15.05.2019  /  16:03

Fundador do MECA, Rodrigo Santanna fala sobre o festival em Inhotim e novos planos para Brumadinho

Rodrigo Santanna, fundador do Meca || Créditos: Divulgação

Com Gilberto Gil como headliner, a quinta edição do festival MECA Inhotim acontece neste final de semana, na cidade de Brumadinho (MG). Desta vez, além dos shows e palestras, com uma série de ações sociais para ajudar na recuperação da região devastada pela tragédia da Vale ocorrida em janeiro, com o rompimento da barragem Mina do Córrego do Feijão. Glamurama conversou com Rodrigo Santanna, fundador da plataforma multicultural criada em 2010 no Rio Grande do Sul, que falou sobre a delicada decisão de seguir em frente com o festival em Inhotim, a parceria com os moradores e os novos planos do MECA para Brumadinho – além do fundo de arrecadação filantrópica ProBrumadinho (www.probrumadinho.org), outros projetos já estão confirmados no segundo semestre. (Por Dado Abreu)

Glamurama: Como foi a decisão de seguir com o MECA Inhotim?
Rodrigo Santanna: O MECA nasceu com o sonho audacioso de ter condições de ajudar a criar um mundo melhor, de influenciar novas gerações. E agora chegou o momento de realmente causar impacto e usar a plataforma, para causar impacto. A tragédia nos impulsionou e potencializou esse nosso compromisso. Conversando com os moradores, ouvimos deles o quão importante seria seguir com o projeto e vimos o quanto poderíamos contribuir. Fomos muito cuidadosos para não reagir de imediato depois do que aconteceu, e entender qual era nossa vocação e como a gente poderia planejar nossos próximos passos em médio e longo prazo. Olhar para o futuro, respeitando e aprendendo com o passado, mas trazendo uma energia nova de reconstrução e uma perspectiva daqui para frente.

Glamurama: E como tem sido a repercussão, nesse sentido, a poucos dias do evento?
Rodrigo Santanna: Tem sido gratificante ver que nós temos condições, dentro das nossas capacidades, de causar impacto e trazer um resultado positivo para a cidade. Temos recebido uma série de feedbacks dos moradores, nossos parceiros, ouvindo deles o quanto estão felizes com a gente estar juntos deles. Obviamente o turismo e várias outras fontes de receita caíram muito nos últimos meses e, com isso, o MECA tornou-se uma perspectiva positiva para eles. Mais de 50% da comunidade está envolvida, as pessoas vão trabalhar no festival, o que mexe, inclusive, com a autoestima, e a cidade está com praticamente todos hotéis e pousadas lotados. Esse feedback da comunidade tem sido muito bacana e nos fez ter a certeza que a decisão certa foi manter o festival.

Glamurama: Cogitou-se adiar o evento por conta da tragédia?
Rodrigo Santanna: Pensamos em diversas possibilidades e a gente não queria errar e, muito menos, parecermos interesseiros. Ou fugir do compromisso. No final foi a decisão certa, tomada no timing certo, da maneira correta de fazer. Estamos muito confiantes em assumir o compromisso e a responsabilidade de continuar fazendo o Meca Inhotim como também mais coisas ao longo do ano, sempre junto com a comunidade.

Glamurama: De que forma os artistas receberam o convite para o festival?
Rodrigo Santanna: Todos eles apoiaram a causa e se engajaram muito quando apresentamos a nossa visão. Apoiaram a decisão, o momento, e entenderam a importância da gente imprimir essa energia, levando as pessoas para a cidade, girando a economia e voltando a fazer ela se destacar.

Glamurama: Haverá alguma ação especial para lembrar às vítimas?
Rodrigo Santanna: Obviamente que tudo o que aconteceu fará parte do debate, na nossa programação de palcos, palestras e workshops. Compartilhar soluções e proposições. Deste modo Brumadinho estará na programação do MECA Inhotim, mas não com uma programação específica.

Glamurama: O MECA tem novos planos para a região. Quais são?
Rodrigo Santanna: Sim. Pensamos em outros formatos de festivais, uma série de palestras, cursos de capacitação, que sejam sustentáveis para a região como negócio. Gerem novas perspectivas, novas rendas, novas possibilidades de aprendizado. E tudo pensado para Brumadinho. A ideia será inverter o fluxo: Inhotim, obviamente, vai estar inserido na programação, mas não vai ser protagonista. Queremos que as pessoas passem mais tempo com a comunidade, conhecendo outros lugares.

Glamurama: Conte-nos um pouco sobre o fundo de arrecadação filantrópica em apoio à cidade e aos moradores, o PróBrumadinho www.probrumadinho.org.
Rodrigo Santanna: Lançamos o fundo em fevereiro, em parceria com a Farm, para que tivéssemos ações focadas na cidade que fosse além do festival, essas que ocorrerão a partir do segundo semestre. Nosso objetivo é arrecadar a maior quantidade possível de recursos para apoiar a recuperação e o desenvolvimento sustentável de Brumadinho, com foco no médio e longo prazo. [A gestão dele é pública e transparente, com prestação de contas periódicas no nosso canal do MECA]. Mas a gente entendeu também que tem muito mais capacidade, pelas nossas conexões e pela articulação, de conseguir recursos como tempo, energia. Estamos tendo sucesso no desenho dessa programação do segundo semestre quando a gente convida as empresas ou parceiros para trocarem experiencias, darem cursos, shows, palestras, uma forma de atuar efetiva. E isso também é dinheiro.

SERVIÇO:

MECA Inhotim www.mecainhotim.com
Quando: 17, 18 e 19 de maio
Onde: Instituto Inhotim (Rua B, 20, Brumadinho-MG)
Quanto: Meia Entrada Social (perante a doação de um livro) ou Estudante: R$ 320 (3 dias)
Atrações: Gilberto Gil, Céu, Duda Beat, Pitty, Tulipa Ruiz, entre outros