Lia Clark
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Lia Clark: “Sou a drag queen que faz funk, a primeira que fez”

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Lia Clark promete que 2022 será seu. Completando meia década de uma carreira consolidada, a artista, que tornou-se nacionalmente conhecida com o hit “Trava Trava”, em 2016, tem grandes planos para o ano que acaba de começar. “Acho que por tudo que passamos, agora estou mais esperançosa com o fim desse terror”, fala Lia em entrevista ao GLMRM. “Pensando na minha carreira, estou muito animada porque vou lançar meu próximo CD, que será dividido em duas partes, ‘Lia’ e ‘Clark’. É meu terceiro álbum de estúdio e um trabalho que tenho muito orgulho e satisfação. Me envolvi 100% em cada detalhe, vi tudo nascendo”.

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Prestes a voltar aos palcos na primeira edição do Marshmallow Festival, que acontece nesta sexta-feira, no Village Barra Funda, em São Paulo, Lia entrega que esse é um momento de voltar às origens. “Quero reviver os primeiros momentos da minha carreira e conseguir me reconectar com a Lia lá do início, com a afobação e alegria que ela tinha em estar fazendo música. Também estou 100% focada no funk, quero que as pessoas entendam, cada vez mais, que sou a Lia Clark, a drag que faz funk, a primeira que fez. Essa é a maior ideia do álbum” confessou a artista, que não falou sobre previsões de lançamento.

“Sou a Lia Clark, a drag que faz funk, a primeira que fez.”

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No Festival, que promete 12 horas consecutivas de shows, Lia se apresentará com artistas como Gloria Groove, Lexa, Pocah e Pepita para promover a diversidade. Mas, se hoje, o tema está mais do que em pauta, há pouco tempo atrás, o cenário não era o mesmo. “Lembro de assistir TV na minha infância e adolescência e não me reconhecer nas pessoas que estavam ali. Não via ninguém igual a mim, alguém para quem eu pudesse olhar e dizer ‘também posso’. Por isso, hoje, fico muito feliz quando falam que sou referência, porque comecei do nada e sempre sonhei em trabalhar com música, mas nunca imaginei que seria possível, ainda mais como drag”, relembra Lia que acrescenta: “É muito gratificante saber que, além de ter conseguido, inspiro outras pessoas a acreditarem em seus sonhos. Tenho certeza que muitos me olham e pensam ‘se a Lia está ali, eu também consigo'”.

As referências de Lia Clark

“Como não tinha referências de uma gay pobre e preta como eu, as minhas referências foram mulheres. Sempre falo que a maior de todas, para mim, foi a Valesca (Popozuda). Ela marcou muito a minha infância e “Gaiola das Popozudas” é, com certeza, uma das maiores girls’ band. A ascensão da Anitta e Ludmilla também me inspiraram muito, assim como o “Bonde das Maravilhas”. Adorava acompanhar também as mulheres frutas [risos]. Pode ser engraçado falar isso hoje, mas elas realmente fizeram parte do que peguei para me transformar na Lia Clark. E, claro, as divas internacionais. Se não fosse a Britney Spears, por exemplo, eu não teria esse amor todo pelo mundo da música. Nicki Minaj também foi uma grande referência.”

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A arte drag ainda é marginalizada?

“Acho que as pessoas estão começando a ver drags e pessoas LGBTQIA+ como artistas grandes, não só “nichados” para um público específico ou enfurnado em uma boate. Finalmente, estão conseguindo enxergar a grandeza dessa arte e onde ela pode chegar. Ver a Gloria Groove ganhando o “Show dos Famosos”, no Domingão [Rede Globo], para mim, para artistas LGBTQIA+ e para as drags, é um marco, porque ela realmente mostrou como somos plurais. Não é só bate-cabelo, humor ou hostess de balada. A gente pode, sim, ganhar um programa da maior TV aberta do país, pode estrelar um reality show, pode ser uma das artistas mais ouvidas do país, como a Pabllo Vittar, pode fazer funk, como a Lia Clark, pode ser esperta e dar aula, como a Rita von Hunty. As pessoas estão começando a entender isso. Infelizmente existe uma parcela, uma grande parcela, da nossa sociedade que ainda tem um bloqueio e que é preconceituosa. Existe essa barreira, mas estamos quebrando-a aos poucos. O preconceito não acabou”.

Os truques de moda e beleza de Lia Clark

“Minha relação com a moda é recente, não vou mentir. Quando comecei a fazer sucesso, não ligava muito. Se precisava gravar um clipe, era ‘vamos ali no shopping, comprar alguma coisa’. Nessa pausa que a pandemia nos obrigou a ter, comecei a repensar muitas coisas sobre a minha carreira e passei a sentir falta de uma pessoa para cuidar dos meus looks. Não sou uma pessoa fascinada pelo universo fashion e não tenho um olhar treinado para a moda. Por isso, precisava de uma pessoa com essas características ao meu lado. Então, nos meus últimos trabalhos tenho contado com a ajuda do stylist Leonardo Garcia. Já beleza, eu amo cuidar da minha pele. Uso muita maquiagem e tenho um pouquinho de pelo no rosto, então usar lâmina é inevitável, o que acaba dando uma prejudicada. Lavo sempre o rosto com sabonete e hidrato todos os dias”.

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