Geração Z: Audino Vilão explica que ser positivo o todo tempo gera efeito negativo

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Você já sentiu que não foi produtivo como gostaria? Procura horas e horas o que fazer nas redes sociais, mas não faz nada? Já se sentiu insuficiente diante das expectativas que impõem a você? E principalmente se cobra ao extremo por não conseguir se manter no topo? Quem se identifica com essas questões, provavelmente está afetado pela “sociedade do cansaço”. Esse conceito bem recente, elaborado por Byung Chul Han, filósofo sul coreano e professor na Universidade de Berlim, em seu livro “Sociedade do Cansaço” vem diagnosticando cirurgicamente nosso estado mental e espiritual por indicativos sociais e relações extremamente tóxicas por conta da positividade. Byung é certeiro ao descrever que a positividade se tornou um problema agressivo, que a autocobrança está exagerada e tudo isso tem desencadeado uma série de doenças psicológicas como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), depressão e ansiedade.

Isso porque somos provenientes da ‘sociedade do controle’ que instaurou a extrema negatividade, muito descrita por Michel Foucault, no qual o conceito de vigilância e punição eram ressaltados pelo contexto social e o mundo polarizado  – capitalismo norte-americano e o socialismo soviético. E a consequência é uma espécie de “sociedade imunológica” extremamente rígida com seus indivíduos, principalmente com os “estranhos”, imigrantes e pessoas consideradas fora do padrão.

O conceito imunológico da sociedade é totalmente baseado em nosso organismo. Por exemplo, um estrangeiro é visto como o “vírus da gripe”, um potencial inimigo que deve ser combatido, além da necessidade de criar uma imunidade contra ele. A sociedade se organiza dessa maneira, boicotando culturas diferentes e taxando como “errado” ou até mesmo “vilão”. Além de determinar que o outro é a parte negativa e assim agir em prol de um “bem”.

O contraste interessante é que nosso sistema imunológico não possui uma questão ética sobre se deve ou não extinguir um outro organismo vivo, ele não quer saber se é “um direito do vírus” ou “vírus também é ser vivo”, ele apenas o extermina pelo bem determinado para preservar o corpo, tal qual a organização social.

A proibição, o “não faça” e o “estamos de olho” são justamente o coração da negatividade propagado no século anterior, em que tínhamos instituições que obedeciam a um certo padrão de controle imposto, havia uma forma de domesticar os corpos e sempre uma ameaça de punição constante sob vigilância absoluta, mas isso mudou.

Estamos vivendo uma sociedade que está desconstruindo a negatividade, a xenofobia. Não vemos mais imigrantes como inimigos, a busca pelo direito de liberdade de cada um é a que mais tem crescido nos últimos anos, ao invés de falarmos “você não pode fazer isso senão será punido”, dizemos “nós podemos!”

A mudança também está na sutileza do “você” para “nós”. O incentivo é mutuo, a positividade inspiradora e “maximizadora” de potencial é muito mais eficiente do que a negatividade do controle forçado, é aí que surge o problema.

Com o negativo, é fácil perceber onde está o problema (o “vírus”), o sistema combate e fim de jogo. Mas, quando o “vírus” deixa de existir (lembre-se que estamos em processo de desconstrução do negativo) ele dá espaço ao positivo exagerado, que por parecer afirmativo não é visto como inimigo.

A positividade tóxica passa invisível e despercebida, cobramos a nós mesmos a todo momento e achamos isso normal, essa cobrança nos ataca, nos desgasta, nos desmotiva e nos esgota e, por mais mal que isso faça, a nossa cabeça ainda é normatizada pelo “sistema imunológico”, ou seja, você está contra você mesmo e não tem uma resposta ao próprio ataque.

Pense comigo, antes o patrão vivia sob olhar punitivo, se você não cumprisse a meta ele estava de olho e te puniria, com a sociedade da produtividade isso mudou, o patrão passa a lhe incentivar a produzir, ele te trás motivação, ele diz palavras de coach para você se sentir a pessoa mais capaz do mundo ao ponto de uma verdadeira máquina de autoatualização, incentivando a você estar sempre desempenhando 100% do seu potencial, e quando você não consegue desempenhar 100% do seu potencial você se cobra, se frusta, se sente incapaz, você se consome por si mesmo e nem vê, o patrão terceirizou a você mesmo o trabalho de se punir, ele não vai te falar nada negativo mas você ao não cumprir a meta se sentirá inseguro consigo e irá se autopunir.

A obsessão pela positividade constante é tóxica e devemos tomar consciência para combate-la da forma mais natural e eficiente possível. Não se cobre tanto, você não é uma máquina, tudo bem não conseguir, tudo bem não ser perfeito (ninguém é).

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