26.03.2021  /  21:58

Geração Z: Audino Vilão fala da ‘virtude do cão’ de Diógenes, o filósofo que inspirou o personagem Chaves

No senso comum, a filosofia é coisa de louco. É bem comum escutarmos esse tipo de comentário. E, de fato, pensar muito e buscar a compreensão além da zona de conforto do senso comum pode parecer loucura. Sobre os filósofos em sí, será que eles eram loucos? Nosso tema é um pouco antigo. Hoje vamos falar sobre Diógenes de Sinope, também conhecido em seu tempo como louco, chapado das ideias e até mendigo.

Diógenes de Sinope (412 – 323 a.C) foi um filósofo da tradição dos Cínicos (termo que não tem nada a ver com o significado da palavra usada hoje, pois cínicos para os gregos era derivado de “Kynos”, que significa cachorro). Graças ao título e à escola que o representava, vivia como um cachorro louco. Ele fazia suas necessidades em público (número 1, 2 e até o 3), dormia em um barril e, assim como um cachorro, não tinha vergonha de agir segundo sua natureza. Ele extraia desse título que o comparava com um cão uma virtude, “A virtude do Cão”.

O cão tem a capacidade de instintivamente distinguir quem é amigo ou inimigo, quem está agindo com sinceridade e pureza com ele e quem está com más intenções, diferente do homem, iludido pela vaidade da hipocrisia e as regras sociais. Há quem diga que Diógenes foi o inspirador do personagem e da série ‘Chaves’, pois a sátira da vida dele se parece muito com a de Diógenes: ambos moram num barril e são livres da hipocrisia social que os rodeiam. Contudo o filósofo além de morar num barril, vestia roupas que mais se assemelhavam a trapos, tinha poucos pertences, um bastão, uma lamparina, uma trouxa de viagem e uma bacia que usava para beber agua. Até que um dia ele foi ao rio beber água e avistou uma criança bebendo com a mão. Ali decidiu “acho que tenho coisas de mais” e se desfez da bacia. Usava sua lamparina durante o dia em meio à multidão como se estivesse procurando algo e quando lhe perguntavam o por quê daquilo, ele respondia “Estou procurando um homem justo entre vocês”.

Em certo episódio extraordinário, Alexandre, o Grande, ao avistar Diógenes olhando para uma pilha de ossos chegou até ele e perguntou no que estava pensando, e o filósofo então respondeu: “Estou tentando diferenciar os ossos de seu pai com um de um escravo, mas não consigo”.

Numa era onde até Aristóteles buscava justificar a escravidão, Diógenes protestava contra tal prática diante do imperador. Então eu pergunto, ele realmente era louco? Ou apenas era livre da hipocrisia de seu tempo? Play para se aprofundar no tema: