Bruno Rudge, o sertanejo do high que trocou a música pelas lingeries

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Por Paulo Sampaio para Revista Joyce Pascowitch de setembro

O futuro como astro da música sertaneja era promissor. Papai vice-presidente de banco já havia concordado em investir na carreira de cantor, mas Bruno Rudge considerou: “E se eu tiver de me apresentar em shows nos fins de semana, fazer turnê pelo país, será que vou conseguir sacrificar as noitadas, o polo, as reuniões com amigos? Não, eu não seria feliz”. Ainda assim, continuou se apresentando informalmente nas baladas que frequenta e para os integrantes de sua numerosa família. Neto de Romeu e Maricy Trussardi, famosos pela prole de dez filhos e pela fervorosa crença em Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Bruno bombou recentemente em um show beneficente promovido pela creche de seu avô.

O ponto alto foi sua interpretação de “Eu Só Penso em Você”, versão de “Always on My Mind” (Elvis Presley) imortalizada por Zezé Di Camargo e Luciano. Na apresentação, o cantor fez um dueto bilíngue com a irmã Maria das Graças de Fátima Aparecida. Ela iniciou o número em inglês e deu a deixa para ele emendar em português com um agudo choroso, considerado por alguns ligeiramente acima do tom: “Sei que eeeeeu estive ausente-e-e—ee!, Quando precisou de mim-immm! Eu fui tã-ããão inconsequente-e-eee, Insensível te perdiiii…’”. Com o tronco ligeiramente vertido para a frente, a mão esquerda suspensa em concha na altura do rosto, era todo emoção. Perto dele, Roberto Justus se sentiria um calouro. No YouTube, o vídeo da apresentação foi acessado por quase 10 mil pessoas.

Cafona, não

A paixão por música é antiga, remonta aos tempos em que estudava no colégio Porto Seguro. “Na época, a música sertaneja ainda era considerada cafona”, lembra ele, que não chegou a sofrer bullying. Mesmo que tivesse sofrido, não é do tipo que liga para isso. Que o diga o empresário Ricardo Goldfarb, 28 anos, um de seus melhores amigos. “Já passei muita vergonha por causa dessa mania do Bruno de cantar. Agora ele está mais afinado. Precisava ver antes.” Bruno fez aulas de canto. 

Certa vez, lembra Goldfarb, em um bar de Campos do Jordão, o amigo resolveu impressionar uma menina e insistiu com o gerente para deixá-lo cantar. Acabou conseguindo. “O bar estava lotado, todo mundo começou a gritar ‘cornoo!’, e ele cantando ‘Evidências’ (Chitãozinho e Xororó).” Para Bruno, o saldo de suas apresentações é positivo: “Se estou em Trancoso e toca ‘Evidências’, o povo logo olha pra mim. É minha marca registrada”.
Goldfarb conta que os dois costumavam ir de São Paulo a Indaiatuba, no interior do estado, passar o fim de semana no clube de polo Helvetia, com o rádio sintonizado na estação Nativa FM ou na Tupi. Além de Chitãozinho e Xororó, Bruno & Marrone e Luan Santana, ele curte Jota Quest e Capital Inicial. Bruno mantém um karaokê em Indaiatuba, no qual exercita suas cordas vocais.

O Irmão da Lalá


A carreira foi suspensa sine die, mas a vontade de ser famoso, não. Ele conta que as pessoas agora o reconhecem em lugares públicos como “o irmão da Lalá”. “Ela é um canal que me ajuda com as mulheres, agrega”, acredita ele. Maria Imaculada da Penha, ou simplesmente Lalá, tornou-se uma celebridade quando inaugurou um blog de “dicas” de consumo. Se a princípio parecia ser apenas um inocente passatempo, logo virou um sucesso. A página possui um texto leve, do tipo nem aí para a gramática, no qual Lalá distribui vírgulas com a mesma generosidade com que usa a expressão “look” e as interjeições hahaha e hehehe. Muito esperta, ela aproveitou o vento a favor para faturar. “Hoje, cobra R$ 30 mil para ir aos lugares. Por mês, ganha R$ 150 mil”, admira-se o irmão, que viu ali a oportunidade de exercer um alegado talento para o empreendedorismo.

Aos 19, salário de R$ 35 mil

 

Originalmente, ele trabalhava com private banking e captação de grandes fortunas. Foi encaminhado para o setor quando cursava o terceiro ano de administração na Faap graças às boas conexões de seu pai, José Rudge, vice-presidente do banco Itaú. Embora não tenha concluído o curso, conta que, aos 19 anos, já tinha salário de R$ 35 mil. Na ocasião, surgiu uma oportunidade de se associar aos donos do bar Cafe de la Musique. Pediu em casa R$ 180 mil para inteirar o que precisava. “Meu pai não achou que fosse o momento, não deu o dinheiro.” Como administrador da grife da irmã, ganha um pró-labore de R$ 6 mil. Mas não se queixa. Animadíssimo, diz que abriu um escritoriozinho no Itaim, de onde comanda as vendas das linhas de lingerie feitas por estilistas e aprovadas por Lalá. Pelos seus cálculos, já são R$ 2 milhões de investimentos diretos na marca. Ele entrega para a equipe de J.P, em primeira mão, o catálogo da loja que a La Rouge abriu no Shopping Iguatemi. Orgulha-se de não ter precisado entrar na imensa fila de interessados em alugar uma loja, já que Erika Jereissati, filha do dono do shopping, colocou fé na marca e no nome de Lalá. “A loja tem só 32 metros quadrados, mas a Erika nos aconselhou a começar despretensiosamente”, diz ele, que fala abertamente em cifras.

Não é grave

Católico praticante, como toda a família Trussardi, Bruno conta que frequenta religiosamente a missa aos domingos. “Posso estar onde for, Miami, Aspen, Saint-Tropez.” Aos 30 anos, ele afirma que até hoje só namorou duas vezes e que, quando se interessa seriamente por alguém, tem de ser logo de cara. Está sem pretendentes no momento. Quer dizer: pretendentes desimpedidas. “Tem duas ou três que, se terminassem o namoro, eu daria uma investida maior.” Epa! Mas isso vai contra um dos mais importantes mandamentos da Igreja Católica: “não cobiçar a mulher do próximo”.
Bruno vive um conflito. Pela risadinha malandra, dá mostras de que gosta de explorar seu potencial de “pegador”. “O custo/benefício de um namoro é alto”, acredita. Por outro lado, esse pensamento não combina muito com os preceitos do cristianismo e com a alardeada devoção da família a Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Atormentado, ele buscou aconselhamento com o pároco da família. “Ele disse que não é grave.”

Nascido para Casar

De repente, eis que sua mãe, Gisela Rudge, entra na ampla varanda em que J.P o fotografou para a matéria. Diz que ouviu o finalzinho da conversa e passa a desfiar um rosário de lamúrias sobre o estado civil de seu único filho solteiro. “Preparei esse menino para casar e ser fiel. Todos nós nascemos para viver com alguém. Desde que nasci só queria isso pra mim.” Ele argumenta que ainda é cedo. “Os 30 anos de hoje são os 20 de antigamente.”
E Gisela: “Não começa não”. Ela diz que seus dois filhos homens tiveram uma educação mais liberal em relação às duas mulheres. Explica que eles “começaram” ainda adolescentes e que até acha o machismo justificável nesse caso. “Mas uma hora todo mundo precisa casar”, repete.
Gisela se exime de qualquer responsabilidade em relação à solteirice do filho. Ao contrário, garante que toda vez que ele deixa uma candidata de lado, ela pergunta: “Por que não essa?”.

Sempre disposta a receber a eventual futura mulher do filho com todo carinho, diz que nunca se opôs a nenhuma de suas namoradas e que “reza muito” para que ele encontre uma para viver feliz em matrimônio, segundo a vontade de Deus.
Por vezes, a mobilização para encontrar uma namorada toma ares de campanha. A própria Lalá, ao apresentar o irmão no show da creche, sondou: “Antes eu quero saber uma coisa, gente: se tem mulher solteira na plateia. Eu tô desesperada por uma cunhada. Então, se tiver, me procura no fim que eu vou ajudar isso”.

Estrogonofe sem Cogumelo

Cabotino toda vida, ele agradece a iniciativa da irmã. “Obrigado, Lalá.” Coitada da incauta criatura que fosse atrás dela ao fim do espetáculo. O próprio Bruno diz que toma providências para evitar maiores aproximações, a fim de não gerar falsas esperanças nas meninas: “Em três anos sem namorar, só uma vez saí para jantar sozinho com uma menina. Prefiro levá-la para jantares com grupos de amigos”. Revela que só traz a mulher para conhecer a família quando tem certeza que pretende algo sério com ela. “Não gosto que todos participem do namoro porque, se não der certo, vão ficar cobrando.”

Ele é o único filho remanescente em casa e, como tal, tem todas as atenções voltadas para si. A mãe reconhece que não vai ser fácil para ele abandonar uma vida tão confortável. “Aqui tem estrogonofe sem cogumelo, como ele gosta.” Gisela sai para pedir à empregada que sirva pãezinhos de queijo e café. Bruno volta a posar para fotos. Pergunta o que a equipe acha de ele sair na revista manuseando um sutiã da grife de Lalá, a título de marketing. Depois de ponderar, muda de ideia: “Pode ficar meio Wando, né?”.

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