Studio SP
Foto: Divulgação/Francio de Holanda

Alê Youssef retoma projeto do icônico Studio SP, no Baixo Augusta, e promete movimentar a cena musical da cidade

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Localizado no Baixo Augusta, o Studio SP, que fechou as portas em 2013, volta a movimentar a agitada cena musical em São Paulo. Deixando os apaixonados por shows e encontros entusiasmados, o projeto musical, elaborado pelo gestor cultural Alê Youssef retorna em uma iniciativa temporária, com programação prevista até dezembro de 2022. Antes de receber seu primeiro público, GLMRM visitou a casa, que recebe os últimos detalhes da obra para encarar seu primeiro show no dia próximo 19 de novembro.

Ale Youssef em frente a nova fachada do Studio SP com obra do artista GG Learte. Foto: Francio de Holanda

O local com cenografia assinada por Zé Carratu eterniza memórias na ambientação com grafites e Lambes (retrato da arte urbana da capital paulista) e retorna ao papel de “padrinho” da cena musical, já que no passado foi uma plataforma de lançamento de grandes artistas.

Memórias

“O fato do Studio ter tido uma relação muito intensa com a cena musical de quando ele existiu acaba ajudando nesse papel de ser um dos símbolos dessa retomada dois anos após a pandemia e de 10 anos atrás quando o Studio fechou”, entregaYoussef, que divide a administração do empreendimento com os empresários Alê Natacci, que também é presidente do Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, e Ronaldo Lemos, apresentador do programa “Expresso Futuro”.

Inclusive, no mezanino do local, há um espaço dedicado para um dos blocos mais relevantes da cidade. Com neon vermelho escrito “arte é ocupar”, as fotos em preto e branco exibem momentos do Carnaval paulista. Outros dois detalhes interessantes da casa são: a intervenção do antropólogo Hermano Vianna logo na entrada que diz que o Studio SP é muito mais que uma casa noturna, e a foto de Maurizio Longobardi, que faleceu em 2020, por complicações de um câncer no pâncreas.

“Esse espaço marcou muito a cidade, minha vida e trajetória. Também é uma memória do meu sócio que morreu, Maurizio Longobardi, com quem fiz esse projeto.”

Alê Youssef, que colocou eternizou a memória do sócio ao colocar uma foto dele na entrada da casa de shows

Programação intensa

Antes de apresentar as novas potências musicais, a casa irá relembrar os bons tempos, com shows de Céu, Bixiga 70, Chico Chico, André Frateschi, KL Jay, Miranda Kassin, entre outros, que, inclusive, estampam um ambiente do espaço com pôsteres antigos. “A programação inicial representa muita coisa. A Céu é a Céu, lançou o primeiro disco na casa há 15 anos. KL Jay é um personagem muito presente na nossa história, no Dia da Consciência Negra, representando toda cena do hip hop e da potência que ele tem. O Otto, representante da cena de Pernambuco que é absolutamente ligada à história da casa. Tem todo um grupo de artistas dessa primeira leva de programação muito forte, interessante e representativa”, diz Youssef.

O projeto do novo Studio SP retoma também uma ideia antiga. “Temos o projeto Cedo e Sentado que volta para apresentar shows gratuitos com artistas e bandas novas para formar público. Por isso, fazemos um leque de estilos e artistas variados”.

Foto: Francio de Holanda

Localização

Quem passa pela Augusta, que sofreu uma invasão das placas de “aluga-se” durante a pandemia, já pode conferir a fachada do lugar com pixos do GG Laerte, que também assinou a ‘pixação’ do primeiro ambiente do Studio SP. “Muito legal a gente conseguir exercer um papel de resistência e contenção na especulação imobiliária que assola territórios culturais da cidade tradicionalmente. A própria história de virmos para cá e conseguirmos impedir que o galpão tradicional fosse vendido. Ver que há dois meses para agora vimos várias placas de aluga-se sendo derrubadas para empreendedores da economia criativa ocuparem esses espaços, isso é muito legal, muito forte”, declara Ale.

“A Augusta é um fenômeno a ser estudado porque consegue se reinventar de diversas formas, em diversos períodos históricos, e permanece um dos pontos de socialização mais importantes da cidade. Isso ocorre desde o pós-guerra, a jovem guarda, passando pela época em que a Augusta era regada de neons pegando o movimento do tropicalismo, da cena clubber, underground e da cultura alternativa.

Alê Youssef

Além do Studio SP e de outros locais culturais, a região ganhou também o Parque Augusta, um ambiente de lazer no meio da cidade. “Não se faz cultura apenas com um espaço ou com uma cena, se faz com território também, um local efervescente, local do encontro, da ocupação que é nossa história muito bem escrita pelos Acadêmicos do Baixo Augusta”, diz. “Estou enxergando no local a mesma vitalidade de sempre que a Augusta volta e volta com tudo”, finaliza Youssef.

Foto: Francio de Holanda
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