08.02.2020  /  9:30

E o Oscar vai para… 7 vezes em que o Brasil não ganhou mas fez bonito na cerimônia

O Brasil já teve grandes momentos no Oscar || Créditos: Getty Images/Reprodução
O Brasil já teve grandes momentos no Oscar || Créditos: Reprodução

Coisa rara de se ver, o Brasil vai marcar presença na 92ª cerimônia do Oscar que acontece nesse domingo pela primeira vez em muitos anos com “Democracia em Vertigem”, o polêmico filme da mineira Petra Costa, que concorre na categoria de Melhor Documentário. E ao longo dessas várias décadas de história do prêmio mais importante do cinema, o país teve várias “quase vitórias”. A primeira foi em 1960, quando “Orfeu do Carnaval” levou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro. Apesar de estar representando a França na premiação, o longa do diretor francês Marcel Camus foi filmado em terras brasileiras, tinha um protagonista brasileiro (Breno Mello), roteiro baseado em uma peça de Vinícius de Moraes (“Orfeu da Conceição”) e trilha sonora assinada por Tom Jobim e Luís Bonfá.

Ainda assim, não dá pra dizer que a vitória foi toda nossa, um “contratempo” que aconteceu seguidas vezes, e o Brasil ainda está na lista dos países que nunca receberam o maior reconhecimento do cinema mundial com uma produção 100% nacional. Mas isso não significa que a gente não fez bonito nas várias cerimônias do Oscar nas quais, de um jeito ou outro, estivemos presentes. Glamurama listou alguns desses momentos, confira:

Ary Barroso || Créditos: Reprodução
Ary Barroso || Créditos: Reprodução

Nossa primeira aventura no Oscar foi em 1945 e graças ao trabalho de um dos maiores gênios da nossa música: Ary Barroso. Foi ele quem compôs a canção “Rio de Janeiro”, a trilha sonora do filme “Brazil”, uma produção americana com direção de Joseph Santley. A música disputou a estatueta de Melhor Canção Original, mas acabou perdendo para “Swinging on a Star”, de James Ven Heusen e Johnny Burke, que estava na trilha de “O Bom Pastor”.

O ator Leonardo Villar em "O Pagador de Promessas" (1963) || Créditos: Reprodução
O ator Leonardo Villar em “O Pagador de Promessas” (1963) || Créditos: Reprodução

Em 1963 o Brasil fez sua estreia entre os indicados na categoria Melhor Filme Estrangeiro com “O Pagador de Promessas”, do diretor Anselmo Duarte e baseado na peça de Dias Gomes. Mas perdemos para uma produção francesa: “Sempre aos Domingos”. Em compensação, um ano antes levamos para casa um dos maiores prêmios do cinema francês, a Palma de Ouro em Cannes, concedida ao longa de Duarte.

No Oscar de 1986, “O Beijo da Mulher Aranha” foi um dos grandes destaques. Uma coprodução entre Brasil e Estados Unidos, o filme de Hector Babenco recebeu quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator, sendo que venceu nesta última categoria pela atuação de William Hurt. Sônia Braga, a estrela do clássico de Babenco, não foi indicada pelo trabalho, mas em compensação ela apresentou o Oscar de Melhor Curta-Metragem daquele ano ao lado de Michael Douglas.

Fernanda Montenegro || Créditos: Reprodução
Fernanda Montenegro || Créditos: Reprodução

Depois de várias décadas longe da cerimônia, o Brasil voltou a brilhar no Oscar em meados dos anos 1990. Em 1996, “O Quatrilho”, de Fábio Barreto, foi indicado na categoria Melhor Filme Estrangeiro – a primeira vez que isso aconteceu desde “O Pagador de Promessas”. Dois anos depois, em 1998, era a vez de “O Que É Isso, Companheiro?”, que também disputou o prêmio. Para fechar a década com chave de ouro, em 1999 emplacamos “Central do Brasil” novamente entre os melhores filmes estrangeiros do ano, desta vez com uma indicação inédita de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro, a primeira atriz latino-americana que recebeu a honraria.

Douglas Silva, em cena de "Cidade de Deus" || Créditos: Reprodução
Douglas Silva, em cena de “Cidade de Deus” || Créditos: Reprodução

Nos anos 2000, o nosso maior destaque no Oscar foi com “Cidade de Deus”, que ficou fora da disputa de melhor filme estrangeiro mas foi indicado em outras quatro categorias: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição. Não levamos nenhuma estatueta para casa, mas o filme de Fernando Meirelles foi um dos mais aplaudidos no Oscar de 2004 e era o favorito declarado de vários famosos. Madonna, aliás, é uma das maiores fãs da produção.

Caetano Veloso, Lina Downs e Salma Hayek, a estrela de "Frida" || Créditos: Reprodução
Caetano Veloso, Lina Downs e Salma Hayek, a estrela de “Frida” || Créditos: Reprodução

Na 75ª cerimônia do Oscar, em 2003, mais uma vez nos enchemos de orgulho graças a um dos maiores astros da nossa música: Caetano Veloso se tornou, naquele ano, o primeiro brasileiro que interpretou uma das músicas indicadas a Melhor Canção Original – no caso, “Burn It Blue”, do filme “Frida”, que o baiano cantou junto com Lila Downs.

Leonardo Dicaprio e Gisele Bündchen no Oscar de 2005 || Créditos: Reprodução
Leonardo DiCaprio e Gisele Bündchen no Oscar de 2005 || Créditos: Reprodução

Em 2005, o Brasil também teve um pezinho no Oscar em razão das indicações de “Diários de Motocicleta” – dirigido por Walter Salles – na categorias Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original. Mas o maior momento verde e amarelo da cerimônia daquele ano aconteceu no tapete vermelho, quando Leonardo DiCaprio, que concorria a Melhor Ator por sua performance em “O Aviador”, apareceu junto com Gisele Bündchen, com quem namorava na época. Foi a primeira e única vez até hoje que Leo foi a uma premiação acompanhado de uma namorada, lembrando que a companhia do astro nessas ocasiões geralmente é dona Irmelin, a mãe dele. (Por Anderson Antunes)