Philippine Leroy-Beaulieu em Emily in Paris. Divulgação/Netflix

Por que as comédias românticas utilizam mulheres empoderadas como “anti-heroínas”?

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Ao ouvir que é comédia romântica você já espera algo leve, que tire sorrisos e ocasionalmente algumas lágrimas, mas o fato é que essa estrutura ilude o telespectador. Uma questão que martela na mente feminina é: “Por que as comédias românticas utilizam mulheres empoderadas como as anti-heroínas das tramas”? A resposta está nos estereótipos reproduzidos e reforçados nas narrativas femininas no gênero da comédia.

[Alerta de spoiler]

Sylvie Grateau de “Emily in Paris”

Três personagens foram as causadoras dessa reflexão, a primeira foi a Sylvie Grateau de “Emily in Paris”. A chefe de Emily no Savoir, interpretada pela atriz francesa Philippine Leroy-Beaulieu, é de uma finesse, dona de diálogos profundos e seu humor áspero chama bastante atenção. A aversão da personagem principal em relação à chefe é motivo suficiente para o público torcer o nariz, mas as discussões propostas pelas personagens são muito valiosas e necessárias, já que expõe a visão feminina na publicidade, a quebra do padrão de rivalidade e a cultura do cancelamento. A série “Emily in Paris” está disponível na Netflix. 

Hannah Waddingham de Ted Lasso. Divulgação/Apple TV

Rebecca Welton em “Ted Lasso”

Rebecca Welton, a personagem de Hannah Waddingham em Ted Lasso, é colocada como a esposa estraga prazeres e vingativa que quer acabar com o que mais importa para o marido, já que ela está ressentida com as traições dele, mas Rebecca é empática, carinhosa, inteligente, linda, poderosa e o mais importante: dona do time do AFC Richmond. A personagem aborda temas como sexismo e machismo além de tirar várias risadas do público. Ted Lasso é uma série de sucesso da Apple Tv.

Georgia Miller de “Ginny & Georgia”

Georgia Miller, interpretada por Brianne Howey, é daquelas mães que fazem de tudo para os filhos (será que ela é inspirada em Cersei Lannister, uma das personagens principais de “Game of Thrones”?!), mas antes de ser mãe, ela tinha um passado e “que passado”. No desenrolar da narrativa da série “Ginny & Georgia”, o estereótipo de que mães são perfeitas é desmistificado por Georgia, pois suas ações não anulam o fatp dela ter sobrevivido a abusos, ser forte e calculist. O fato de não ser perfeita é o suficiente para a desconsideração dela como mãe na trama. A série “Ginny & Georgia” está disponível na Netflix.

Georgia Miller em Ginny & Georgia. Divulgação/Netflix

Ao retratar as mulheres independentes como realmente são, é não como “vilãs’, essa narrativa abala o patriarcado, empodera mulheres submissas, expõe o machismo e anula a necessidade da rivalidade feminina no roteiro.

Até quando viveremos com esses estereótipos de que as mulheres empoderadas são anti-heróis e que em todo filme a personagem principal precisa ser salva? Não é atoa que precisamos de mais séries e filmes, como: Fleabag, Cruella e The Marvelous Mrs. Maisel.

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