16.02.2021  /  18:42

Geração Z: Audino Vilão segue em sua análise sobre o comportamento dos confinados do Big Brother Brasil 21

BBB 21 // Divulgação

Seguimos falando sobre o assunto mais comentado do momento. O Big Brother Brasil 21 continua proporcionando ao público grandes debates acerca do comportamento dos participantes. Como falávamos na última coluna, o filósofo francês Michel Foucault com suas teorias pode nos ajudar a entender o que se passa na casa mais vigiada do Brasil. Tratamos anteriormente do conceito em si, da exposição e visibilidade extremas, do vigiar e punir… nesta semana trataremos das relações entre os participantes com a teoria “Microfísica do Poder”.

Primeiro vamos definir o que podemos entender com a palavra “poder”. “Poder” é a capacidade de realizar algo, de impor sua vontade e realizá-la, seja pela força física ou intelectual. Para Foucault, o poder pré-revoluções do séc. 19 estava concentrado na mão do rei (ou líder político absolutista de estados e sociedades). Contudo, no pós-revolução, Foucault nos diz que o ‘poder’ foi fragmentado. Uma vez na ausência da figura absoluta e totalitária do rei, o poder está espalhado pela sociedade, desde as relações mais simples entre vizinhos até as mais complexas e diplomáticas, entre países e seus representantes.

Uma vez descentralizada, a vontade de um indivíduo não tem relevância contra o coletivo, pois o poder não está numa figura, mas em todas as figuras. As instituições como Escola, Hospitais, Prisões, Quartéis e Hospícios detém formas diferentes de poder e os usam para o controle. Olhemos para o BBB. Pensemos nele enquanto microssociedade, pois os participantes habitam um local específico, estabelecem relações e convivem entre si, definem padrões de comportamento ético, etc.

Lucas não agiu de acordo com o esperado e sofreu as consequências ao ser massacrado pelo resto do grupo. Quando alguém não age da forma esperada pela sociedade, é excluído, e foi justamente isso o que ocorreu com nosso querido participante, que sofreu exclusão dos demais participantes, tortura psicológica, abuso emocional e humilhação pelas atitudes da Karol Conka, Projota, Lumena (na minha opinião a mais chata da edição) e Nego Di.

O participante não suportou o fardo e abandonou o jogo, desistiu do programa por pressão da microssociedade, e é justamente isso que acontece na vida real quando a sociedade e as instituições exercem seu poder para punir ou corrigir alguém. A reação do alvo é se oprimir e curvar-se perante a imposição da vontade pelo poder. Foucault nos explica a disseminação do poder e o BBB comprova como experiência empírica se dá na prática. Para saber mais, play no vídeo: