10.07.2020  /  22:33

Em live com Joyce, José Junior fala sobre AfroReggae, projetos sociais, fé e produção de séries: “Reality vai colocar jovens de classe média alta morando na favela”

Ele foi é a cabeça de uma das ONGs mais antigas e respeitadas do país com foco em reabilitação e inclusão por meio de projetos sócio-culturais. José Junior é a cara e a alma do AfroReggae apesar de não atuar mais como CEO da instituição. “Agora estou à frente da AfroReggae Audio Visual, uma sociedade anônima com foco em produção de séries documentais. Mas ainda acompanho a ONG de perto. A ONG é meu amor, a produtora minha paixão”, conta ele, que transita entre o alto empresariado e a política com a mesma desenvoltura que lida com chefes de comunidades e bandidos do narcotráfico. “Até 2004 eu era visto como bandido pela polícia por meu trabalho para tirar pessoas do narcotráfico. Até hoje tem gente que acha que sou bandido. Começamos com aqueles meninos que fazem pequenos serviços chegamos a reabilitar grandes donos de bocas de fumo. Com o AfroReggae tiramos mais pessoas do tráfico do que qualquer outra instituição”, lembra Junior, entrevistado de Joyce Pascowitch em live nessa sexta-feira.

Articuladíssimo, usando pesadas argolas nas orelhas e unhas pintadas de azul, o carioca de 52 anos, assume que é vaidoso: “Raspo a cabeça e faço as unhas toda semana. Por vaidade mesmo. Gosto de pintar as unhas de azul porque é a cor da cura e minha cor favorita também. Não tenho problema se é feminino ou não”. Ligadíssimo em espiritualidade, diferentes religiões e ciências como astrologia, José Junior confessa: “Faço mapa astral todo o mês. Sou de Câncer com ascendente em Sagitário e lua em Libra. Também sou muito ligado em Nossa Senhora de Fatima e adoro a filosofia Hare Krishna. Nessa história de mediar guerra, tirar pessoas do tráfico, tenho que dizer que arrisquei minha vida muitas vezes. Um cara como eu estar vivo, só a espiritualidade explica”.

Atualmente tem se dedicado a escrever e produzir séries documentais. Entre elas, duas ficcionais de grande sucesso que foram ao ar pela Globoplay, ‘A Divisão’ e ‘Arcanjo Renegado’, ambas baseadas em fatos reais. “Tive que transformar documentários em dramaturgia. Em ‘Arcanjo Renegado’, 40 atores vieram do tráfico. A gente forma atores, equipe de produção… boa parte composta por ex-traficantes e milicianos. Fazemos esse trabalho de inclusão. Os protagonistas são sempre negros. É uma demanda nossa. O elenco é formado predominantemente por atores e não-atores negros, que vêm das favelas e da periferia. A gente acha importante.”

E em uma fase pouco propícia para a arte e entretenimento, Junior comemora: “A produtora está com seis projetos em desenvolvimento com o Grupo Globo, todos sem incentivo fiscal. Esse ano já teremos lucro. E boa parte do lucro gerado pela produtora, que é uma S/A, volta pra ONG, criando sustentabilidade financeira de um projeto social. Esse é um caminho sem volta e maravilhoso. Vem por aí ‘A Divisão’, em setembro estreia a segunda temporada, a terceira e quarta já estão sendo escritas; a segunda temporada de ‘Arcanjo Renegado’, a série ‘Betinho’ – sobre o sociólogo e ativista dos direitos humanos Herbert José de Sousa -, com Julio Andrade como protagonista; o reality ‘Na Laje’, que vai colocar jovens de classe média alta morando na favela durante 20 dias, o ‘Jogo que Mudou a História’, sobre o surgimento das facções do crime no Rio, que vai ter de cinco a seis temporadas, e ‘Verônica’, história de uma advogada negra, da favela, muito bem sucedida, que acaba se envolvendo com a criminalidade… Também baseado em fatos reais. E ficamos sabendo há pouco tempo que a primeira temporada de ‘A Divisão’ vai ser exibida na TV Globo, o que é um presente.”

Confira esse papo incrível na íntegra aqui. Play!

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Quanta história, quanto foco e quanta fé!

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