12.01.2019  /  8:00

Depois de passar 185 dias nos estúdios em 2018, Felipe Bronze começa o ano com mil projetos: “Tenho necessidade de fazer mais de uma coisa por vez”

Felipe Bronze, o chef estrelado da vez || Créditos: divulgação

Ele é o mais novo contratado da Record e chega à emissora com status de estrela de primeira grandeza. Felipe Bronze vai comandar o sucesso mundial “Top Chef”, mais uma reality gastronômico para a gente se deliciar. Mesmo com a alta demanda que as gravações, que começam em fevereiro, vão exigir, ele está prestes a inaugurar a unidade paulistana do restaurante Pipo e mantém seu trabalho à frente de três programas no GNT: “Perto do Fogo”, “Que Seja Doce” e “The Taste”. E quer saber? Ele ainda diz estar aberto para novas possibilidades. Ao papo! (por Fernanda Grilo)

Glamurama: O que o “Top Chef” vai propor de novo?
Felipe Bronze: O brasileiro, em si. Somos diferentes e temos essa questão emocional muito mais forte que em outros países, que tem muito respeito e tem uma atuação mais robótica. O “Top Chef” não segue um formato amarrado e único, pode rolar mais de uma eliminação em um programa, por exemplo. Tudo pode acontecer dentro das regras, o que deixa o programa eletrizante. Além disso, tem a questão do confinamento que dá uma pimentinha a mais. O brasileiro ama novela e reality show e produz esses dois formatos como ninguém, então isso faz com que as pessoas se identifiquem.

Glamurama: Como foi a aproximação com a Record?
Felipe Bronze: O Marcelo Silva, Vice-Presidente Artístico e de Programação da Record, frequenta meu restaurante há muitos anos e sempre disse que ia lá porque gostava muito da minha comida (isso na época em que eu estava no Fantástico), e falava em tom de brincadeira que um dia me levaria para a Record e eu respondia igualmente. O tempo passou e um dia ele: “Agora é sério. Você quer ter um programa na TV aberta?”, foi aí que percebi e respondi que sim. Logo marcamos um encontro e foi excepcional. No dia, ela me perguntou o que eu queria fazer e respondi que teríamos dois caminhos: criar um programa do zero e suar muito para dar certo ou trazer para o país o “Top Chef”. Na hora ele me mostrou uma pasta com esse projeto e contou que só compraria o formato se eu apresentasse. Não tive como negar, ele me colocou nessa roda e eu aceitei com muita satisfação. Esse encontro foi por volta de abril do ano passado e começamos as gravações agora em fevereiro. Muito rápido!

Glamurama: Como tem sido a sua atuação na produção do “Top Chef”?
Felipe Bronze: Tenho participado de toda a produção do programa ao lado do pessoal da Floresta, que é a produtora responsável. Sugeri o perfil dos participantes de forma geral, mas não atuei na escolha final. Pensa que poderei cruzar com alguém que trabalhei. Achei melhor ficar fora dessa seleção, pois terei que julgar os participantes e também não queria ficar bem com dois escolhidos e ruim com tantos outros, já que conheço muita gente nesse meio.

Glamurama: Quais os programas que vai manter no “GNT”? Como ficou sua relação com o canal ao fechar com a Record?
Felipe Bronze: Todos! O GNT é minha casa, adoro fazer os programas. São duas plataformas diferentes por onde vou caminhar. No início rolou um “poxa” sobre a minha ida para a Record, mas logo eles entenderam que era importante para mim e me deixaram à vontade para trabalhar nos dois canais. Quero manter essas parcerias por muito tempo.

Glamurama: Tem mais novidades para 2019?
Felipe Bronze: O que vai pintando eu avalio e vou fazendo… Tenho necessidade de fazer mais de uma coisa por vez. Estar entre São Paulo e Rio de Janeiro já faz parte da minha rotina há quatro anos e tenho conseguido administrar meu trabalho e família porque tenho uma equipe competente que toca os restaurantes, por exemplo. Dessa forma, não preciso estar no dia a dia deles e consigo gravar os programas e estar mais na parte criativa do Oro e do Pipo.

Glamurama: Você ficou conhecido no “Fantástico” como o Mago da Cozinha, mas conseguiu ampliar essa visão. Como foi esse processo?
Felipe Bronze: Não sei dizer porque na verdade os outros me viam dessa forma. Tenho 20 anos de carreira e na época que apareci no Fantástico (2012) já tinha quase metade da minha trajetória feita. Além disso, no início da carreira, eu trabalha em um restaurante com fogo na brasa. Sou um chef que foi para a TV, não ao contrário. O Fantástico não era de cozinhar, mas de espetáculo. A direção queria a magia e surpresa, então o nitrogênio funciona muito bem nesse contexto e nas cozinhas de alto nível ele é usado por ser um produto com muitos recursos. Eu uso o fogão e o nitrogênio com a mesma facilidade. Quando comprei o ORO, em 2010, quis resgatar o início da minha trajetória e, por isso, investi no cozimento na brasa e deu muito certo.

Glamurama: Qual a maior conquista até hoje como chef de cozinha?
Felipe Bronze: Não quero parecer piegas, mas acredito que estar na profissão há 20 anos e continuar em ascensão é o melhor. Estou abrindo um novo restaurante e com o mesmo tesão que tive no primeiro. Continuo criativo e me reinventando, mesmo nessa profissão que é cansativa. Na questão dos prêmios, me senti muito honrado com as duas estrelas que o Oro conquistou no Guia Michelin, além de estar listados entre os 100 melhores chefs do mundo. Não sei quem vota e quem me achou por lá, mas não tem como negar que é fantastico.

Glamurama: Por que decidiu fechar o restaurante Pipo do Rio?
Felipe Bronze: Não estava indo bem, na verdade. O restaurante ficava no bairro de São Conrado que está muito afetado pela violência. No ano passado, fecharam três hotéis, o que diminuiu muito o fluxo de pessoas que também estão com medo de andar pelas ruas à noite. Não estávamos tão mal, mas achei melhor não colocar energia em um espaço que estava sofrendo com essa nova realidade e decidi trazer para São Paulo.

Glamurama: O que o Pipo de São Paulo terá de diferente?
Felipe Bronze: Posso te dizer que 80% do que implantamos lá é novo. Os pratos serão todos preparados em um braseiro que tem mais de 5 metros de comprimento.

Glamurama: Comer em restaurante no Rio é caro?
Felipe Bronze: Preciso defender os chefs e restaurantes do Rio neste caso. Quando falamos do Rio de Janeiro, vale ressaltar que somos muito menores do que São Paulo e que os aluguéis são caríssimos. Para se ter uma ideia, seria impossível ter uma casa equivalente ao que vamos fazer em São Paulo por aqui. O Pipo será inaugurado na próxima semana no MIS que fica no Jardim Europa, bairro nobre da cidade.

Projeto do restaurante Pipo de SP || Créditos: Divulgação