13.09.2019  /  13:42

Carol Duarte é o nome da hora! Rumo ao Oscar, com nova série à vista e engajada, ela dispara: “Todas as minorias precisam resistir”

Carol Duarte fala sobre questões políticas e sociais do Brasil atual / Crédito: Getty

Carol Duarte é o nome da vez. Depois de mostrar pela primeira vez em uma novela a polêmica e difícil transição de Ivana/Ivan, sua personagem em ‘A Força do Querer, que se descobre um homem trans, e de cativar o espectador com a prostituta Stefania, a atriz de 27 anos enfrenta outro desafio na série ‘Segunda Chamada’: ela dar vida a Solange, uma jovem que vende bala no transporte público para sustentar o filho recém-nascido. “Essas mulheres existem, estão nas ruas. É uma realidade muito concreta no nosso país. O estranho é que, muitas vezes, pensamos que isso está longe da nossa realidade”.

E Carol também está vivendo um momento de glória no cinema. Ela é protagonista do filme ‘Vida Invisível’, longa de Karim Aïnouz escolhido para representar o Brasil e tentar uma vaga entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “Fazer um filme é bem diferente de uma série. Tivemos poucos meses e, antes disso, eu só tinha feito novela”, comenta ela, que é dona de um posicionamento forte na vida real, como na causa LGBT: “Nós existimos, e eles não podem fazer nada. Existem casais homoafetivos, famílias homoafetivas. Não há o que ser feito contra”.

Glamurama: Você volta ao ar na TV em ‘Segunda Chamada’ com a personagem Solange, diferente de tudo o que você já fez. Como se preparou?
Carol Duarte: Não tem segredo. Essas mulheres existem, estão nas ruas. É uma realidade muito concreta no nosso país. Solange é uma jovem que precisa vender bala no transporte público pra sustentar a filha. Mas o estranho é que, muitas vezes, pensamos que isso está longe da nossa realidade, que é mentira. Acredito que as pessoas fecham os olhos porque não querem ver. É uma realidade difícil, que machuca.

G: Qual é a maior característica da Solange?
CD: O núcleo dela é todo envolto da maternidade, de estar sozinha cuidando de um bebê que acabou de nascer, em um ambiente socioeconômico bastante precário. E para a mulher é bem mais difícil né. A Solange tem uma criança que não sobrevive sem ela. O aborto feminino não é legalizado, mas o masculino é visto com normalidade. Para as pessoas, tudo bem o cara abandonar mulher e criança. É um assunto muito complexo.

G: E o maior desafio?
CD: Acho que tudo isso junto. A construção da personagem em si é muito intensa. Tem toda a questão corporal da Solange também. Ela vende bala com um bebê nos braços. Carregar todo esse peso dói. É algo físico.

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G: Foi difícil gravar com um bebê? Como foi a experiência?
CD: É bem complicado. O bebê não entende né, ele faz o que quiser, na hora que quiser. Não é simples ter bebê no set, mas foi uma ótima experiência. E a presença desse bebê também foi muito positiva, deixou tudo mais real. A construção da Solange é justamente nessa relação entre ela e o bebê.

G: Falamos bastante sobre o fato da Solange ser uma mulher invisível perante a sociedade. E você é assumidamente homossexual. Está preocupada com o rumo da política do Brasil em relação a esse assunto?
CD: Assim como boa parte das pessoas, estou chocada. Mas, ao mesmo tempo, entendendo quais são os mecanismos de resistência. Nós existimos e eles não podem fazer nada. Existem casais homoafetivos, famílias homoafetivas. Não há o que ser feito contra. E é como aconteceu na Bienal do Rio de Janeiro. As pessoas vão ler aquele livro, talvez mais do que leriam antes da polêmica. Mas não é mais uma questão só dos LGBTs. Os pobres, os negros, todas as minorias precisam resistir.

G: Fale um pouco sobre ‘Vida Invisível’? E a indicação a uma vaga para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro?
CD: Foi uma sensação incrível. Fazer um filme é bem diferente de tudo o que já fiz. Tivemos poucos meses e, antes disso, só tinha feito novela. Foi muito profundo. O processo de construção antes das filmagens foi intenso, muitas horas de trabalho para chegar aonde chegamos. E ficou maravilhoso. Estou orgulhosa de tudo. (por Jaquelini Cornachioni)