23.11.2020  /  19:01

Em live, Nelson Motta abre o jogo sobre música, paixões e tempos difíceis: “Nos anos 80, minha vida foi pra lama. Estava cheirando como tamanduá humano”

Nelson Motta em live com Joyce Pascowitch // Reprodução

Drama, comédia e amor na live entre Joyce Pascowitch e Nelson Motta, nesta segunda-feira no Instagram do Glamurama. Nelson é o que chamamos de multitask. Jornalista, compositor, escritor, roteirista, produtor musical, teatrólogo e letrista… sempre muito bem sucedido, diga-se de passagem. Ele é autor de mais de 300 músicas com diversos parceiros, como Lulu Santos, Rita Lee, Ed Motta,  Guilherme Arantes, Erasmo Carlos, entre outros. Produziu espetáculos de artistas como Elis Regina, Marisa Monte e Gal Costa, é autor de hits ‘Como uma Onda’ (com Lulu Santos) e, quem diria, da canção de final de ano da Globo “Um Novo Tempo” (com Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle). Também escreveu best-sellers como ‘Vale tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia’, ‘Noites Tropicais: Solos, Improvisos e Memórias musicais’, ‘O canto da Sereia” – que inspirou a minissérie estrelada por Isis Valverde – e “101 Canções que Tocaram o Brasil’. Seu livro mais recente é a autobiografia “De Cu pra Lua: Dramas, Comédias e Mistérios de um Rapaz de Sorte”.

Sobre ser um artista com diferentes talentos, Nelson dispara: “São coisas que devo muito ao meu temperamento inquieto. Sou escorpiano com ascendente em Touro, o que me dá um certo equilíbrio. Tenho também um ascendente em Áries que me impulsiona para coisas novas. Tenho isso de natureza. Não tenho medo. Me atraio pelo que nunca fiz (…) O que me ajuda é que sou uma pessoa autocrítica, não dou moleza pra mim mesmo”.

Em sua autobiografia, ele fala sobre se considerar um rapaz de sorte: “Meu impulso não foi falar sobre minha vida, e sim o mistério da sorte. Comecei a estudar isso, não há uma explicação mística, cientifica.. Ela não tem hora. Como ela cai no seu colo, você tem que ver de alguma forma o que fazer com aquilo. Sempre me considerei um rapaz de sorte, mas também tive muita falta de sorte e sofri demais, tive grandes fracassos que as pessoas não lembram. O livro mostra que foram nos fracassos que aprendi. O melhor professor é o erro bem aproveitado.”

Por falar em história, aos 76 anos Nelson não nega ser um namorador inveterado. Elis Regina, Marília Pêra e Costanza Pascolato foram algumas das mulheres com quem ele engatou romance. “É uma situação bastante comum no teatro, no cinema, na música. Pessoas que trabalham juntas, meses a fio em uma enorme intimidade sobre uma suposta identidade de gostos, de propósitos… é muito frequente que as pessoas se apaixonem com aspas ou sem aspas. Se constrói um tipo de aliança”, comenta ele, que ainda falou sobre seus relacionamentos: “Nunca imaginei me apaixonar pela Elis. Tinha bastante medo dela, não era o tipo de mulher que me atrairia, mas acabei me apaixonando pela imagem que construí trabalhando com ela. A história durou um ano. Não consigo imaginar ter continuado com ela. Comecei a namorar Marília (Pêra) e ela  teve uma briga com Elis, que ficou banida da nossa casa. Por volta de 1975, quando Elis fez ‘O Falso Brilhante’, a própria Marília quis que a gente fosse no show. Aí elas ficaram ‘best friends’ (risos)”, relembra.

Nelson também falou de seu lado paterno: “Adoro ter filha mulher. Tenho a Joana, do primeiro casamento com a Mônica (Silveira),  e a Esperança e a Nina com a Marília. Convivi bastante com elas. Desenvolvi esse mundo feminino com minhas filhas, é um universo delicado. Mimei, dei presentes, fiz agrados. Elas se tornaram mulheres maravilhosas, pessoas honestas, trabalhadoras, éticas, inteligentes(…) Elas me protegem. Sempre gostei de enfeitar, sempre trouxe presentinhos das viagens. Não há nada que me alegre mais do que ver as pessoas que amo felizes”.

Um dos trabalhos icônicos de Nelson foi o livro ‘O Canto da Sereia’, que virou minissérie na Globo estrelada por Ísis Valverde. Ele admite que ficou impressionado com a adaptação para a TV: “Foi meu primeiro livro, de principiante. No roteiro para TV  eles conseguiram trabalhar melhor os personagens, um final melhor que a história do livro. Gostei mais do que o livro, ficou impecável. No livro, existiam alguns pontos fracos. A Ísis aprendeu a cantar em três meses e arrebentou!”

Nelson lembrou também de uma fase difícil de sua vida e como fez para superar: “No inicio dos anos 1980 , minha vida foi para a lama,  as coisas não davam certo, os namoros, as companhias, porque eu estava na cocaína, cheirando como um tamanduá humano. Foi a pior coisa da minha vida. Gastei dinheiro com bobagens”. Para mudar essa realidade, Nelson ele buscou refúgio em Roma: “Fui embora, fugi. Teve um festival de musica brasileira em Roma, que se chamava ‘Bahia de Todos os Sambas’. Foi um ótimo momento para escapar de duas coisas: da namorada que me traía e também da cocaína. Eu adorava Roma, não seria difícil largar a dependência. Em poucos meses já não pensava no assunto, estava tão feliz. Me livrei de uma coisa péssima”. Confira a entrevista completa abaixo: