Capa da revista J.P de junho, Alice Wegmann dispara: “feminismo não obriga ninguém a ter pelo no sovaco”

15.06.2018  /  9:00

Diferente da famosa personagem de Lewis Carroll, Alice Wegmann vive bem acordada para a vida. Intensa em tudo o que faz, a nova aposta da Globo adora um papo-cabeça, mas não deixa de pular feito pipoca no Carnaval

Por Thayana Nunes para a Revista J.P de junho | Fotos: Daniel Klajmic | Styling: Fernando Batista | Beleza: Carla Biriba (bliss me)

Quando um dos melhores diretores da Globo cai de amores por você, a vida muda. Porque imagina só: começam a chover papéis de destaque, prêmios, entrevistas, capas de revista, publicidade, milhares de fãs… O que para algumas atrizes é um sonho, ainda mais quando se é jovem ou se está no início da carreira, com Alice Wegmann a gente percebe que existem exceções. Carioca de 22 anos, a moça foi a “ovelha negra da família” e entrou nessa de ser artista por vocação mesmo – e paixão. Só de bater um primeiro papo com ela a gente descobre que seu brilho nos olhos está em atuar.

Alice é a estrela da vez de José Luiz Villamarim, que comandou os sucessos “Avenida Brasil” (2012) e “Amores Roubados” (2014) – só para lembrar os mais recentes. Foi escalada, como ela conta, “aos 45 do segundo tempo”, para dar vida a Maria, a protagonista de “Onde Nascem os Fortes”, atual supersérie da emissora. E para quem está acompanhando a moça na TV é fácil entender a escolha de Villamarim. Desde o primeiro episódio, intensidade é a palavra certa para descrevê-la e é impossível não se emocionar com a história da jovem que busca justiça pelo desaparecimento do irmão. Muita, mas muita gente chorou com Maria quando ela descobre que a mãe, interpretada pela veterana Patrícia Pillar, encontra o corpo dele enterrado no sertão. Não é à toa que a audiência do programa, que começou no auge e passou por um período de baixa, voltou a subir.

“Me sinto forte também, mas ao mesmo tempo muito doce”, diz ela, ao refletir se é parecida com Maria. “Acho ela mais arisca, mais dura. Eu vejo o mundo de uma forma mais otimista, acredito que tudo vai dar certo.” E é desse jeito que ela leva a vida, desde o momento que acorda. “Desço da cama todo dia com o pé direito. Tenho uma frase que digo para mim mesma que é: ‘A vida é boa até quando não é’.” É assim, por exemplo, que encara os testes para os vários papéis que fez até hoje – são oito novelas – e os temas mais cabeludos que decidiu abraçar e que já passou. Como quando sofreu distúrbios alimentares por não aceitar seu corpo ou no dia em que presenciou um homem se masturbando diante dela e das amigas depois de saírem de um jantar no Rio de Janeiro.

Vote Alice

A verdade é que falar de Alice é falar de uma jovem engajada pelos direitos das mulheres, e questões como padrões de beleza, igualdade salarial ou assédio – todos assuntos recorrentes no seu perfil do Instagram, nas entrevistas que dá e até na mesa do bar com os amigos. “Já pensei: ‘Será que não vai ficar repetitivo? Bater nessa tecla vai me atrapalhar em algum momento?’. Descobri que não. Enquanto não mudar essa situação, vou continuar falando sobre isso”, diz, com a entonação de um político no palanque.

Claro que com ela também não é apenas papo sério. É só dar uma olhada nas fotos que publica para seus quase 3 milhões de seguidores para ver que vai do textão-cabeça às selfies fazendo carão, fotos de look do dia e de fio dental na praia. Tudo bem. Sua filosofia? A vida pode ser tanta coisa… “Gosto de experimentar. E acho que o feminismo é isso: não obriga ninguém a ter pelo no sovaco. Se quiser ter pelo, pode ter. Se não quiser, ok. Você pode fazer o que quiser da vida. É só isso, simples. Essa é minha luta”, declara, voltando ao seu tema preferido.

Famosa, eu?

Atriz desde os 11, começou na televisão aos 15 e passou de protagonista de Malhação a papéis importantes em pouco tempo. Toda essa exposição, no entanto, ainda é meio esquisita para ela. Alice não sabe direito explicar o motivo, mas cita o último Carnaval, quando curtiu a pipoca, toda suada, de maiô e meia arrastão com sua turma: “A única coisa que pensava era: ‘Tomara que ano que vem eu esteja aqui do mesmo jeito’. Não sei onde essa série pode me colocar.” Bom, já colocou. De “furacão Alice” pelos críticos da TV e a um passo de conseguir o principal papel de uma das próximas novelas das 9, agora tem de lidar com manchetes que a comparam com outras atrizes da mesma geração. Algo do tipo: “Quem é melhor? Marina Ruy Barbosa ou Alice Wegmann?”. Ela não deixou barato, claro, e se posicionou na internet: “Vamos parar de querer colocar as pessoas umas contra as outras?”. Mas é só ficar um pouquinho mais famosa para começar a ter de responder sobre seus amores e desamores. A gente quis saber: “Está namorando? E você e o João [Vicente de Castro]?”, J.P pergunta, já que não podia passar sem essa: Alice teve um teretetê com o ex de Cleo Pires e Sabrina Sato. “Ele é um amigaço, um dos meus melhores.” Se já teve medo de beijar na boca em público, por enquanto diz: “Nunca me limitei. Quero fazer o que me der vontade na hora que me der vontade”. Por enquanto… Do jeito que ela vai, a gente vai querer saber sempre mais.