10.10.2017  /  8:35

Diretor comenta duelo de gigantes, necessidade da beleza física e cena de sexo de Grazi vazada

Mauro Mendonça Filho e Grazi Massafera mais flagra da atriz com Rafael Cardoso || Créditos: Juliana Rezende e Reprodução

Glamurama foi bater um papo com Mauro Mendonça Filho, diretor em (super) alta na Globo depois de “Verdades Secretas” – que levou até um Emmy para a emissora – e sucessos como “Amor à Vida”, “Gabriela” e “O Astro”. Filho dos atores veteranos Mauro Mendonça e Rosamaria Murtinho, ele cresceu nos bastidores da televisão e tem como “tios” praticamente todos os pesos-pesados das artes dramáticas do Brasil, muitos deles escalados para sua próxima novela, “O Outro Lado do Paraíso”: Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Nathalia Timberg, Laura Cardoso, Juca de Oliveira, Marieta Severo: que time!

São marcas em seus trabalhos as cenas de sexo de forte impacto e a forma como ele retrata uma realidade nua e crua quando o tema é violência e degradação humana.  Tudo isso foi assunto da nossa conversa: inclusive o vazamento de fotos de uma gravação – muito, muito mesmo – picante de Grazi Massafera sem roupa em uma caçamba de pick-up com Rafael Cardoso, feita para a trama das nove, que vai substituir “A Força do Querer”. Ah, na entrevista Mauro fala também por que pra ele beleza é fundamental… Vem ler! (por Michelle Licory)

Glamurama: Apesar de ter formado um dream team, não deve ser “facinho” ser o diretor e ter que imprimir sua marca em uma novela que reúne Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Nathalia Timberg, Laura Cardoso, Juca de Oliveira, Marieta Severo… Como você faz para conseguir impor respeito?

Mauro Mendonça Filho: “Essas pessoas me pegaram no colo. Minha mãe e meu pai são da mesma geração da Fernanda, da Nathalia… Eu tenho uma facilidade de ser abençoado por elas. Estou em casa, de fato. E só quero que todos arrebentem. Tenho minha varinha de condão para exigir o melhor, ficar buscando a boa interpretação. É uma equação boa, mas na novela ninguém é melhor do que ninguém e a postura dessas estrelas é muito legal por isso… Se acham iguais ao camareiro. Está todo mundo de mãos dadas tentando acertar. As vaidades estão bem diluídas aqui. Isso não cabe mais hoje em dia. É só muito talento junto. E eu querendo que eles brilhem. Demais. Faço tudo pra isso”.

Glamurama: Não é todo dia que a gente vê tanta gente desse calibre reunida…

Mauro Mendonça Filho: “Não tenho insegurança, mas tem que ouvir também, principalmente quem é experiente e já conhece todos os atalhos. Juro pra você que não é difícil. Sim, é sempre engraçado [estar nessa situação] porque é muito próximo. E tem um olho no olho que fala assim: meu filho, vamos lá, me dá a mão. Todo mundo fica nervoso, ninguém chega ‘segurão’, inclusive eles. Todo mundo quer acertar, superar seus limites, o que dói pra qualquer um.  A gente se dá as mãos em uma cumplicidade genuína. Verdade que com eles é jogar pra ganhar, sim. Como conseguimos tantas estrelas? O Walcyr [Carrasco, autor da trama] foi conduzindo, é uma novela das nove, ele tem a credibilidade dele e acho que também conquistei a minha. Nego topa. Basicamente isso. Quando você vê, tem um monte de fera. E também vamos tentando lançar pessoas novas boas, equilibrar com pessoas bonitas, isso é importante também”.

Glamurama: Por que é importante ter gente bonita?

Mauro Mendonça Filho: “Novela faz parte da vida do brasileiro que quer chegar em casa e entrar em um mundo de fantasia. E o amor, a fantasia com um homem bonito ou uma mulher bonita é total. Pra mim é assim, e pra mulher também deve ser. A beleza é importante. Não é crucial e essencial para todos os papeis, mas uma novela sem pessoas bonitas não existe, é difícil”.

Glamurama: Um traço forte do seu trabalho é a humanização de personagens não tão mocinhos…  

Mauro Mendonça Filho: “Tem que ter um pouco de poesia na imagem, na alma e na delicadeza de lidar com os personagens, saber identificar as vítimas, como na cracolândia de ‘Verdades Secretas’. Tentei achar um tom poético. O viciado é um doente, não um marginal. É preciso poesia nos temas delicados, mas ainda assim ser verossímil. E buscar a identificação do telespectador. Violência doméstica, algo que vamos tratar agora, é assunto universal. Até na Finlândia você encontra: desejo, amor, frustrações, ciúme. É um assunto que interessa. E o ser humano vive uma dualidade constante. A gente tem figuras linearmente más e figuras que erram. Existe uma diferença grande. Tem quem erra por questões psicológicas ou de criação – e tem as de má índole. Tem que saber separar. O erro faz parte. A gente está com alguém e aí… Quanta gente ama e perdoa? Tem que perdoar, mas sem passar de um limite”.

Glamurama: Vocês escolheram um ator muito querido do público, Sergio Guizé, para protagonizar as cenas de violência doméstica, contra a mulher dele na história. E a gente escuta tanto na vida real o comentário de que o cara é agressivo, mas “me ama”, ou é “bom pai”, tem um “bom coração”… Foi proposital a escalação dele para gerar empatia – e polêmica? 

Mauro Mendonça Filho: “O Sergio Guizé é de um carisma absurdo, muito bonito e um ator maravilhoso. Não sei dizer se foi proposital, mas a gente não tinha outra pessoa na cabeça para o papel. Ele é o grande enigma da novela. Tem um comportamento bipolar, vai de uma extrema delicadeza e profundidade sentimental a uma agressividade sem controle. Isso é conflito! Graças a Deus existe a lei Maria da Penha porque tem coisas que não podem mais acontecer em nome do amor”.

Glamurama: Outra tônica na sua carreira é o primor em cenas de sexo extremamente fortes. Quando acontece algo como vazamento de fotos de um paparazzo clicando o set [em uma gravação externa] e mostrando a Grazi Massafera sem roupa em uma situação pra lá de picante… Isso ajuda, já que a expectativa do telespectador com a novela já começa lá no alto? Afinal é ninguém menos que a Grazi ali daquele jeito…

Mauro Mendonça Filho: “Por esse assunto não vou enveredar. É algo que está em uma esfera jurídica da empresa até. Estou juridicamente instruído a não me pronunciar e nem quero porque é um baixo astral. Isso já foi. Isso não tem nada a ver com sensualidade”.

Glamurama: A novela tem uma ótica feminina, certo?

Mauro Mendonça Filho. “Tem uma alma feminina mesmo. Existe um mundo masculino predominante, mas estou buscando toda minha veia feminina nesse trabalho, botando toda pra fora… Buscando um entendimento, sabe? Sou pai de três meninas. Se essa novela puder trazer algo de bom para que a condição da mulher no Brasil se torne mais igualitária, já estou fazendo um bem para as minhas filhas e para todas também”.

Glamurama: É muita responsabilidade assumir a faixa das nove agora que a emissora recuperou bons índices de audiência, depois de um tempo difícil nesse quesito?

Mauro Mendonça Filho: “É melhor do que pegar com o Ibope lá embaixo. Mas é um baita desafio: meu Deus, agora tenho que no mínimo manter. É uma responsabilidade enorme pessoal. Mas é um momento maravilhoso pra Globo, pra Gloria [Perez, autora de ‘A Força do Querer’], para o Papinha [Rogerio Gomes, diretor da trama]. Estou feliz por eles, amo os dois. E prefiro pegar assim”.