Fafá de Belém || Créditos: Reprodução

“As mulheres têm que se defender. Homem está junto em tudo, mesmo nas ‘cagadas'”, diz Fafá de Belém à J.P

25.08.2019  /  8:52

Fafá de Belém || Créditos: Reprodução

“Gosto de ser popular!” Isso a gente sabe e ama, né Fafá? Com 43 anos de carreira, ela fez do vozeirão e da risada suas marcas registradas. Neste mês, o papo tem um quê de loucura e é com uma pessoa que tem personalidade de sobra, que revelou ter o dom da imitação e que faria um show particular para George Clooney.

Por Fernanda Grilo para a revista J.P

J.P: Você se considera uma pessoa normal?
FAFÁ DE BELÉM: Não tem como ser do meu tempo e ser normal!

J.P: Para quem faria um show particular?
FB: Ui, tanta gente… George Clooney seria um deles.

J.P: Tem alguma música que não aguenta mais cantar?
FB: Muitas, meu amor. “Vermelho”, por exemplo, virou hino e ficou um tempo fora dos shows, mas agora está com tudo.

J.P: Fafá sem sua risada é…
FB: É a Fafá Reflexiva. Nunca fui a mais magra, bonitona, comportada, bordadeira… Sempre fui a curiosa, busquei os livros não recomendados, tinha sede de conhecer a vida e a gargalhada me ajuda a atravessar meu barco.

J.P: Se considera uma mulher que quebrou tabus?
FB: Graças a Deus! Quando era menina não entendia o preconceito. Se fosse me engessar pelos outros não teria nada para contar.

J.P: Qual sua visão sobre o feminismo?

FB: As mulheres têm que se defender, em vez de competir. Ter a vida respeitada, abraçar a outra. Homem está junto em tudo, mesmo nas “cagadas”.

J.P: O que te tira do sério?
FB: A falta de respeito. Os grandes profetas da liberdade que dentro de casa são ditadores, sabe?

J.P: Sua maior loucura por amor?
FB: Por amor eu só não matei, mas morri muitas vezes.

J.P: Quem gostaria de ser?
FB: Eu mesma! Gosto muito dessa pessoa, ela é irreverente, fala o que não deve…

J.P: Do que se arrepende?
FB: Nada! Tudo o que me trouxe aqui são acertos, erros e excessos. Ainda mais depois de velho: a gente não se arrepende de nada.

J.P: Como é envelhecer?
FB: Não tenho noção (risos). Nunca me preocupei com isso, nunca me impediu de nada. O tônus da pele muda, mas não me apego.

J.P: Se pudesse mudar alguma coisa em você, o que seria?
FB: Tenho mudado com meditação e mindfulness, mas minha capacidade de me indignar às vezes me faz muito mal.

J.P: Do que sente saudade?
FB: Do meu pai, de um mundo mais limpo, fresco, com refúgios improváveis e sem arranha-céus, da praia da minha vida que era Atalaia (Sergipe), sair do Posto 6 e andar até o Leme rindo, sem medo…

J.P: Um talento que ninguém conhece?
FB: Imito todo mundo. Passou na minha frente eu já faço igual, imito Alcione, Roberto Carlos…

J.P: Quem te inspira?
FB: Édith Piaf, Adele, Barbra Streisand, Fernanda Montenegro, Dira Paes… Pessoas reais que enfrentam a rotina com lucidez, ternura, senso crítico e que não abrem mão de ser humano.

J.P: Uma frase?
FB: Navegar é preciso. Viver é muito mais preciso, é fundamental!

J.P: Como gostaria de morrer?
FB: Cantando, navegando pelas águas do Amazonas e com as minhas netas.

J.P: O que nunca dizer para outra pessoa?
FB: Usar a expressão “fulano morreu” para se referir a um artista que não tem feito sucesso. O artista é um ser infinito.

J.P: Quando você mente?
FB: Quando querem me acordar para o show e quero dormir até o limite da hora.

J.P: Qual a maior mentira que já contaram sobre você?
FB: Que estava com Aids quando emagreci (dos 80 quilos para 58). Uma coisa horrorosa!

J.P: Remédio para dor de cotovelo?
FB: Chorar e Johnnie: Black ou Red (uísque).

J.P: Vício?
FB: Celular, inclusive preciso de um detox. Estou começando a me policiar e semana passada meu uso já caiu 19%.

J.P: O que não gosta no mundo moderno?
FB: Odeio quem liga o celular na mesa. Uma virtude em Portugal é essa: sentar à mesa com o celular desligado é fundamental.

J.P: Com o que gasta o seu dinheiro?
FB: Viagens. Restaurante, não vou, só se me convidarem…

J.P: Qual prato te faz quebrar a dieta?
FB: Acredite, não é o tucupi, o pirão de açaí ou a maniçoba. Uma boa massa e um copo de vinho e eu esqueço da vida.

J.P: Uma extravagância?
FB: Quer uma lista? (risos) A primeira vez que comprei um jogo de cama com toalhas bordadas: comprei 20!