29.04.2019  /  11:55

Depois de final de semana conturbado, vida e polêmicas de Neymar são “analisadas” por Fabricio Carpinejar

Neymar é “analisado” por Fabricio Carpinejar || Créditos: reprodução

Neymar está de volta aos campos e às polêmicas. Após três meses longe para o tratamento de uma segunda lesão no metatarso, o jogador tem voltado aos poucos ao PSG e foi titular na partida contra o Rennes, na final da Copa da França, nesse sábado, e acabou agredindo um torcedor, que supostamente teria insultado o brasileiro. Depois concedeu entrevista em que contestou a postura de alguns jogadores do PSG nos bastidores.

Diante de mais essas polêmicas, o escritor Fabricio Carpinejar – que faz sábios relatos sobre o amor e tudo o que envolve sentimentos – fez uma crônica intitulada: “Neymar não é uma barata”. Nas palavras de Carpinejar sobre ele estão: “Não tem sangue de barata, mas tampouco entende que não pode ter sangue quente. Qualquer ato, por provisório que seja, assumirá uma condição definitiva de caráter, uma proporção épica, para o bem e para o mal. Perdeu a possibilidade de uma vida insignificante e, com ela, a sua solidão e a sua paz.”

Em outra parte do texto, fala sobre o exagero na vida do atleta brasileiro: “Neymar será sempre vítima do exagero. Ele não é mais humano, mas uma estátua que se movimenta dentro das redes sociais.”

A crônica completa foi publicada no jornal “Zero Hora” desta segunda-feira, e abaixo a publicação de Fabrício Carpinejar no Instagram:

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NEYMAR NÃO É UMA BARATA Fabrício Carpinejar Neymar às vezes se esquece de que é Neymar. Mas quem não esquece de si por um momento? Ele deixou de ser uma pessoa comum, mas ainda acredita que é. Seu grande erro é acreditar que pode ser normal. Como antes. Como na sua adolescência. Como na vila Belmiro. Não percebe que carrega nos ombros uma grandeza moral: é um símbolo de um país, a esperança de títulos de um país, o jogador mais visto por um país, o mais fiscalizado, o mais questionado, o mais julgado, o mais amado e, portanto, o mais odiado. Não tem sangue de barata, mas tampouco entende que não pode ter sangue quente. Qualquer ato, por provisório que seja, assumirá uma condição definitiva de caráter, uma proporção épica, para o bem e para o mal. Perdeu a possibilidade de uma vida insignificante e, com ela, a sua solidão e a sua paz. Não tem como ser ele mesmo, mas o que os outros esperam dele. Não pode sofrer acessos de raiva, surtos de despeito, inflexões de melancolia. Não pode arcar com descontrole no trânsito e xingar algum motorista. Não pode se passar na bebida por um amor perdido. Não pode ser mal-humorado ao acordar e negar uma selfie. Não pode receber amigos em casa com som alto. Não pode, simplesmente não pode ser igual a todos. Porque se jogar bem será traduzido como mera obrigação. Porque se jogar mal será traduzido como falta de foco. Porque se não falar com a imprensa será traduzido como depressão. Porque se chorar numa vitória ou numa derrota será traduzido como lágrimas de crocodilo. Porque se responder a uma ofensa de um torcedor será traduzido como truculência. Porque se empurrar o mesmo torcedor será traduzido como um soco. Porque se pedir desculpa publicamente para aquele torcedor será traduzido como marketing. Porque se rolar no chão depois de uma falta será traduzido como encenação. Porque se comparecer a uma festa de muleta será traduzido como inconsequente. Neymar será sempre vítima do exagero. Ele não é mais humano, mas uma estátua que se movimenta dentro das redes sociais. Publicado no jornal Zero Hora, @gauchazh, 28/4/2019

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Em tempo: No sábado, Neymar jogou pelo PSG que perdeu o jogo para o Renner no final da Copa da França. Ele foi bem na partida, deu a assistência para um gol e fez outro, mas não foi o suficiente. O PSG perdeu nos pênaltis, no Stade de France.

Ao subir as escadas para receber a medalha de vice-campeão, Neymar supostamente foi insultado por um dos torcedores que estava no caminho e revidou com um empurrão. Ele não se manifestou oficialmente, mas sobre o ocorrido, o jogador apenas comentou na publicação do Instagram de um amigo, Alex Bernardo, seu assessor de marketing pessoal:”To errado? To. Mas ninguém tem sangue de barata.”

Para completar, ele concedeu entrevista no mesmo dia e disparou: “Todo mundo correr. Pelo que vejo ali, tem muito jovem que é um pouco, não digo perdido, mas faltam mais ouvidos do que a própria boca. Algum cara mais experiente fala, e eles retrucam, ou o próprio treinador fala, e eles retrucam”, e ainda completou: “Isso não é um time que vai longe, um time que vai ter sorte no final. A gente peca nisso. Precisamos ter mais inteligência de administrar isso, e eles mais do que nós. A gente tem bagagem e eles precisam respeitar mais. Da mesma forma de quando eu comecei, que escutava bastante e respeitava. Eles precisam seguir esse caminho também – disse Neymar na zona mista.”