Gen Creeate
Reprodução/Unsplash

Conheça a Gen Create, uma geração marcada pelo apetite criativo

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Leitor, leitora, leitore, você tem acompanhado a nova temporada de Masterchef? Se sim, deve conhecer a paulistana e skatista Daphne Sonnenschein, competidora de 19 anos que é sempre avaliada como um dos nomes mais fortes da temporada, e que tem como marca uma preferência/necessidade quase que petulante de sempre criar pratos “fora da casinha”. Tanto Daphne quanto Eduardo Prado, com a mesma idade, seu colega ex-Masterchef Jr. que também integra esta edição com bastante destaque, fazem parte de uma geração que usa a criatividade mais do que qualquer outra até agora. Pelo menos é o que afirma a Adobe em uma nova pesquisa realizada em parceria com a The Harris Poll, que entrevistou mais de cinco mil jovens pelos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Alemanha e Austrália. 

O estudo parte da demanda de uma melhor compreensão sobre estes jovens que cresceram em um período de acentuada descentralização das ferramentas e técnicas de criação de conteúdo, que estão cada vez mais acessíveis e sofisticadas. O apetite criativo em que esse contexto resulta e marca a geração deu origem ao termo Gen Create – Geração da Criação em tradução livre. 

Ao entrevistarem todas as gerações sobre as atividades, comportamentos e condições que ajudam atingir o pico de criatividade, foi observado que a Gen Create é única e tem uma consciência maior sobre seu potencial criativo. Segundo o estudo, enquanto 44% das pessoas com mais de 24 anos se consideram criativas, o percentual de todos os membros da Gen Create, que assim se consideram, é de 56%.

Parte da sua especificidade criativa está atrelada ao fato de serem mais propensos a concordar que tanto as redes sociais quanto o ativismo social os tornam mais criativos. A maioria dos Gen Create (56%) concorda que o ativismo social é a questão mais importante para eles, em comparação com 47% das pessoas com mais de 24 anos que compartilham desta opinião. A Gen Create também tem maior probabilidade em afirmar que o trabalho de caridade os torna mais criativos (50% vs. 39%). Além disso, 47% deles afirmam que verificar as mídias sociais os torna mais criativos, em comparação com apenas 30% das pessoas com mais de 24 anos.

Quando se trata de hábitos, ouvir música e cozinhar são as principais atividades que aguçam a criatividade de todas as pessoas pesquisadas, mas em uma propensão muito maior para esta geração, sendo a música pop a número um em termos de criatividade. 

Para alguns ouvidos, nenhuma dessas características pode soar como diferente de qualquer outra geração e, sim, muito própria ao contexto dessa fase da vida. Porém, é importante destacar que essa juventude carrega características bem particulares em relação a outras do passado. A busca pela verdade desde a sua raiz, seja no aspecto da expressão da sua verdade individual, na conexão e compreensão de diferentes verdades e de uma perspectiva mais realista do mundo atravessam fortemente a sua aplicação criativa no mundo.

Pragmáticos e analíticos

Segundo pesquisa realizada pela Box1824 em parceria com a McKinsey, em razão da enorme quantidade de informações à sua disposição, os jovens da geração Z tendem ao autodidatismo e a serem mais pragmáticos e analíticos ao tomarem decisões. “Trata-se de uma geração que cresceu em um momento de estresse econômico mundial, testemunhou conflitos globais e viu o Brasil passar pela maior recessão da história. Os desafios que viveram os tornaram menos idealistas do que os millennials”. 

Deprogramadores

No encontro dessa efervescência criativa com essa perspectiva sobre o mundo, estão os jovens considerados pela consultoria LSN Global como Deprogramadores. Rejeitando a educação tradicional, esta comunidade jovem global está usando plataformas digitais, ferramentas virtuais e conteúdo DIY para se educar, ensinar e se libertar. Hiper-autoconscientes e cientes dos privilégios, são ideologicamente movidos pelo cenário político, econômico e social global cada vez mais instável, têm uma compreensão clara de seu papel no mundo e do impacto que desejam causar.

Usando ferramentas digitais, eles estão transformando as definições de ativismo, comunidade e conexão. Dentre os jovens citados e entrevistados pela consultoria está Audino Vilão, que faz um belíssimo trabalho compartilhando o seu conhecimento sobre filosofia de forma mais acessível e que também é colunista aqui no Glamurama

Outro exemplo dos feitos desta geração criativa sobre os desconfortos com o contexto em que vivem, são os jovens que, cansados de aplicativos de mensagens que reduzem suas amizades a uma série de bolhas de texto, desenharam novas maneiras de comunicação. Veja alguns exemplos:

Honk: Pensado para a economia da atenção

Foto: Divulgação/ Honk / App Store

Honk é projetado para mensagens em tempo real, então os usuários devem estar online ao mesmo tempo: o aplicativo não tem botão para enviar, nem histórico de bate-papo, o que significa que não há outra possibilidade para os contatos a não ser interagir uns com os outros ao vivo, no momento. 

Muze: pensado para colaboração

Foto: Divulgação/ Honk / App Store

Muze é um aplicativo que repensa as mensagens criando uma tela em branco para a expressão criativa. Criado por três universitários, a experiência livre transforma conversas regulares com amigos em algo que reflete um projeto de arte colaborativo. Com total controle criativo sobre a experiência do aplicativo, os usuários podem escrever, desenhar e adicionar imagens e vídeos como desejarem, transformando o que antes era uma caixa de bate-papo tradicional em uma colagem visual.

Victor Brandão é bacharel em comunicação social e especialista em Cultura Material e Consumo na perspectiva semiopsicanalítica pela Escola de Comunicação e Artes da USP. Trabalha com pesquisas de comportamento e estratégias de comunicação, marcas e negócios.

oi@vicbrandao.com
linkedin.com/in/vicbrandao/

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