Marcello Dantas || Créditos: Divulgação

Depois de Hebe Camargo e Ai Weiwei, Marcello Dantas se prepara para projeto gigante no Rock in Rio

15.05.2019  /  10:35

Marcello Dantas || Créditos: Divulgação

O curador e diretor artístico Marcello Dantas transita pelo mundo da arte – do erudito ao popular. A novidade agora é a curadoria de Nave, espaço no Rock in Rio com uma tela de projeção sensorial de 5 mil m² que pretende fazer o espectador repensar sua desconexão com a natureza, a humanidade e o próprio tempo.

Por Aline Vessoni para a Revista Poder

Marcello começou estudando diplomacia, depois migrou para história da arte e, na sequência, para o audiovisual. A carreira de mais de três décadas que se construiu a posteriori envolve uma trajetória multifacetada, de um artista que se considera curioso. Curiosidade esta que culminou com a idealização do Museu da Língua Portuguesa e Museu Catavento, que ocupam o topo do ranking brasileiro no que se refere à interatividade e inovação. “O não saber me motiva. Meu desejo na vida sempre foi o de contribuir criando linguagens. Eu sempre me interessei em estar em lugares cujos parâmetros de linguagem não estivessem criados”, conta Dantas, que já foi curador de exposições bastante diversas – de Ai Weiwei a Bill Viola, passando pela popular Hebe Camargo (Hebe Eterna, em cartaz até 2 de junho, no Farol Santander). “Estou sempre movido a me meter em territórios desconhecidos, e se eu não sei como resolver as equações, elas provavelmente valem a pena serem investigadas.” Por essa razão é que, apesar de parecerem diametralmente opostas, Hebe Camargo e Ai Weiwei não deixam de ter um caráter político: o chinês, com sua retórica sobre a pecha excludente da própria arte contemporânea, e a apresentadora, que, a sua maneira, conseguia questionar preconceitos sociais em um veículo de mídia de massa. Se com Hebe ele espera atrair um público que costumeiramente não vai a uma exposição e com Ai Weiwei a ideia é produzir uma linguagem mais inclusiva, para Dantas o que muda de um para o outro é a forma de contar, afinal, ele se considera um contador de histórias: “Eu só conto histórias, eu não sei inventar nada. Você me dá uma história e eu arrumo um jeito de contá-las para um público que não a conhecia”.

Aí vai um spoiler do próximo capítulo: o espaço da Natura no Rock in Rio Nave – Nosso Futuro é Agora vai colocar em pauta a desconexão da humanidade com a natureza, e com os seus pares, e vai criar a oportunidade de os participantes se ressincronizarem com o espaço e o tempo. Vale levar a reflexão de dentro da Nave para a vida.

Aqui, um pouco das preferências de Marcello Dantas:

CIDADE: uma para ser, São Paulo. Uma para olhar, Cape Town ARTE: a que me interessa é aquela que me causa dúvida: isso é arte? BRASIL: sou a pessoa menos nacionalista que existe, não defendo um conceito de nação. Sou terráqueo antes de ser brasileiro. O Brasil não está acima de todos.
POLÍTICA: um mal necessário FÉRIAS PERFEITAS: cozinhando UM ARTISTA: brasileiro, Cildo Meireles; estrangeiro: Bill Viola UM MUSEU: Museum of Old and New Art (Mona), na Tasmânia, Austrália LIVRO: The Language Instinct, de Steven Pinker.
HOBBY: passear em mercados de comida pelo mundo, dois em especial: La Boqueria, em Barcelona, e o Tsukiji, em Tóquio.
MÚSICA: Bobby McFerrin

Bobby McFerrin, La Boqueria e The Language Instinct || Créditos: Reprodução