25.02.2021  /  11:57

Do Rio para o mundo: Nanda Costa relembra começo na TV e fala sobre carreira internacional: “Meu inglês não é fluente, mas fiz fluir…””

Nanda Costa em Monster Hunter / Crédito: Reprodução

“A Estrada”, música do Cidade Negra, faz parte da trilha sonora da vida real de Nanda Costa. Foi no táxi, quando partia para o seu primeiro trabalho na Globo, na trama ‘Cobras & Lagartos’, em 2006, que ela ouviu o verso: “você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui…”, e começou a chorar sem parar. Essa história, contada pela atriz em papo com Glamurama, é uma das mais marcantes de sua vida. Por isso, Nanda lembra dessa fase de sua vida com nostalgia e carinho com as reviravoltas que passou desde que saiu de Paraty, no Rio de Janeiro rumo a São Paulo, depois para capital carioca e daí para o mundo. Isso porque, além de ‘Amor de Mãe’, novela que retorna 1º de março, em que Nanda interpreta Erica, ela está no filme ‘Monster Hunter’, que marca o início de sua carreira internacional. Na trama, baseado no jogo da desenvolvedora e publicadora japonesa de jogos eletrônicos Capcom, a tenente Artemis (Milla Jovovich) e seus soldados são transportados para um novo mundo. Nanda dá vida para Lea, uma caçadora de monstros que vive em uma realidade paralela.

Com estreia marcada para o próximo domingo, dia 28, a atriz reviveu essa sensação de ‘como se fosse a primeira vez’. “Eu fiquei tão ansiosa como nas noites que antecederam minha primeira vez nos estúdios Globo. Só que dessa eu trabalharia com gente do mundo todo. Milla Jovovich, Ron Perlman, Tony Jah… muita ação, efeitos especiais. Tudo muito novo, grandioso”, desabafou Nanda. A seguir, confira a nossa entrevista com a atriz, que falou também sobre parcerias com a mulher Lan Lan e novos projetos. (por Jaquelini Cornachione)

Glamurama: Você estreou na televisão em 2006, na novela ‘Cobras & Lagartos’. Lembra do que sentiu ao entrar no estúdio pela primeira vez?

Nanda Costa: Lembro bem de cada detalhe. Eu tinha vindo de uma temporada de seis anos dificílimos em São Paulo. Saí de casa com 14 anos para correr atrás do sonho de ser atriz. Na época achava distante e quase impossível entrar em uma novela da Globo, ou conseguir um papel de destaque nos cinemas, por exemplo. Cursava a escola de atores do Wolf Maya em São Paulo quando a Márcia Andrade, produtora de elenco, me ligou a pedido do Wolf me convidando para a novela. Fiz minhas malas, peguei tudo que eu tinha (que não era muita coisa) e mudei de vez pro Rio de Janeiro, onde sempre quis morar. Fiquei hospedada na casa de uma prima minha até liberarem o flat em que eu ficaria durante o período da novela. A casa dela ficava uns 10 minutos de distância do Projac, e resolvi pegar um táxi até lá. Eu fui toda arrumadinha, fiz escova (na época achava chique, rs), me maquiei e fui conhecer os estúdios, onde eu passaria os próximos meses vivendo um sonho. Quando o táxi entrou na rua do Projac, tocou na rádio a música “A estrada” do Cidade Negra. Quando ouvi “você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui…” comecei a chorar sem parar. O taxista perguntou se estava tudo bem comigo, eu mal consegui falar. Agradeci ao motorista e cheguei na portaria 3 com a maquiagem toda borrada e os olhos inchados. Lembro da espera pelo crachá, da sensação de cruzar a catraca pela primeira vez, da sensação de encontrar o elenco inteiro e da ficha caindo pois eu tinha “conseguido”. E que naquele momento eu fazia parte dele. Foi um marco na minha vida.

 Glamurama: Essa sensação é algo que se compara com o início da sua carreira internacional? É como se fosse a primeira vez?

Nanda Costa: Foi exatamente a mesma sensação, mas dessa vez o voo foi mais longo. De Paraty para São Paulo, de São Paulo para o Rio, e do Rio para o mundo. Eu fiquei tão ansiosa como nas noites que antecederam minha primeira vez nos estúdios Globo. Só que dessa eu trabalharia com gente do mundo todo. Milla Jovovich, Ron Perlman, Tony Jah… muita ação, efeitos especiais. Tudo muito novo, grandioso. A sensação de chegar nos Estúdios da Cidade do Cabo foi inesquecível também, mas dessa vez eu não chorei. Foi só frio na barriga e muita gratidão.

Glamurama: Como surgiu a oportunidade de trabalhar em ‘Monster Hunter’?

NC: Foi tudo muito rápido, eu estava terminando de gravar “Segundo Sol” quando soube que estavam me sondando para uma produção internacional. Para a aprovação, pediram um vídeo com até três minutos de alguns trabalhos meus. Passei noites escolhendo as cenas preferidas das mais variadas possível e fiz questão de editar esse material, não queria que tivesse um “frame” de nada que não me orgulhasse. Mandei o vídeo e ganhei a personagem.

Glamurama: Vários artistas brasileiros têm conquistado espaço no mundo. Esse também é seu sonho?

NC: Me emociono com a realização dos sonhos das pessoas, choro quando vejo um atleta subir ao pódio; quando vejo depoimentos de pessoas que mesmo com toda a dificuldade que a vida impôs conquistarem seus espaços. Desde pequena tinha o sonho de ser atriz. Hoje entendi que o meu sonho nada mais era do que trabalhar com o que amo, não é só a minha profissão. Acredito que a pessoa é para o que nasce, mas é preciso mais do que querer, é ter vocação,  talento. Não é à toa que no dicionário a palavra sucesso vem depois de trabalho. Sucesso é a realização de um trabalho bem feito. Por isso fico feliz quando vejo brasileiros ganhando o mundo, e fico muito feliz e orgulhosa de também fazer parte dessa nossa conquista. Acredito que papel tem endereço certo e o que é pra ser tem muita força. Meu sonho profissional é ter bons personagens e/ou boas experiências. Onde tiver eu vou.

Glamurama: ‘Monster Hunter’ é um filme de ação. Como foi a preparação para este trabalho?

NC: Quando veio o convite para dar vida à policial Maura em “Segundo Sol”, fiz algumas aulas de defesa pessoal e intensifiquei o Muay Thai. Peguei mais pesado no treino de força e resistência. Não tive muito tempo para me preparar. Do convite até a chegada na Cidade do Cabo tive pouco mais de duas semanas.

Glamurama: Você fala inglês fluente? Como foi a questão da comunicação durante as gravações?

NC: Eu me viro bem na comunicação. Meu inglês não é fluente, mas fiz fluir… Tive um tradutor maravilhoso que me acompanhou quase todo tempo no set. Passei um mês e meio filmando e por se tratar de um filme de game, os maiores desafios estavam nas cenas de ação. Tinha elenco do mundo inteiro. Meus parceiros de cena mais próximos eram do Japão e da Alemanha, o idioma não foi problema. Eu domino bem o francês, quando falhava o inglês eu lançava um francês e dava certo. Fora que a minha personagem falava Esperanto. Eu decorei e falei, tudo bem que não era muita coisa pra decorar, rs. Quando voltei de viagem meu inglês estava muito melhor.

Glamurama: Você se vê morando em outro lugar, além do Rio de Janeiro?

NC: Com a pandemia só saio de casa quando é extremamente necessário. Apesar dos pesares não sinto vontade de morar fora do Brasil. A não ser que seja por um bom trabalho ou estudos. Os dois lugares que mais amo no Brasil são Salvador e Paraty. Moraria tranquilamente nessas duas cidades.

 Glamurama: Em projetos aqui no Brasil, quais são as novidades? O que pode já pode nos contar?

NC: “Amor de mãe” está voltando em março com capítulos inéditos. Tenho mais dois filmes que vão estrear esse ano: “ O auto da boa mentira” do José Eduardo Belmonte, inspirado na sabedoria do nosso grande Ariano Suassuna, e o filme  “Derrapada” escrito por Izabella Faya e dirigido por Pedro Amorim.

Glamurama: Existe a possibilidade de um projeto artístico em parceria com a Lan Lan?

NC: Eu topo qualquer coisa com a Lan. Nossa parceria profissional já nos rendeu bons frutos, como a “Aponte”, nossa composição que foi indicada ao Grammy Latino como melhor canção em ‘Língua Portuguesa’, gravada por ninguém mais ninguém menos que Maria Bethânia. Juntas compusemos também “Não é comum mais é normal” que teve uma boa repercussão nas redes sociais.

Glamurama: As gravações de ‘Amor de Mãe’ já acabaram, certo? Como foi gravar no meio de uma pandemia? Qual aprendizado que vai levar dessa situação?

NC: Foi muito bom poder retomar as gravações. Nós fomos os primeiros a parar. Ficamos quase seis meses aguardando essa retomada. A pandemia foi inserida na históri e, isso nos ajudou muito na retomada.  O Zé Villamarim, nosso diretor, e nossa autora, Manuela Dias, foram brilhantes nas adaptações. Tínhamos um protocolo super rígido que nos trouxe toda segurança pra concluirmos essa história sem comprometer o artístico e a dramaturgia.

Glamurama: O que podemos esperar da história de Erica, na novela? Algo inesperado?

NC: Apesar da Érica ser bem mais nova do que eu, ela é super madura e tem uma praticidade invejável. Ela não deu muita sorte no amor na primeira fase da novela, mas na segunda fase a coisa já muda de figura no quesito sorte no amo.

Glamurama: Falando nisso, como você analisa o cenário atual do Brasil, principalmente em relação à pandemia e a política?

NC: Caótico. É o pior momento do Brasil. Estamos totalmente desgovernados.

Glamurama: O que vai fazer assim que a pandemia acabar? Depois de todos devidamente vacinados?

NC: Dar um festão com muita música boa, família e amigos reunidos dançando até de manhã.

Glamurama: Quais os seus desejos para 2021?

 NC: Imunidade e saúde pra todos.