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Escritor angolano Válter Hugo Mãe fala com PODER sobre seu sétimo livro

14.01.2017  /  8:34

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Válter Hugo Mãe é considerado um dos escritores mais talentosos de sua geração. || Créditos: Divulgação

Sucesso de público e crítica lança seu sétimo romance e conversa com PODER

Por Nataly Costa para a Revista PODER de dezembro
Uma fila imensa se formava no primeiro andar da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, no começo de novembro. Era a noite de autógrafos de Valter Hugo Mãe, escritor angolano radicado em Portugal que é sucesso absoluto no Brasil e que acaba de lançar seu sétimo romance, Homens Imprudentemente Poéticos, pelo selo Biblioteca Azul, da Editora Globo.  PODER aproveitou a passagem do autor por aqui para garantir uma conversa:

PODER: Muitos acreditam que a popularidade de um autor é inversamente proporcional à qualidade da literatura, o que não é seu caso. O que pensa disso?

VALTER HUGO MÃE: Há mesmo esse preconceito contra  a visibilidade, como se a verdade estivesse do lado dos escondidos. Para mim, não – acho até que certas coisas fazem mais sentido se entregues a mais gente. Nunca achei que fosse preciso ser um sujeito obscuro e mal-humorado para ser levado a sério.

PODER: Você escreve prosa, poesia, contos, livro infantil, coluna para jornal. Como consegue ser tão produtivo?

VHM: Tenho a felicidade de ser efetivamente um escritor. Não só preciso pagar as contas como a escrita é uma compulsão. A literatura surge como coisa inelutável, não sei entender o mundo sem o socorro das palavras. Escrever é meu modo de pensar, é a forma mais espessa que tenho de maturar as ideias.

PODER: Mas você não só escreve. Você canta, desenha…

VHM: Mas isso é como amador, como alguém que ama. Não posso ser apresentado como artista plástico. Faço desenhos que eventualmente são maus, as pessoas é que são simpáticas. Não espero tê-los ao lado de uma obra de arte, enquanto quero muito meus livros ao lado de outros que sejam verdadeiramente literatura. Desenhar, cantar, tudo isso é mais uma incapacidade minha de resistir à vida. Não sei recusar, gosto de estar disponível. Adoro dizer sim.

PODER: O que você lê?

VHM: Filosofia, ensaios. Gosto muito de Sérgio Buarque de Holanda. Recentemente, conheci Leandro Karnal e fiquei maravilhado. Queria encontrar os diários de Lúcio Cardoso, que estão esgotados. Há uns dois anos li uma página em uma livraria e não sei por que não comprei. Também tenho lido um filósofo romeno que morou na França, o Emil Cioran, e outras coisas que vou pegando… hoje mesmo comprei o livro de ensaios do Benjamin Moser sobre arquitetura no Brasil e, se tiver meia hora antes de dormir, já vou começar.

PODER: E quando esse tempo antes de dormir vai para o celular? Estamos lendo menos?

VHM: Já pensei muito sobre isso e também me culpo. A verdade é que hoje, com a realidade digital, mantemos contato com muito mais gente. Somos parte de um coletivo muito mais extenso, e a gestão dessa infinidade de relações ocupa nosso tempo. Por vezes, é gratificante porque encontramos amigos, pessoas que admiramos, há uma espécie de feedback do mundo que é compensador. Mas às vezes não, ficamos só esperando que alguém nos tenha dito uma coisa boa. Ficamos na expectativa dessa justiça do mundo, da consumação de um agrado, de uma paixão. E ela não chegou no e-mail, não chegou no Facebook e a gente fica ali só perdendo tempo, só demorando, como quem tem esperança em uma coisa que não vai acontecer. Então era melhor estarmos a ler os ensaios sobre o Brasil.