07.04.2014  /  13:42

Expert em meditação conversa com Glamurama sobre as ansiedades do mundo moderno

Priscilla Warner já sofreu com a síndrome do pânico e hoje é uma das especialistas na arte da meditação

Priscilla Warner já sofreu bastante com os males que a ansiedade causa à saúde física e mental. Essa americana tinha uma família feliz, boas condições financeiras e amigos, mas um trauma sofrido aos 15 anos, derivado da síndrome do pânico, a atormentou por mais de 40 anos, a ponto de levá-la à dependência de remédios como Valium e Rivotril, e também de bebidas alcoólicas. Felizmente, a busca pela paz interior a conduziu a retiros e a palestras com líderes budistas, como o Dalai Lama, além de consultas com médicos, neurocientistas, psicoterapeutas e musicoterapeutas.

Hoje, Priscilla é uma das profissionais mais requisitadas dos Estados Unidos para dar palestras sobre o tratamento da ansiedade, e é autora do livro “Respirar, Meditar e Inspirar”, que conta sua busca pela superação da síndrome do pânico. Confira o bate-papo que ela fez com o Glamurama.

 O que caracteriza uma pessoa ansiosa?

Seis milhões de pessoas nos Estados Unidos sofrem de ataques de pânico, 40 milhões de pessoas tem transtorno de ansiedade, portanto, é difícil de caracterizar ou limitar o perfil do que é uma pessoa ansiosa. Na verdade, se você me vê hoje executando bem as funções de profissional, mãe, esposa, filha ou amiga, você talvez não tenha nem pensado como eu já sofri com centenas de ataques de pânico. Algumas pessoas canalizam sua ansiedade em atividade constante, o pode tornar elas aparentemente produtivas e bem-sucedidas. Algumas pessoas se trancam e fogem do mundo. Eu não acredito que há uma maneira apenas de caracterizar as pessoas ansiosas. O que é importante para todo mundo é saber o fazer quando a ansiedade se coloca no caminho da sua felicidade, e saber que existem muitas maneiras de se curar e se tornar uma pessoa mais serena e calma.

A ansiedade se tornou a “vilã” do mundo moderno. Coisas que deveriam ser boas, como amor, sexo, dinheiro se tornaram a grande preocupação e motivo de ansiedade. Você acha que haverá alguma diminuição desses sintomas no futuro, ou a tendência é vermos pessoas cada vez mais ansiosas?

As pessoas estão mais conscientes agora que o estresse é uma má influência para a sua saúde, por isso, muita gente quer encontrar uma maneira de aliviar o estresse. Mais pessoas estão falando sobre suas experiências com a ansiedade, e isso é uma coisa boa – o estigma sobre essa doença parece estar, aos poucos, indo embora. Mas as questões de amor, sexo, dinheiro, poder e fama não vão preencher o buraco da alma, e é por isso que eu amo a minha prática de meditação, que me permite construir um espaço seguro dentro de mim.

O uso excessivo da internet, principalmente das redes sociais, aumentou a ansiedade nas pessoas?

Eu frequentemente estou nas mídias sociais, geralmente interagindo de maneiras bem profundas com meus leitores, então eu não gosto de criticar! Como todos os outros aspectos da vida, as redes sociais nos dão as oportunidade de nos tornarmos mais conscientes das nossas ações.

Ansiedade tem cura? Como podemos tratá-la?

A ansiedade não tem uma cura definitiva. Como seres humanos, nós sempre seremos desafiados pelas dificuldades presentes nessa vida, mas nós podemos achar maneiras de gerenciar e lidar com isso. Através da prática da meditação nós podemos mudar a nossa reação automática a esses desafios e estresses do dia a dia. Graças aos mestres e terapeutas que encontrei na minha vida, aprendi que a meditação é uma poderosa ferramenta que eu posso colocar em uso em qualquer lugar e a qualquer momento. Como um dos meus ensinamentos budistas favoritos diz: “você não pode parar as ondas, mas você pode aprender a surfar”.