Hunter Schafer
Hunter Schafer em Euphoria como Jules. Foto: Divulgação/HBO

Hunter Schafer e MJ Rodriguez no caminho da ascensão trans em Hollywood

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Se Hunter Schafer brilha hoje nas telinhas, na segunda temporada de “Euphoria”, é porque lá atrás alguém pavimentou o caminho para que uma atriz trans protagonizasse uma série de sucesso. O mesmo se aplica a MJ Rodriguez, que, este ano, se tornou a primeira atriz trans a ganhar um Globo de Ouro. Afinal, se por um lado, histórias de pessoas transexuais nunca faltaram nas telonas de Hollywood – quem assistiu “Clube de Compras Dallas”, “Garota Dinamarquesa” e “Boys don’t Cry” por aí? – por outro, a representatividade tem um histórico que deixa a desejar.

MJ Rodriguez em “Pose”. Divulgação: Netflix

Apesar de adorar uma narrativa trans, Hollywood demonstra tal adoração pelos atores cisgêneros que a indústria quase sempre insiste em colocá-los para interpretar papéis trans. Indo na contramão do sistema, nos últimos anos alguns nomes têm levantando a bandeira e cumprido com a missão que é representar a comunidade nas telonas. Entre eles, Laverne Cox é apontada como uma das grandes pioneiras.

Desde seu papel como Sophia Burset, em “Orange is the New Black”, de 2013, até sua capa da revista Time, que impulsionou a visibilidade trans e gerou uma discussão a nível mundial, Cox tem sido referência. Em 2014, ela se consagrou como a primeira atriz transexual a ser indicada ao Emmy. Desde então, Laverne abre portas para muitos a seguirem, levando conscientização à comunidade artística sobre a importância de sua luta enquanto uma mulher negra e trans.

Laverne Cox em “Orange is the New Black”. Divulgação Netflix

Além de Laverne, Trace Lyssette é outro nome que deve ser honrado. A atriz que conquistou o coração do público em “Law & Order: Special Crimes Unit”, viu sua fama ganhar outras proporções como a Shea da série “Transparente”, da Amazon, em 2014. No final, o que era para ser apenas uma participação pontual acabou se tornando papel fixo na trama, graças, é claro, ao talento e carisma inegáveis de Trace.

Brian Michael Smith, da aclamada série dramática “Queen Sugar”, Amiyah Scott, da série “Star”, da Fox, Tom Phelan, o Colen de “The Fosters”, e Angelica Ross, a protagonista de “Her Story”, são alguns dos nomes que também estão construindo seu caminho na milionária indústria cinematográfica. Mas será que já podemos falar que chegamos lá?

Em entrevista ao portal de notícias sobre cinema IndieWire, Trace falou: “É uma coisa estranha quando você anda pela rua e as pessoas chegam até você com lágrimas nos olhos em relação ao seu trabalho e dizendo o quanto sua representação significa para elas. E então você olha para a sua conta bancária e pensa ‘o que está acontecendo?’ Não está somando, literalmente. É meio vergonhoso dizer isso, mas é muito revelador do quão difícil é ser uma mulher trans neste setor”.

Representatividade trans nas telinhas brasileiras

Se em Hollyood, o número de artistas trans em destaque já somam as dezenas, no Brasil, o país que mais mata transexuais no mundo, caminhamos a passos lentos. Para se ter uma ideia, foi só em 2019 que uma mulher trans conseguiu vencer na tradicional premiação Melhores do Ano, do Domingão do Faustão. O prêmio foi conquistado por Glamour Garcia, que interpretou Britney na novela “A Dona do Pedaço”.

Glamour Garcia em “A Dona do pedaço”. Foto: Globo/João Miguel Júnior

Emocionada, a atriz recebeu o prêmio e discursou: “É essencial que estejamos aqui. Afinal, nós não somos só atrizes, mas pessoas, e estamos aqui com a nossa arte. Infelizmente, a expectativa de vida das pessoas trans é muito curta. Nós somos violentadas e assassinadas e acho que estar aqui, junto com a Nany [People], é uma prova de que somos capazes. Nós ocupamos nosso espaço e tenho muito orgulho de ser atriz e estar aqui hoje.”

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