Claudia Abreu brilha no teatro em “Pi-Panorâmica Insana”: “Não é só diversão, mas reflexão”

14.07.2018  /  9:00

Claudia Abreu em cena na peça “Pi – Panorâmica Insana” // Divulgação

Aos 16 anos, Cláudia Abreu subiu ao palco do Tablado, no Rio, para interpretar Wendla Bergman, personagem de “O Despertar da Primavera”, de Frank Wedekind. “Foi definitivo”, lembra a atriz, hoje com 47. “Virou um hit entre os adolescentes na época. Por causa dessa peça, me chamaram para fazer televisão”, recorda.

Dona de personagens célebres em novelas, como a vilã Laura, de “Celebridade” (2003), e a amalucada Chayene, de “Cheias de Charme” (2012), Cláudia volta ao teatro adulto depois de quase 20 anos – a última peça foi em 1999. Ela está na montagem de “Pi – Panorâmica Insana”, que fica em cartaz em São Paulo, no Teatro Novo, até 29 de julho, com direção de Bia Lessa. Mas como é possível ficar tanto tempo longe do teatro? Ela não esconde o desconforto com a ideia.

“É uma pena que as pessoas não deem valor às duas temporadas de “Pluft, o Fantasminha”, afirma. Cláudia montou, em 2003 e 2013, duas premiadas montagens da peça clássica de Maria Clara Machado. “Tive uma filha e quis fazer essa peça pra ela”, diz. “Dez anos depois, resolvi remontar para mostrar aos meus outros três filhos que vieram nesse tempo”, conta a atriz. “É uma peça deslumbrante, sensível. Mas o teatro infantil é desprezado, por isso só se fala que fiquei anos longe do teatro adulto. Mas não longe do teatro.”

Sem um texto que a motivasse, não fez peças para o público adulto nesse período. “Estava com pouco tempo para fazer algo que não fosse especial”, diz a atriz, que se desdobra entre filhos, faculdade de filosofia, TV, cinema. Na telona, ela está agora em cartaz em “Berenice Procura”, de Allan Fiterman, no papel de uma taxista que tenta solucionar o assassinato de uma amiga trans em Copacabana. “Foi interessante fazer o papel de uma mulher comum, sem vaidade, com um vazio na existência.”

Claudia Abreu e Luiz Henrique Nogueira em “Pi – Panorâmica Insana” // Divulgação

Se tiver patrocínio para isso, Cláudia pretende levar “Pi – Panorâmica Insana”, espetáculo que idealizou com o ator Luiz Henrique Nogueira e que colige textos de diversos romancistas – Kafka, Paul Auster e André Sant’an-na, por exemplo –, para vários teatros do Brasil. “Acredito que a peça seja muito importante neste momento tão delicado do Brasil e do mundo. Não é só diversão, mas reflexão.” Programaço para o fim de semana, lembrando que o espetáculo fica em cartaz apenas até o final de julho. Vendas pelo www.ingressorapido.com.br.