21.05.2016  /  9:45

Fernanda Montenegro fala de rock, racismo e um convite do tipo especial

 

Babilônia
Fernanda Montenegro || Créditos: TV Globo

Fernanda Montenegro aceitou o convite para fazer uma participação no seriado “Mister Brau”, protagonizado por Lazaro Ramos e Taís Araújo na Globo. Antes de começar a gravar, mandou dizer que estava estudando muito. Taís contou pra gente que ficou bem emocionada na primeira cena. Comentamos isso com Fernanda, que respondeu: “Acho que é só um carinho grande diante de uma atriz como eu, que tem 70 anos nessa brincadeira, compreende? Agradeço o carinho, mas na verdade é muito mais por eu ainda andar e falar [do que por reverência à importância dela como ícone da dramaturgia brasileira].” Além de supermodesta, a veterana é sempre espirituosa – tudo a ver com o tom de comédia de sua personagem no programa, uma estelionatária boa de copo.

“Prazeroso e reconfortante”

A atriz vai aparecer descabelada, com os cílios postiços mal colados, dançando arroxa, bêbada! “É um papel delicioso, de um humor… Tem bastante material pra gente trabalhar com descontração e alegria. Conheci o Lazaro ainda em Salvador, fazendo teatro. Aceitei de cara esse convite prazeroso  e reconfortante”.

“Processo tão preconceituoso…”

Sobre a relevância social de termos um casal de negros dando vida a pop stars de muito sucesso na TV aberta, ela comentou: “Estamos vencendo isso devagar… ‘Babilônia’ teve dois terços de seu elenco formado por negros. Ninguém só servindo mesa, não. Uma era advogada [Sheron Menezes], a outra, a heroína da trama [Camila Pitanga]… Brancos casando com negros… Ninguém falou desse aspecto da novela, mas foi mais uma tentativa de querer avançar dentro desse processo tão preconceituoso que é pensar que na dramaturgia a titularidade tem que ficar, obrigatoriamente, na mão do branco”.

“Me arrisquei naquele negócio”

Perguntamos a Fernanda se ela iria, na “vida real”, a um show do Mister Brau. “Eu iria! Meu filho é profundamente ligado ao rock., então a partir da adolescência dele aquela jogada do rock de 30 anos atrás acontecia sempre dentro da minha casa”. Mas o som do Mister Brau está mais pra axé… “O axé parece que veio de Marte, mas veio da musicalidade brasileira. Não é uma coisa esquisita. É uma subdivisão da música popular brasileira. Cada verão tem uma modalidade. Não é uma batida estranha, pelo contrário. Me arrisquei naquele negócio [o arroxa]”, disse, colocando a mão na testa, reproduzindo a coreografia oficial do ritmo. (por Michelle Licory)