Barbie
Divulgação/Mattel

A nova Barbie: como a boneca que foi símbolo de padrão inalcançável de beleza se tornou mais inclusiva

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Nunca um brinquedo refletiu tão bem o comportamento de uma época tanto quanto a Barbie, uma boneca que retratou mudanças culturais e comportamentais durante praticamente seis décadas, desde seu lançamento, em 9 de março de 1959.

A Barbie é um sucesso consolidado, tanto em vendas, sendo a boneca mais vendida do mundo – 120 milhões de exemplares a cada ano, o equivalente a duas Barbies vendidas por segundo – quanto em popularidade, afinal, ela é a queridinha de crianças e adultos colecionadores do mundo todo.

Além de rica, bonita, famosa, inteligente, ativa e sempre na moda, a boneca ainda tem “o namorado ideal” e é rodeada de muitos amigos que a adoram. Ou seja, o mundo Barbie é perfeito e como diz o slogan da boneca: ela é “tudo o que você quer ser!”

Porém, esse conto de fadas está prestes a tomar um rumo diferente. A Warner Bros. divulgou que lançará, em 2023, um filme sobre a boneca que terá Margot Robbie como protagonista e Ryan Gosling como seu namorado, Ken. No enredo do longa, a boneca descobre que não consegue se encaixar nos padrões da “Barbieland”, é expulsa e parte para uma aventura no “mundo real”, e lá descobre muitas coisas sobre si e sobre “padrões de beleza”. O filme promete ressignificar portanto, o padrão Barbie que conhecíamos até então.

Divulgação/Mattel

Novos tempos pedem mudanças

Em 1997, a Mattel, responsável pela fabricação do brinquedo, já havia lançado a versão cadeirante da Becky, amiga da Barbie, mas a boneca deixou de ser fabricada porque o universo Barbie ainda não estava preparado para uma PCD (pessoa com deficiência) – a cadeira de rodas da Becky não passava pelas portas, nem entrava no elevador da casa da Barbie, mostrando que, assim como na vida real, não basta respeitar o diferente, é preciso preparar todo o entorno para incluí-lo.

Após reproduzir durante tanto tempo uma aparência que não representa a diversidade da sociedade, o que inclui sugerir padrões inatingíveis de beleza para meninas, a Mattel resolveu inovar e lançar uma nova linha de Barbies. Além de dar uma rampa à DreamHouse, acessório que poderá ser comprado separadamente.

“Ter uma deficiência não é necessariamente ruim e as crianças precisam saber disso também!”, disse a criadora de conteúdo digital e jornalista e PCD, Ana Clara Moniz (@_anaclarabm) em um vídeo publicado em seu perfil.

Segundo a fabricante, a intenção agora é “mostrar uma visão multidimensional da beleza e da moda.”

Ao todo, a coleção Barbie Fashionistas conta com 176 bonecas com nove tipos de corpos, 35 tons de pele e 94 estilos de cabelo – considerada a linha mais diversa da Mattel.

Ainda sobre a experiência PCD, Moniz falou ainda sobre a importância de ter pessoas com deficiência sendo representadas em brinquedos e bonecos: “Não traz só a representatividade, que também não é pouca coisa, mas traz a naturalidade para crianças sem deficiência poderem, desde a infância, aprender sobre as deficiências de forma natural.”

Divulgação/Mattel

Linha do tempo

1959: Nasce a Barbie, Bárbara Millicent Robert, em Willows, Wisconsin. Sua primeira versão foi usando o famoso maiô listrado em preto e branco, tipico dos anos 50.

1980: Foi um ano marcante para a Barbie, pois ela ganhou sua primeira versão negra.

2016: Em sua mais recente transformação, Barbie ganhou três novos tipos de corpos (Petite, Curvy e Tall, além do Classic), sete tons de pele, 22 cores de olhos, 24 penteados e incontáveis acessórios inspirados nas tendências da moda.

Em toda sua trajetória, a boneca já teve mais de 180 profissões, foi vestida por mais de 75 marcas relevantes, como Chanel e Dior, e homenageou várias figuras femininas importantes, entre elas Marilyn Monroe, Madonna, Audrey Hepburn, Frida Kahlo, Chiara Ferragni e Zendaya.

A última mulher a ser homenageada foi a atriz Laverne Cox (Sophia Burse de “Orange is the New Black”), a primeira mulher trans a ganhar sua versão da boneca. A edição faz parte da linha especial “Collection Tribute”, lançada no último dia 26 de maio – data que também marcou a comemoração do aniversário de 50 anos de Laverne.

História

Barbie foi encomendada para o designer Jack Ryan em 1958, após Ruth Handler, esposa de Elliot Handler, fundador da empresa Mattel, ter a ideia de fabricar a boneca adulta. Ruth era mãe de três filhos, Ken, Skipper e Bárbara, que deram os nomes para os bonecos: Barbie, diminutivo de Barbara, Ken seria o namorado da boneca e Skipper, a irmã.

Barbie foi oficialmente lançada na Feira Anual de Brinquedos de Nova York, em 9 de março de 1959. A boneca foi apresentada como modelo teenager vestida de acordo com a moda, sua marca oficial.

Símbolo de sucesso, beleza e juventude, em sua primeira versão a boneca era loura e vestia um maiô listrado em preto e branco. Com corpo de manequim, pernas longas, seios fartos e cintura fina, nascia a boneca com medidas perfeitas para os seus 29 cm.

Sendo sinônimo de beleza e moda, ela já trazia assessórios e roupas que podiam ser trocadas. Suas roupas sempre andaram de acordo com a moda desses 57 anos, ou seja, a Barbie sempre esteve atualizada nas últimas tendências desse universo.

Cinquenta e sete anos depois, a Barbie teve que se reinventar, já que padrões rígidos de beleza não têm mais lugar em nossa sociedade. Entendemos que a beleza é diversa e subjetiva e, por essa razão, Barbie segue ganhando cada vez mais versões diferentes, na tentativa de representar a pluralidade e poesia do corpo e estilo femininos.

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