Fabio Porchat || Créditos: Divulgação

Fabio Porchat fala sobre a crise existencial masculina: “Homem só conta vantagem, nunca fala que está brocha”

28.04.2019  /  9:00

Fabio Porchat || Créditos: DivulgaçãoQuando só se fala sobre empoderamento das mulheres, vem Fabio Porchat colocando o machismo pra jogo. Com muito humor, claro, assim como ele faz em tudo na vida. O comediante que ganhou a internet pintado de azul é hoje um dos nomes mais celebrados da TV. No mês em que estreia a série Homens?, do Comedy Central, ele prova por aqui que eles estão, sim, passando por uma crise existencial, revela quem é sua Judite na vida real e brinca: “A Terra tá tão chata que tem gente acreditando que a Terra é chata de verdade”.

Por Fernanda Grilo para a revista Joyce Pascowitch

J.P: Qual o nível de apego dos homens com seus pintos?
FÁBIO PORCHAT: Total. Nossa existência sempre esteve ligada em “comer todo mundo”, “gozar 5 litros pra mulher gritar” e “tamanho é documento”. Homem só conta vantagem, nunca fala que está brocha.

J.P: Mas ele passa por uma crise existencial?
FB: Sim! Até então era tudo ele, até que, “opa, tem mais coisa envolvida nessa equação”.

J.P: E como está esse processo?
FB: O pessoal de 20 já entendeu, os de 50/60 não vão entender e quem tem entre 25 e 45 faz parte da geração do pobre homem hétero que não sabe como se portar diante das mudanças que já vêm tarde.

J.P: Homem quando brocha…
FB: Não faz sentido estar vivo.

J.P: Para entender seu comportamento, o homem precisa…
FB: Se dar conta de que as coisas estão mudando. O homem cresce tendo de provar que não é “viado”. Esse medo vem desde pequeno.

J.P: Você já foi machista?
FB: Lógico, somos todos, inclusive.

J.P: Quando se deu conta que o mundo era assim?
FB: Quando era criança, queria brincar com uma menina da escola apaixonada pelo Meu Pequeno Pônei, então peguei a coleção da minha irmã e achei que tinha resolvido meu problema. Minha mãe viu e gritou: “Isso é coisa de menina”.

J.P: O que muda com o empoderamento feminino?
FB: Perder no imaginário a virilidade e importância. Fomos criados para acreditar que as meninas menstruam e têm filhos, o resto é do homem.

J.P: O que uma mulher faz que você não faz?
FB: Ela foi criada para aguentar mais os trancos da vida, de passar fome a se depilar.

J.P: Você ri do quê?
FB: Gente tomando susto. Fico o dia inteiro vendo pegadinha japonesa.

J.P: E fazer rir cansa?
FB: Não, é o máximo! Tem uma frase maravilhosa do Marcius Melhem: “Fazer rir para as pessoas pensarem é tão importante quanto fazer rir para esquecerem dos problemas”.

J.P: Se pudesse mudar alguma coisa em você o que seria?
FB: Tiraria a tendência que tenho de engordar para poder comer tudo.

J.P: Qual comida te faz quebrar a dieta?
FB: Queijo e frios me enlouquecem.

J.P: Sua extravagância consumista é…
FB: Viajar de executiva.

J.P: Momento de silêncio…
FB: Quando durmo.

J.P: …e de mau humor?
FB: Quando as coisas não saem do jeito que eu quero. E fico com raiva quando fico doente.

J.P: Tem um vício?
FB: Já me proibi de comprar livros. Agora tenho de ler dois para comprar um.

J.P: Seu bordão é…
FB: “Ai, como era grande”, do Paulo Silvino.

J.P: O mundo está chato?
FB: Tá! A Terra tá tão chata que tem gente acreditando que a Terra é chata de verdade.

J.P: Como gostaria de morrer?
FB: Lúcido!

J.P: Quem é a sua Judite?
FB: A Marlene, que existiu de verdade. Só mudei o nome porque acho Judite mais engraçado.