Chay Suede diz que a paternidade é seu papel mais transformador e revela o desejo de ser perfumista

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Para um homem que não costuma traçar grandes planos na vida, Chay Suede vai muito bem, obrigado. Emendou personagens inesquecíveis no horário nobre,  espera o segundo filho de sua mulher, a atriz Laura Neiva, com quem tem Maria, de 1 ano e oito meses, redundante dizer, carrega um dos rostos mais bonitos da televisão e o talento que faz dele um dos melhores atores de sua geração.

Especula-se que Chay interpretará Ayrton Senna na série da Netflix, a qual o ator não confirma, mas assume ser fã do piloto desde menino. “Eu tenho muito amor pelo Senna. Ele carregou a bandeira do Brasil em um momento muito frágil do país, era quase um padroeiro. Eu, com 2 anos, lembro quando ele morreu. Era um domingo [GP de Ímola, na Itália, em 1994] e minha prima chorava muito, nunca tinha visto ela chorar daquele jeito. Ela era mais velha, me pegou no colo e falou: ‘estou chorando porque o Senna morreu.’ E eu sabia de quem ela estava falando. Muita gente dizia que meu pai era parecido com ele, por causa do cabelo enrolado, do boné que usava”, relembra.

Crédito: Pedro Dimitrow. Blazer e camisa Alexandre Won, pulseiras W.Buscatti

Domingo não só era dia de acompanhar a Fórmula 1 como também o culto em Vitória, sua cidade natal. Nascido em uma família cristã presbiteriana – seu avô era pastor –, Chay cresceu seguindo os pais em apresentações musicais da congregação. “O ambiente cristão trouxe para a minha criação muitos elementos artísticos, reflexivos, de leitura, de aprendizado. Meus pais eram dois jovens [tinham 19 anos quando o filho nasceu] que rodavam o Brasil com a banda Semear, eu tocava chocalho no palco. Meu pai escrevia, compunha as músicas”, diz o ator, que toda segunda-feira participa de cultos on-line com amigos e familiares.

“A paternidade validou uma certeza sobre o que é o amor. Até ser pai, a gente conhece lascas de amor. A confirmação da força do amor vem com filho”

Chay Suede

Assim como o pai, o diretor e roteirista Roobertchay Rocha – mesmo nome de batismo do ator –, sempre foi natural para Chay escrever, de canções a crônicas. Tanto que entrou na faculdade de cinema em Vitória, mas a insistência do pai para participar do reality show “Ídolos”, da Record, em 2010, desviou seu caminho e o programa acabou virando porta de entrada para a dramaturgia – primeiro, a novela “Rebelde”, depois a estreia na Globo e no cinema. O hábito de escrever voltou durante o período de isolamento social e Chay desenvolveu alguns projetos que devem sair do papel este ano. Está previsto o lançamento do longa “4×4”, filme de estreia do fotojornalista João Wainer, rodado em 2018.

Crédito: Pedro Dimitrow. Costume e camisa Alexandre Won, pulseira W.Buscatti, anéis acervo pessoal

Para manter a forma, o ator de 29 anos intensificou a rotina de exercícios na casa que divide com Laura, em São Paulo, desde 2019 – ano em que se casaram no jardim – e sua filha. “A paternidade validou uma certeza sobre o que é o amor. Até ser pai, a gente conhece lascas de amor. A confirmação da força do amor vem com filho. Você repensa sua vida inteira: o seu olhar sobre o mundo, sobre o outro, e de uma maneira mais amorosa porque vem com essa lupa do amor. Toda minha vida se ressignificou através dessa lupa amorosa que se chama Maria”, diz.

“Sou alucinado por cheiro, cheiro de madeira, de couro, sempre tive uma memória olfativa boa e ela sempre me leva para um lugar. Tenho feito curso de perfumista, vou começar a trabalhar com isso”

Chay Suede

Além de Maria, o que brilha seus olhos é a perfumaria. “Sou alucinado por cheiro, cheiro de madeira, de couro, sempre tive uma memória olfativa boa e ela sempre me leva para um lugar. Tenho feito curso de perfumista. Já, já vou começar a trabalhar com isso, estou com algumas ideias”, conta o rapaz que abraça aos poucos seus novos projetos. “Tenho dificuldade de querer as coisas que estão lá na frente, vou vivendo as delícias e as tristezas do dia a dia. Não planejo tanto, a própria vida tem sido mais interessante do que os meus melhores sonhos.”

Crédito: Pedro Dimitrow. Costume e camisa Alexandre Won, pulseira W.Buscatti, anéis acervo pessoal

Styling Alexandre Won
Produção executiva: Ana Elisa Meyer e Meire Marino
Assistente de foto: Adrian Ikematsu

* Matéria originalmente publicada na revista PODER, do Grupo Glamurama

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