15.06.2021  /  17:26

Geração Z: Audino Vilão investiga sob a perspectiva filosófica o que é o amor, principalmente o platônico

Platão || Créditos: Getty Images

No mês do amor e do orgulho, continuamos com nossas colunas especiais de junho, em que investigamos sob a perspectiva filosófica o que é o amor. Hoje vamos abordar uma forma deste sentimento que é vista como “negativa” ou uma “experiência ruim” – o que discordo e muito -, e refletir sobre o que ele pode nos proporcionar, o ‘Amor Platônico’. Já adianto que o mesmo pode ser interpretado de duas formas: pelo viés do filósofo Platão e do senso comum. E é justamente do senso comum que iremos conversar, pois todos nós um dia na vida tivemos (ou teremos) um amor platônico.

Vamos lá! Você já desejou muito alguém nos seus tempos de escola? Aquela pessoa que não saia da sua cabeça, que você até tentava sentar perto ou puxar assunto, mas não conseguia, e no final vocês viveram uma linda história juntos, mas apenas na sua imaginação? Isso é o que chamamos comumente de Amor Platônico. Um tipo incorrespondido, o desejo não alcançado e frustrado, uma ideia que nunca deixou de ser perfeita na mente, porém não foi colocada em prática. É uma experiência extremamente comum que aposto que todos nós passamos por ela, e é necessário viver isso para o amadurecimento pessoal.

Mas por que leva o nome de “Platônico”? Por causa da semelhança da representação feita por Platão, em que tudo no mundo das ideias é imutável, perfeito e inteligível, e o nosso mundo (a realidade material) é imperfeito, inconstante e sensível aos sentidos. E o que isso está relacionado com o amor não correspondido? Tudo!

Na sua imaginação, aquela pessoa linda aos seus olhos teria um relacionamento perfeito com você, no qual a situação amorosa seria imutável e digna de “felizes para sempre”. Isso é a representação do mundo das ideias, na sua cabeça esse relacionamento idealista é completamente perfeito, contudo, ele também é inteligível, ou seja, está apenas na sua imaginação. Sendo a realidade imperfeita, vocês acabam não ficando juntos por situações inconstantes e outros “N motivos”.

Mas o ‘Amor Platônico’ é essencial para entender que a realidade é mutável e que muitas coisas não dependem de você. Geralmente nossa primeira experiência com o amor é platônica e isso nos ajuda a entender a inconstância do mundo e viver mais com os pés no chão do que com a cabeça nas nuvens. O sentimento de angústia e questionamento da imperfeição da realidade, que nos motiva a refletir sobre nós mesmos e nossa capacidade de fazer, é parte do processo para entendermos quem somos e os limites que possuímos. Assista o vídeo abaixo e compartilhe.