09.07.2015  /  8:00

Brasileiro Thiago Soares, primeiro bailarino do Royal Ballet, estreia “Paixão”

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Brasileiro Thiago Soares, primeiro bailarino do Royal Ballet ||Créditos: Divulgação

“Paixão” é o nome do espetáculo que o bailarino Thiago Soares estreia nesta quinta-feira no Theatro Municipal do Rio, partindo depois para o Teatro Sergio Cardoso em São Paulo. O brasileiro, que é primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres, montou sua primeira produção solo para comemorar os 15 anos de carreira internacional e dividir o momento com o público brasileiro. Abaixo, um papo com Glamurama sobre dança clássica e contemporânea e a chegada aos 30; dançando, é claro.

Por Verrô Campos

Glamurama: Como é produzir um espetáculo seu agora?
Thiago Soares: “É a minha primeira produção e está sendo pesado, porque a minha linha de dança é clássica, mas estou inserindo no espetáculo a minha próxima etapa de carreira porque eu estou nos meus 30 anos e, daqui a pouco, tenho que começar a descobrir outros caminhos. Por isso, estou embarcando mais no mundo moderno e contemporâneo e é isso que faz o espetáculo ficar mais pesado fisicamente”.

Glamurama: É tão diferente?
Thiago Soares: “Sim, é outro tipo de musculatura, outra linguagem. No clássico a gente está armado pra cima, no contemporâneo a gente está para baixo, ‘earth’, bem chão, bem descalço, e o corpo sente”.

Glamurama: Mas, se fosse o contrário, o bailarino também sentiria?
Thiago Soares: “Sim, sente, é por isso que existem artistas que fazem dança clássica ao nível mais alto, e os que fazem dança contemporânea, são companhias específicas, dois estilos. É óbvio que, como experiência, a gente swinga pros dois lados, mas o corpo sente”.

Glamurama: O que você pode adiantar sobre o espetáculo?
Thiago Soares: “É um espetáculo que marca os meus 15 anos de carreira internacional, desde que saí do Brasil e comecei a vender ingresso lá fora, como um artista latino. Essa loucura de estar viajando, minha trajetória em Londres – onde me adotaram -, meus sonhos que se tornaram realidade. É um pouco de poder dividir com o público aqui – que me vê pouco -, celebrar esta data tão importante. Vou trazer a Deborah Colker, uma pessoa que sempre me admirou, e obras inéditas. Estou trazendo uma obra de um coreógrafo sul-africano, Arthur Pita, com um solo feito para mim: o ‘La Bala’. Também os 14 Prelúdios de Chopin, com música ao vivo, na coreografia ‘Caresse du Temps’, de um coreógrafo italiano do Paris Opera – Alessio Carbone – e o ‘Cisne Negro’ com a minha partner de Londres, a argentina Marianela Núñes [ela é a primeira bailarina da companhia]. Afinal, o público também quer que eu faça algo clássico e tradicional e eu cresci com essa obra [Cisne Negro]. O programa tem também um pouco da Inglaterra, tem bailarinas que estou trazendo de lá, a Lauren Cuthbertson, que já dançou comigo. É um mix de coisas que representa essa paixão pela dança.Então é isso: um pouco do que eu fiz, do que eu faço e para onde estou indo. O nome do espetáculo é ‘Paixão’, mesmo da obra que danço com a Deborah (Colker). Faço ele pelos meus amigos.”

Glamurama: E você também está com um projeto de moda…
Thiago Soares:
 “Sim, a linha junto com a Baletto foi uma iniciativa da Luciana Mantegazza [dona da marca], que me sugeriu uma linha de balé masculina. Na verdade, eu sempre senti que não existia aqui uma roupa para homens na dança, a gente usa roupa de esporte, o que dá para improvisar. Com a minha trajetória e experiência achei que poderia colaborar com o que eu acho que é legal, trazendo também tendências do dia a dia de Brasil, de conforto e de dança. São 8 peças para começar, além de uma sapatilha; será lançada no dia 04 de agosto.”

Glamurama: Depois de tudo isso você volta para Londres?
Thiago Soares: “Sim volto em agosto. Esse período na verdade é o nosso período de férias da companhia. Mas, como bailarino depois dos 30 nunca tira férias…[risos]. Se você parar por três dias o corpo sofre, eu sempre procuro me agendar e estar fazendo coisas extras quando tenho tempo.”

Glamurama: Primeiro bailarino pode ter ataque de diva como primeira bailarina ou com homem é diferente?
Thiago Soares:
 “Eu gosto de acreditar que não sou uma diva [risos], mas acho que vocês têm que vir passar um dia comigo pra me dizer isso. Tentando me analisar e, sendo justo, eu acho que o meu lado negativo é que sou muito intenso. Quando não consigo uma coisa, do ponto de vista físico ou de uma coreografia que não consigo dançar ,eu encasqueto naquilo e acho que viro um chato, eu sou taurino também…Mas diva não; eu deixo isso para as primeiras bailarinas.”

“Paixão”, Thiago Soares

Rio de Janeiro
Dias 09 e 10 de julho
Theatro Municipal

São Paulo
Dias 14 e 15 de julho
Teatro Sérgio Cardoso