25.02.2016  /  10:53

Barbara Paz sobre filme com o marido: “Só o sexo não foi igual”

Maitê Proença, Bárbara Paz entre Willem Dafoe e Hector Babenco, Caio Blat e Selton Mello || Créditos: Juliana Rezende
Maitê Proença, Bárbara Paz entre Willem Dafoe e Hector Babenco, Caio Blat e Selton Mello || Créditos: Juliana Rezende

Por Michelle Licory

Chegou a vez do Rio ganhar sua première de “Meu Amigo Hindu”, essa quarta-feira no tradicional Cine Odeon, no centro. A sala, lotada, à espera do elenco, que confraternizava no segundo andar do prédio. Um burburinho comum em aglomerações e de repente Hector Babenco, o diretor do longa [“inspirado” em sua própria vida], surge e pede a palavra, em tom sóbrio e direto: “A conversa está boa, mas não é melhor que o filme, com certeza”. Então ele apresentou Barbara Paz, “minha mulher e atriz do elenco”, e o resto dos atores, mas fez isso de forma breve. “Não vou demorar porque já tem que pegar muito trânsito pra vir para o centro e ainda tem aquele tumulto ali na entrada…”

Dançando nua na chuva

* Bom, “aquele tumulto” era a imprensa que cobria o lançamento. A história é sobre um diretor bem famoso de gênio muito forte [papel de Willem Dafoe] que trava uma batalha contra um câncer, como Hector travou na vida real. Foi rodada na casa onde Hector mora. Primeiro, ele aparece se casando com a personagem de Maria Fernanda Cândido, que já tinha um filho, como Xuxa Lopes, que foi casada com Babenco. Depois, com o fim do relacionamento, ele se envolve com… Barbara Paz, mulher de Babenco na vida real. Mas Babenco insiste em dizer que não é um trabalho autobiográfico. “‘Oito e Meio’, de Fellini, é autobiográfico? Rodei na minha casa porque foi lá que o filme foi escrito, lá que aconteceu, e foi uma praticidade. Na história, eu inventei personagens, como a Morte [Selton Mello]. E todo mundo coloca suas experiências pessoais em seus trabalhos. A arte é responsável por transformar problemas vividos”. No entanto, a cena final, em que Barbara aparece dançando nua na chuva no jardim de casa, recém-saída da piscina, ele admite. “Ela fez isso de verdade e eu disse na hora que aquilo encerraria meu próximo filme”.

“Estava achando ela muito gostosa mesmo”

* E por falar nessa cena… Assim que acabou e começaram a subir os créditos [o longa é dedicado a ela e a Xuxa Lopes, além de outras pessoas], olhamos para Barbara, que já deve ter assistido várias vezes, mas estava chorando. “É um testemunho”, dizia a todo mundo que foi cumprimentá-la sobre o incrível desempenho. Todo mundo quem? Carol Jabour, por exemplo, a quem ela confessou a preocupação que rolou nos bastidores com o “mimetismo”. E Maitê Proença,que aparece no longa como uma atriz de TV que presta favores sexuais ao diretor no dia de seu casamento para conseguir um papel no filme dele… Maitê foi dizer para a Bárbara o quanto tinha gostado da última cena. “Tantas coisas passaram pela minha cabeça na hora e agora me faltam palavras. Primeiro, pensei: ‘Nossa, ela está completamente pelada mesmo’. Depois isso ficou tão menos importante”. Foi aí que Caio Blat, que estava lá só como espectador, interrompeu: “Ah, eu não! Eu consegui usar os dois lados do meu cérebro. De um lado estava achando a Barbara muito gostosa mesmo, enquanto o outro analisava a beleza da cena em si”.

“Só a cena de sexo é que não foi igual”

* A gente também foi conversar com a Barbara sobre o assunto. “O resto o Hector pode ate dizer que não é ele, que não é biografia. Mas eu sou eu mesmo, ele não pode negar [tem até uma referência ao reality show que a atriz participou no início da carreira, no SBT]. Aconteceu a cena da chuva mesmo. Só a cena de sexo é que não foi igual…”

Em tempo: no longa, durante o tratamento contra o câncer, o diretor [Willem Dafoe] fica anos sem ter relações com sua mulher [Maria Fernanda Cândido]. Com o fim do casamento, ele procura uma prostituta, sem êxito. Mas, com o passar do tempo, ao conhecer a personagem de Bárbara, ela se oferece nua pra ele e os dois tem uma vigorosa noite de amor. Mais que isso só assistindo ao filme, que vale muito a pena.