15.01.2016  /  12:22

Debora Bloch reflete sobre vida, crise de relação e vizinhos. À entrevista

Mariana Lima, Emilio de Mello, Debora Bloch e Fernando Eiras em cena || Créditos: Divulgação Mariana Lima, Emilio de Mello, Debora Bloch e Fernando Eiras em cena || Créditos: Divulgação
Mariana Lima, Emilio de Mello, Debora Bloch e Fernando Eiras em cena || Créditos: Divulgação

Debora Bloch estreou – essa quinta-feira no Teatro Poeira, no Rio – “Os Realistas”, de Will Eno, peça que ela assitiu em Nova York e resolveu produzir por aqui. A atriz escolheu Guilherme Weber para dirigir. No elenco, também estão Mariana Lima, Emilio de Mello e Fernando Eiras. Na história, que oscila entre a comédia e o drama, dois casais de vizinhos bem diferentes, mas passando por momentos críticos no casamento – e encarando os problemas, inclusive de saúde, de formas distintas. Glamurama estava na plateia e recomenda. Aqui embaixo, nossa entrevista com Debora. Vem ler! (por Michelle Licory)

Glamurama: São casais bastante diferentes, mas os dois estão vivendo o desgaste da relação. Você acha inevitável um relacionamento chegar nesse estágio?

Debora Bloch: São as dificuldades de toda relação, de todo casamento. Sempre que você se relaciona com alguma profundidade, vai chegar nesse momento. A não ser que você se relacione superficialmente…

Glamurama: Quando tem um problema grave, você age de uma forma mais parecida com a sua personagem [Pônei], que não quer falar no assunto e desvia o foco, ou com a da Mariana [Julia], mais pé no chão, densa?

Debora Bloch: Sou mais densa, mas estou melhorando com o tempo. Sou bem realista, mas meu objetivo é ficar mais Pônei.

Glamurama: Essas grandes questões tratadas na peça, vida e morte, são temas que ocupam bastante a sua cabeça?

Debora Bloch: Acho que quando você perde alguém próximo, ou alguém fica doente, isso sempre te traz essas questões. Você se pergunta… E pensa: poderia ser comigo. A vida é um fio, tem que usufruir do presente porque não se sabe o dia de amanhã.

Glamurama: O que mais chamou sua atenção nesse espetáculo a ponto de fazer você querer produzi-lo? 

Debora Bloch: Amei o texto, feito para os atores jogarem… Bem original, junta humor com assuntos densos, bastante reflexão. Achei muito interessante e fiquei com essa vontade. A plateia ri pra caramba e, ao longo da peça, se emociona. Isso é muito bonito. É a coisa que mais gosto de fazer: transitar do humor ao drama.

Glamurama: Por que ficou tanto tempo longe dos palcos, desde “Brincando em Cima Daquilo” [2007/2008]?

Debora Bloch: Na verdade, é muito difícil encontrar um bom texto que valha a pena produzir porque está muito difícil produzir. Há três anos, escolhi uma peça, mas não consegui levantar a produção, aí descobri ‘Os Realistas’ e consegui produzir antes da outra…

Glamurama: Você produz teatro desde os anos 80. Hoje é mais fácil ou mais difícil? 

Debora Bloch: Está muito mais difícil. Tem menos gente investindo em teatro. Não temos um governo que valorize a cultura. É um item de última prioridade.  E agora estamos em uma recessão braba. Quem sofre com isso são as artes em geral.

Glamurama: Tem alguma história inusitada de vizinhos pra contar?  Como é a Debora como vizinha? 

Debora Bloch: Sempre acabo morando em prédios com vizinhos que já são amigos. Já morei no mesmo edifício do Lulu Santos, depois da Isabela Garcia, depois do Matheus Nachtergaele… Uma vez fiz uma festa para a minha filha, ela era pequenininha, o Matheus sentou com as crianças, assistiu ao teatrinho, foi muito engraçado. Agora moro no prédio do Luiz Fernando Guimarães e o Bruno Mazzeo também mudou pra lá. Tem o Moreno Veloso também… É ótimo. Sou uma boa vizinha, não encho o saco, não ligo pra ninguém. Faço festa, às vezes perturbo, mas mando uma cartinha: ‘Gente, é meu aniversário, desculpa, mas vamos comemorar’.

Emilio de Mello, Fernando Eiras, Debora Bloch, Guilherme Weber e Mariana Lima
Emilio de Mello, Fernando Eiras, Debora Bloch, Guilherme Weber e Mariana Lima depois da estreia || Créditos: Agnews