: peças sem distinção de gênero // Reprodução

Agora, se você é um ‘die hard’ fashionista, não pode deixar de ver a passarela de Olivier Rousteing – estilista da icônica Balmain. Olivier soube dar como nenhum outro aquele chic difícil a uma temporada ‘candy crush’ sem sair do tema mas mostrando que está um passo à frente. Não tem como não colorir o mundo num momento tão obscuro e incerto. Inclusive, conseguimos ver também as tendências de um “tbt”, como se fossem reminiscências de um tempo passado. Vi looks bem “Britney Spears” e “Paris Hilton”, quando estavam no auge da virada do milênio (2000), com seus brilhos e blings.

Balmain: looks bem “Britney Spears” e “Paris Hilton”

Isabel Marant, como sempre, veio para lançar tendências. Suas estampas únicas e seu ‘signature footwear’, especialmente as botas e acessórios, que deixam todos sempre olhando pelo canto do olho, fingindo que não impactou. Esses são os meus escolhidos da temporada. Talvez porque o mundo esteja buscando mais estrutura e mais cor, mais ordem porém com mais diversidade, um mundo mais organizado mas mais tolerante e aberto às diferenças. Como disse Naomi Campbell, a mais icônica das icônicas, de dentro de sua casa, protegida da Covid-19, na abertura desta edição, “chegou a hora de cobrarmos do mundo da moda que sua influência seja colocada à serviço da sociedade’. (*Cesca Civita é criadora de conteúdo digital, formada em Global Marketing Management pela Regents University de Londres, cidadã do mundo e apreciadora do inédito)

Isabel Marant: estrutura e cor // Reprodução