16.04.2020  /  17:04

Em papo com Joyce Pascowitch, Washington Olivetto reflete: “O Brasil é um produto com defeito. Temos que arrumar antes de vender”

Joyce Pascowitch e Washington Olivetto || Créditos: Divulgação

Sabe aquela conversa boa, que o tempo passa e você nem percebe? Foi o que rolou no ‘Papo Sem Filtro’ desta quinta-feira, com Joyce Pascowitch e Washington Olivetto. Morando em Londres desde 2016, o publicitário contou que tem ficado em casa e só sai para fazer a sua caminhada diária que, inclusive, é uma das recomendações do governo local para manter a saúde física e mental durante a quarentena. “Nosso mandatário, Boris Johnson, cometeu inicialmente um erro igual ao do Trump, que não acreditou no tamanho da encrenca, e só depois imitou Angela Merkel, que vem dando show na condução da Alemanha faz tempo. Quando eles anunciaram o isolamento em todo o Reino Unido recebi uma carta em casa com as recomendações, entre elas, a de praticar exercícios nos locais e horários permitidos”, contou Olivetto.

Claro que o futuro da comunicação e da publicidade foram os pontos centrais da conversa: “Você só faz boa publicidade, se tiver um bom produto. O Brasil ainda tem o problemas com o produto (a pandemia, no caso), porque as pessoas estão na dúvida do que fazer: vai ou não vai para a rua? A saúde física e a saúde da economia têm que andar juntas. A questão agora não é a comunicação, mas tomar uma atitude para depois comunicar”, explicou o publicitário e ainda completou: “O Brasil é um produto com defeito. Temos que arrumar antes de vender.”

Para ele, o mercado publicitário já estava meio ‘doentinho’ antes do vírus e, com ele, está em estado grave, principalmente no Brasil que de uns anos para cá tem deixado de lado a premissa de ter uma grande ideia para criar uma boa comunicação. “Se antes a gente precisava recriar, agora teremos que nos re-recriar. É uma bobagem querer fazer uma agência sem grandes publicitários. Não dá para fazer um grande time de futebol com jogadores de hockey, por exemplo”, disse ele para Joyce.

Outro ponto de destaque do papo foi a questão do propósito das marcas, que precisa ser demonstrado neste momento: “É fundamental dividir o que é verdadeiro, tem que ser oportuno e não oportunista. Nos últimos tempos vimos muita intenção de propósito, mas a vontade era só de ‘ficar bem’ na fita. Esse momento é o de mostrar a real. Tudo isso talvez venha para trazer um mundo menos poluído, menos poluente e ainda mais generoso”, refletiu.

Mas, que agora, a comunicação deve estar voltada para o institucional, com foco na sociedade: “As marcas não devem comunicar nada que incentive o erro. Sejam responsáveis, respeitosos e não vamos ter medo porque isso baixa a imunidade”. Olivetto ainda falou que o setor de turismo vai demorar para se recuperar, que a indústria do entretenimento terá que ser reinventar nos próximos tempos, principalmente por conta das aglomerações, e que o consumo pós-pandemia deve ter um pico, a exemplo do que aconteceu essa semana na China, por causa da vontade das pessoas do prazer e da alegria que isso proporciona: “Essa farra faz parte”.

E para finalizar, o publicitário mandou uma mensagem positiva: “Tenham juízo. No nosso próximo encontro, Joyce, teremos uma ‘carinha’ de comemoração, vamos fingir que nada aconteceu e tocar para frente.”