26.07.2016  /  13:27

Cauã Reymond conta que teve questões com eutanásia na vida real

Caua Reymond e Leandra Leal
Cauã Reymond e Leandra Leal na coletiva de “Justiça”, no Rio || Créditos: Léo Marinho

Cauã Reymond – ou melhor, seu personagem na minissérie “Justiça”- fará eutanásia na mulher dele, bailarina que fica tetraplégica ao ser atropelada, papel de Marjorie Estiano. Depois de atender ao pedido dela, vai para a prisão. Ao fim da pena de sete anos, começa a buscar vingança, perseguindo o atropelador. Saiba mais sobre o novo papel de Cauã com os detalhes que ele contou na coletiva do elenco de “Justiça”, nesta terça-feira, no Rio.

Um caso na família da vida real, uma opinião e o Ibope

Por que Cauã disse “sim” para esse papel? “Eu estava supercansado depois da novela [‘A Regra do Jogo’], mas aceitei esse convite quase como uma reciclagem pra mim. Estou muito orgulhoso desse trabalho, é sério. Foge do meu biotipo. É um contador, uso roupas largas. Já tenho um pouco de cabelo branco na vida real, mas deixam bem mais branco, uma envelhecida importante pra mim, para o exercício do meu ofício de ator. Isso enriquece meu trabalho. E a gente ainda fala de um assunto delicado que é eutanásia. Isso chamou minha atenção. Já vivenciei um pouco essa situação com meu avô no hospital sendo mantido vivo por aparelhos. E é claro que sou a favor de seguir a lei, mas acho que as pessoas deveriam ter o direito de decidir. Além disso tudo, vamos inaugurar com essa minissérie um novo formato na dramaturgia brasileira, com vários protagonistas. Cada dia da semana tem um protagonista e uma história diferente. A minha vai passar toda quinta-feira e espero que dê Ibope. Quinta é bom de Ibope? Futebol é quarta, me dei bem”.

“Se minha filha fala que estou bonito, está tudo certo”

Cansou de ser o bonitão? “Não, continuo indo à academia [risos]. Vejo meu pai, bastante saudável, não toma remédio para pressão nem nada. Acho tão bonita a forma que ele esta lidando com a chegada dos anos. E tem tanto homem grisalho charmoso, bonito. Vejo como um lugar rico. Em ‘A Regra do Jogo’ fazia um cara mais jovem que eu. Também posso ir à frente e fazer um mais velho. Estou em uma posição favorável. E mais interessado em jogar mais pra frente, fazer personagens mais velhos e dramáticos. Não tem a ver com cansar de ser só bonitão. Fiz personagens muito interessantes nos últimos anos, dentro e fora da TV. Não vejo meu ofício preso a isso. É só algo que agrega. Esse rótulo de galã não me incomoda. Se minha filha fala que estou bonito, está tudo certo”.  Por falar na Sofia [do casamento com Grazi Massafera], ela é ciumenta? “Bom, ela puxa a minha mão quando estamos no shopping e começam a pedir muita coisa. ‘Papai, vem, vem!’”

“Não ter a pessoa que mais ama na vida, ser culpado por isso”

Voltando para a trama, consegue se imaginar fazendo eutanásia? “É tão delicado isso. Não me imagino, mas acho tão dolorido o que esse cara passa. Alguns dias fui pra casa pensando, me colocando no lugar dele. Tão difícil o que ele enfrenta. Ele é tomado por um peso nas costas e encontra uma frieza… A maior dificuldade é não ter a pessoa que mais ama na vida, ser culpado por isso e a sensação absurda de vingança, de que não existe mais motivo para estar vivo a não ser para se vingar”.

Cauã é vingativo? “Não sou. Pelo contrário: com o passar dos anos, você vai relevando mais e compreendendo como as coisas acontecem, olhando o ponto de vista do outro, e isso é tão bonito. Traz uma paz que às vezes quando se é jovem não existe”. E mais: “Não tomo nunca uma decisão no calor da hora. Tenho essa capacidade. Sou taurino”. (por Michelle Licory)