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Cabelo Joãozinho

Depois de mais de um ano de isolamento social as propostas novas de estilo com um ar mais desconstruído, menos montado e – por que não? – mais rebelde estão com tudo. Para adiantar as novidades 0 hairstylist Neandro Ferreira, expert em tendências e corte entrega: “O poder agora está nos curtos!”

Beleza empoderada

“As pessoas estão cortando o cabelo como nunca”, revela Neandro, ao afirmar que a tendência é uma influência do movimento feminista. “Antes, existia a concepção de que o cabelo feminino tinha que ser longo, uma ideia bem machista e uma referência muito clara às mulheres da Bíblia. Quando voltei ao Brasil, na década de 1990, depois de uma temporada em Londres, ouvia muito das minhas clientes que o marido ou namorado preferiam cabelos desse ou daquele jeito. Hoje em dia, é raro ouvir isso, principalmente entre as jovens de 18 a 30 anos. As mulheres não se importam mais com isso. O que vale é o que elas querem e todo mundo gosta de um cabelo bem cortado”, conta.

Com as redes sociais, o movimento feminista ganhou ainda mais força nos levando a repensar e questionar inúmeros hábitos, comportamentos e terminologias que até então eram rotineiros. Na moda e na beleza também não foi diferente e o famoso corte “joãozinho” passou a ser chamado de “pixie”. Ponto para a conscientização! “Joãozinho é um nome machista que não combina mais com a mulher moderna. O termo foi criado no Brasil nos anos 1960 pela sociedade extremamente patriarcal da época, mas no mundo todo o nome sempre foi pixie, que remete à personagem Sininho de ‘Peter Pan’, ou seja, uma estética delicada e feminina. Mas, por aqui, colocaram esse nome justamente para dar a entender que a mulher que corta seus fios muito curtos fica com cara de homem”, explica o cabeleireiro.

Alerta Tendências

Uma onda fortíssima que está fazendo a cabeça de muitas mulheres é a franja. “Para o seu próximo trabalho como protagonista, a atriz Andréia Horta, que é uma lançadora de tendências que corto sempre, está de franja, que segue em evidência, seja ela reta, gráfica, irregular ou cortininha. É uma tendência que vem do movimento rock ‘n roll, dos anos 1970. Quanto mais rebelde, desconectada e desconstruída mais legal, pois ela dá textura ao visual, traz aquele ar de quem não passou pelo salão de beleza, é mais casual e natural”.

E está aí outra palavra que está em alta: naturalidade! “Por muito tempo rolou essa questão da perfeição, do padrão Gisele Bündchen que dominou os últimos 20 anos. Agora, entrando na década de 2020, a terceira do século, as pessoas cansaram disso. As mulheres não querem mais ter aquela cara de Barbie ou princesa. A ostentação caiu por terra e o look ‘montação’ não é mais a realidade. Hoje, está ‘tudo bem’ ter o nariz grande, os dentes amarelos ou separados, cabelo branco e ruga, ser gorda ou magra, preta, branca ou amarela. A tendência é essa e que bom. O ideal da mulher perfeita afetou muito o psicológico da sociedade e levou pessoas à loucura com incontáveis procedimentos estéticos e cirurgias plásticas. A moda reflete muito o momento atual, o cenário político, e esse é o sentimento da vez. Todos e todas vão ter seu lugar na cena da beleza, todo mundo pode ser bonita do jeito que é”, conclui Neandro.

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