04.04.2016  /  15:00

11 artistas brasileiros para ficar de olho, escolhidos pelo blog Don’t Touch My Moleskine

11 artistas para ficar de olho em 2016 apresentado pelo blog Don't Touch My Moleskine || Créditos: Reprodução
11 artistas para ficar de olho em 2016 apresentado pelo blog Don’t Touch My Moleskine || Créditos: Reprodução

Glamurama continua a parceria com a Contente, de Dani Arrais e Luiza Voll, com conteúdos inspiracionais e que deixam a gente com um sorrisinho no canto da boca. Depois de assistir aos vídeos do “Como Matar um Projeto“, chegou a hora de descobrir junto com o blog Don’t Touch My Moleskine, 11 artistas brasileiros para ficar de olho em 2016. Com a palavra, Dani:

Quem são os artistas que têm trabalhos impactantes, emocionam, propões reflexões e deixam hoje um legado para a história da arte brasileira? Quais os nomes em que a gente deve ficar de olho? Diante de tantas exposições, museus e galerias, sites, blogs e perfis no Instagram, em que prestar atenção e de quem acompanhar o trabalho? Fiquei com vontade de descobrir isso tudo e convidei dois amigos queridos que são curadores para darem seus palpites.

Ana Maria Maia é curadora de artes visuais e professora de História da Arte. Nasceu no Recife em 1984 e vive e trabalha em São Paulo. Foi curadora adjunta do Panorama de Arte Brasileira do MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. Recentemente concluiu a pesquisa “Arte veículo”, que vai ser lançada em livro em breve. Diego Matos é pesquisador, curador e professor nas áreas de artes visuais e arquitetura. Trabalhou com o Vídeo Brasil coordenando o acervo e a pesquisa. Em 2015 fez uma exposição a partir desse material, “Quem nasce para aventura não toma outro rumo”, no Paço das Artes.

Para chegar a um recorte, ambos concordaram em reunir artistas que apostam menos no risco e mais na construção de suas histórias. “Tenho visto a volta da intuição como uma ferramenta de trabalho para os artistas, depois de uma geração completamente racional, projetual”, aponta Ana Maria. “Talvez esses artistas tenham nascido no momento em que o sistema brasileiro da arte precisou se organizar mais.” Ela fala que o artista tem que afinar o seu discurso, preparar um portfólio que seja mais eficaz, se colocar no mundo de uma maneira mais assertiva. “O risco e a dúvida não têm mais tanto espaço, ele tem que saber onde quer chegar. Esses artistas podem se colocar no olho do furacão de padrão sexual, de trabalho, política, crises, esgotamento de modelos, e é um ato de coragem absurdo fazer isso em um ambiente completamente instável.”

Dos escolhidos, conheço alguns, outros são novidade. Sou apaixonada pelo trabalho da Barbara Wagner, que conheci em “Brasília Teimosa”, série que retrata os frequentadores de uma praia no Recife, bem ao estilo Martin Parr. Adoro como o Cristiano Lenhardt cria narrativas a partir de elementos que a gente não espera. E, no ano passado, a Virgínia de Medeiros entrou para o time do encantamento depois que vi “Sérgio e Simone”, um vídeo em que ela nos apresenta à travesti Simone, que também é o pregador Sérgio.

Para dar um gostinho, entregamos um pouco mais sobre Clara Ianni. Amanhã tem mais. Fique ligado!

|| Créditos: Divulgação
|| Crédito: Reprodução Don’t Touch My Moleskine

01. Clara Ianni
Nasceu em São Paulo em 1987
Vive e trabalha em São Paulo
É representada pela Galeria Vermelho

|| Créditos: Beto Riginik for Artsy
|| Crédito: Beto Riginik for Artsy

A artista explora de forma incisiva e rigorosa elementos que dizem ao projeto de modernidade brasileiro que foi interrompido com o advento do regime militar. Para além, ela está sempre atenta às consequências dessa ditadura que durou mais de 20 anos. Dessa forma, não por meio da simples denúncia, Clara evidencia ironicamente histórias e acontecimentos que não tiveram a devida atenção na história recente do país. Tem também investigado a ambiguidade do espaço moderno e arquitetônico brasileiro que teve seu apogeu nas décadas de 1950/1960. Como resultado formal, nos apresenta elegantemente desenhos, gravuras, fotografias ou vídeos que ilustram esse pensamento. Importante lembrar de seu trabalho em parceria com Débora Maria da Silva, um vídeo intitulado “Apelo”, apresentado na 31ª Bienal de São Paulo que retrata a violência promovida pelas forças coercitivas oficiais. (Diego Matos)

|| Créditos: Divulgação
|| Crédito: Reprodução Don’t Touch My Moleskine