15.09.2020  /  15:45

Conhece Pedroca Monteiro? A mininovela criada por ele é hit do Instagram e ganhou fãs famosos, como Caetano e Selton Mello: “Fiz isso para me salvar”

Pedroca Monteiro e mininovela com efeitos de Instagram e Snapchat / Crédito: Instagram

Quer assistir um artista criativo nessa quarentena? Então conecte-se a Pedroca Monteiro, conhecido no Instagram como Pedroca Pedroca, que tem feito o maior sucesso com uma mininovela virtual, produzida de maneira improvisada usando basicamente os filtros do Snapchat para caracterizar cada personagem. E saiba que o humorista carioca começou a fazer sua mininovela aos poucos, quando se sentia angustiado com o isolamento social. “No começo da quarentena estava bem triste por passar o tempo todo em casa. Comecei a brincar com os filtros do Instagram e do Snapchat todos os dias quando acordava”, conta em entrevista ao Glamurama.

Com a repercussão, Pedroca decidiu recuperar dois personagens seus: Ivanildo e Letícia, e a história passou a se desenrolar diariamente, sem roteiro e da maneira mais livre possível: “Tenho ideias anotadas para onde a história vai, mas fico mais no feeling mesmo”, revela o ator, que aos 38 anos viu suas redes sociais bombarem de anônimos e famosos que acompanham dia a dia a trama, entre eles Caetano Veloso, Paulo Gustavo, Selton Mello, Moniza Iozzi, Otto, Gringo Cardia, só para citar alguns. E não para por aí! A música ‘Solidão Galopante’ – cantada por outra personagem importante no universo de Pedroca, a cantora Carol Letícia – virou hit, foi regravada até por Lulu Santos e chegou ao Spotify: “É uma emoção muito grande ver as pessoas mandando vídeos cantando ‘Solidão Galopante’”, comemora ele.

A seguir, confira a nossa entrevista com Pedroca Monteiro e sua mente hiper criativa e, em época de reprises, assista uma novela totalmente nova, original e para lá de divertida. (por Jaqueline Cornachioni)

G: Quando foi que surgiu a ideia de criar uma mininovela?
PM
: Ela apareceu gradativamente. No começo da quarentena estava bem triste por passar o tempo todo em casa, sem encontrar os amigos. Sou um cara da rua, então senti o peso disso tudo. Foi aí que comecei a brincar com os filtros do Instagram e do Snapchat quando acordava. Fazia isso para me divertir, mas as pessoas começaram a dar ideia, curtir e compartilhar. Então voltei com personagens que já tinha criado, como o Ivanildo e a Letícia. Senti, a partir disso, que o meu Instagram havia virado um ponto de encontro de pessoas queridas. Quando percebi, a mininovela estava lá e as pessoas pediam novos capítulos. Fiz isso para me salvar de alguma maneira, mas acabou ajudando os outros também.

G: Então podemos dizer que a mininovela é uma válvula de escape para esses dias difíceis?
PM
: Com certeza, fiz para mudar os meus dias. Acordava angustiado, triste, perdido e com muito medo de tudo o que estava acontecendo. Então, quando pegava o celular era um momento bom em que me desconectava das notícias e tentava me divertir um pouco.

G: Atualmente, você segue algum roteiro para seguir?
PM
: Tenho ideias anotadas para onde a história vai, mas fico mais no feeling mesmo. A mininovela é mais do que uma obra aberta, é um lugar de manifesto. Então sempre tem a ver com o que estou vivendo, com as emoções do momento. Às vezes assisto um filme e vou gravar logo em seguida, então o vídeo tem aquela energia. Deixo muito solto. Estou nesse exercício de me abrir cada vez mais, de criar outros personagens e isso é um prazer para mim.

G: Imaginou que faria tanto sucesso?
PM
: Fiquei muito surpreso e fico até hoje. É uma emoção grande ver as pessoas mandando vídeos cantando ‘Solidão Galopante’. Muitas pessoas regravaram, desde artistas famosos que admiro muito, até pessoas desconhecidas que, por causa disso, acabo trocando ideia. As pessoas gostam, se divertem, e isso me deixa feliz.

G: Sua relação com as redes sociais veio para ficar? Pretende, mesmo após a pandemia, seguir com a mininovela?
PM
: Pretendo continuar ativo na rede social e fazendo a mininovela, mas não gostaria que isso fosse uma cobrança. Esse é um lugar para me expressar e falar sobre vários assuntos. A internet, quando usada de maneira saudável, pode nos ajudar muito e trabalhar a nosso favor. Talvez eu precise de uma pausa entre uma temporada da mininovela e outra, mas a ideia é manter.

G: Como é fazer humor em um mundo tão cheio de problemas?
PM
: Fazer humor é a única solução para a minha existência, o único jeito de passar por tudo isso.  Sem ele já estava pirado. O humor é uma linda ferramenta de mudança.

G: Você se inspira em alguém para fazer os personagens?
PM
: Não penso em alguém específico, mas eles não surgem do nada. Meus personagens estão todos dentro de mim através das pessoas que observo desde criança, como amigos, vizinhos e família.

Glamurama: Como a pandemia impactou seu trabalho? Precisou deixar projetos de lado por conta disso?
PM
: Na verdade todos os projetos pararam. Quando começou a pandemia estava em cartaz com a peça “Simples Assim”. Além disso, estávamos gravando o ‘Fora de Hora’ e outros projetos como o ‘Vai que Cola’.  Inclusive, no dia 13 de março, quando começou a quarentena, eu tinha show, peça de teatro e gravações para fazer, mas acabei não fazendo nada.

G: Como tem sido a sua rotina nessa quarentena?
PM
: Uma loucura. Já passei por todos os momentos: cozinhei, tomei bastante sol e fiz a mininovela. Agora as coisas estão se transformando. Já voltei a trabalhar em alguns projetos, como o ‘Vai Que Cola’, também gravei o especial de Natal do Porta dos Fundos e tenho visitado a minha mãe esporadicamente. Só não estou indo muito para atividades de lazer, por respeito. Ainda estou com medo e precisamos cuidar uns dos outros.