28.05.2020  /  18:36

Em meio à quarentena, Dudu Bertholini se casa em celebração virtual com 200 convidados: “Foram cinco horas de cerimônia pelo Zoom”

Dudu Bertholini e seu casamento virtual em plena quarentena // Reprodução Instagram

Dono de uma personalidade exuberante e estilo próprio, o estilista e stylist Dudu Bertholini tem aproveitado a quarentena para se reinventar e enxergar o futuro com outros olhos. Aos 41 anos, ele se casou em uma cerimônia virtual que reuniu cerca de 200 amigos no aplicativo de videoconferência Zoom. A celebração durou cinco horas: “Nós fizemos o cenário com lençóis brancos. As flores foram entregues por delivery e higienizadas. De resto, usamos o que já tínhamos em casa. Foi muito emocionante”, contou Dudu ao Glamurama.

Os planos de casamento de Dudu e o artista performático Gama Higai não eram recentes. Eles já pensavam em uma cerimônia exatamente no dia 25 de maio para comemorar, além de tudo, um ano de namoro. Mas aí veio o coronavírus e o isolamento social, e, ao contrário de alguns casais, a dupla não quis adiar. “Nosso casamento foi uma oportunidade de compartilhamento de afeto com as pessoas. O amor que nós passamos e sentimos foi muito positivo”, comemora Dudu.

Trabalhando de casa nesse período, Dudu revela que, após a pandemia, a moda precisa mudar. “Espero que a moda mude e que seja uma mudança estrutural. A crise afetou ainda mais nosso país e, da noite para o dia, transformou nossa realidade. Acredito que essas mudanças serão a médio e longo prazos, como a desaceleração do mercado”, analisa. Defensor da ideologia ‘mais criatividade e menos velocidade’, ele aposta que, nos próximos anos, vamos valorizar mais a moda feita no Brasil e que as tendências não serão mais tão passageiras.

“Acredito que não vamos mais ter tendências tão fechadas a cada temporada, como: ‘use vermelho’ ou ‘use isso nessa estação’. Vamos mergulhar na era das expressões de individualidade, em que as tendências serão as necessidades do cotidiano”, explica. Confira o papo completo com Dudu Bertholini sobre amor, moda e novos tempos.

Glamurama: Como tem sido a sua quarentena?
DB: Tem sido difícil. A pessoa que insiste em falar que está tudo bem, não consegue entender a gravidade e não é sensível à situação. Nesse tempo, entendi que para estar bom pra gente, precisa estar bom para todo mundo. E tem muitas coisas que nos preocupam, como o despreparo do governo, o número de mortes… É um momento delicado, mas também existe um aspecto positivo. A quarentena está me ajudando a repensar. Estamos falando sobre empatia, amor ao próximo e isso é importante. Sinto que é tempo de reflexão. Além disso, a pandemia deixou mais evidente cenários que já eram visíveis, como a importância do meio ambiente, sustentabilidade.

Glamurama: E qual tem sido o maior desafio para você?
DB: Sou uma pessoa muito dinâmica, porque o meu trabalho exige isso, mas também porque essa é a minha personalidade. Nunca me imaginei ficando em casa direto… mas nesse período me reinventei e repensei sobre a presencialidade. Hoje me vejo adaptado a muitas questões.

Glamurama: Bom, você casou em plena pandemia. Como resolveu fazer uma celebração virtual?
DB: Acho que, dentro dos aspectos de aprendizado dessa quarentena, eu e o Gama criamos um vínculo muito maior. Nós queríamos nos casar quando completássemos um ano de namoro e isso aconteceu no dia 25 de maio. De alguma forma, essa data nos escolheu. Nosso casamento foi uma oportunidade de compartilhamento de afeto com as pessoas. O amor que nós passamos e sentimos foi muito positivo. Claro que, por estarmos em isolamento, fizemos a cerimônia sem que nenhuma pessoa entrasse em casa. Moramos com um amiga e, além dela, mais ninguém esteve aqui. Foram cinco horas de cerimônia e nós fizemos o cenário com lençóis. As flores foram entregues por delivery e higienizadas. De resto, usamos o que já tínhamos em casa. Foi muito emocionante.

Glamurama: Então o casamento já estava programado antes mesmo da quarentena começar?
DB: Sim, estava. Já tem seis meses que pensamos nisso mas, com a quarentena, a programação foi feita bem em cima da hora. Foi só dois dias antes que realmente mandamos os convites. Muitas pessoas, infelizmente, não puderam “comparecer”. Foi feito com pressa, mas com amor.

Glamurama: E teve festa virtual também?
DB: Sim, no Zoom. Como muitas pessoas ainda não tinham usado esse aplicativo, todas estavam ansiosos. Foi bem legal! Ninguém queria deixar a sala, todos animados. Amamos!

Glamurama: Como está sendo essa fase de conviver junto 24h por dia?
DB: O fato de termos uma parceria enorme só deixou nossa relação mais forte. Entendo que é muito difícil lidar com as pessoas. Não a toa, os índices de divórcio aumentou, assim como os de violência doméstica. No nosso caso, a quarentena nos fortaleceu.

Glamurama: Vocês pretendem ter filhos?
DB: Não. Tenho afilhado, sobrinho. Admiro muito casais homoafetivos que adotam e que têm esse sonho, e fico feliz que finalmente temos esse direito, mas não está nos nossos planos. Já temos um gato!

Glamurama: Qual é a primeira coisa que pretende fazer após a quarentena?
DB: Sinceramente evito pensar nisso porque acho um perigo. Estamos acostumados a falar sobre futuro, mas agora é hora de falarmos sobre o presente. Claro que penso em viajar, encontrar meus amigos, mas não sei que mundo vou encontrar lá fora.

Glamurama: De que forma isso tudo afeta o mundo da moda?
DB: Espero que a moda mude e que seja uma mudança estrutural. A crise afetou ainda mais nosso país e, da noite para o dia, transformou a nossa realidade. Acredito que essas mudanças serão a médio e longo prazos, como a desaceleração do mercado. Antes, tínhamos coleções de primavera antes da primeira flor desabrochar, ou coleções de inverno quando, na verdade, estava fazendo um calor de 30º. Isso tende a mudar. Temos que valorizar mais a criatividade e menos a velocidade. Também acredito que vamos começar a ter um incentivo do mercado local, do que é feito no Brasil.

Glamurama: E as questões estéticas?
DB: Acredito que não vamos mais ter tendências como: ‘use vermelho’ ou ‘use isso nessa estação’. Vamos mergulhar na era das expressões de individualidade, baseadas nas necessidades do cotidiano. E terão máscaras diferentes, tecidos antivirais, que já existem. A moda vai estar preocupada com a proteção, e nisso a tecnologia vai nos ajudar. Mas, para ser sincero, a revolução não está na estética, mas nos meios de produção.

Glamurama: Quais seus projetos para o futuro?
DB: Gosto de pensar nos projetos que tenho agora. Na próxima semana estreia uma nova temporada do programa “Nós, os Fashionistas”, na Fashion TV. Vai ser muito interessante porque essa temporada foi gravada no final de 2018 e você percebe que, ao mesmo tempo que tem muitos discursos futuristas, alguns estão desatualizados. Também sou coordenador do Istituto Europeo di Design e as aulas não pararam. Estamos buscando fazer um conteúdo online diferenciado, o que tem sido um desafio. E também estou lançando uma coleção de máscaras, luvas e golas com a UV Line, todas as peças feitas com resíduos têxteis.