25.01.2020  /  9:00

Caso Jeffrey Epstein: imprensa sugere que antigo endereço do bilionário em Nova York vire museu

A townhouse de Jeffrey Epstein || Créditos: Reprodução

São raríssimas as townhouses originais na planta na cobiçada região do Upper East Side de Nova York, razão pela qual o mercado imobiliário da cidade se agita sempre que uma é colocada à venda. Foi o que aconteceu em meados de novembro, quando se noticiou que aquela localizada no número 9 da East 71st Street em breve seria listada nos classificados por pelo menos US$ 100 milhões (R$ 416 milhões) – o que, frise-se, ainda não aconteceu. Mas nesse caso especifício não foi só a cifra que levou a residência com quase 2 mil metros quadrados de área privativa às manchetes, mas também e principalmente seu último morador: Jeffrey Epstein, que se suicidou na cadeia em agosto depois de ser acusado por vários crimes sexuais, inclusive abuso de menores.

Afinal, por mais que se trate de um endereço de prestígio, quem moraria na mesma casa em que muitos desses crimes podem ter sido cometidos? Até onde se sabe, ninguém demonstrou interesse em se mudar pra lá, mas nos últimos dias a imprensa nova-iorquina tem apresentado algumas sugestões para resolver o pepino de uma vez por todas. Uma delas é que os administradores da Frick Collection, que na verdade é um museu que fica nas redondezas do ex-chatêau de Epstein, comprem o imóvel a fim de incorporá-lo ao espaço da instituição, que foi foi fundada pelo industrial Henry Frick.

Apaixonado pelas artes, Frick, que morreu em 1919, determinou em seu testamento que seus Rembrandts, Goyas, Fragonards e Vermeers ficassem permanentemente expostos ao público naquela que foi sua última moradia, para a qual também criou um fundo capaz de mantê-la viva. Mas de lá pra cá a coleção aumentou e hoje falta espaço para abrigar todas as obras, o que levou o pessoal da Frick Collection a decidir comprar imóveis vizinhos para derrubá-los e construir uma nova sede em seu lugar.

A ideia parece boa à primeira vista, mas aqueles que são contra dizem que Frick, um típico conservador, odiaria ver seu nome associado ao de alguém como Epstein. Sem falar que há o risco de a Frick Collection, se seus responsáveis comprassem a townhouse, se tornar mais uma atração por causa do histórico macabro da nova ala do que pelas raridades que tem. Enquanto, o número 9 da East 71st Street segue com suas portas de carvalho com 4,5 m de altura trancadas e sem previsão de serem abertas tão cedo. (Por Anderson Antunes)