17.09.2020  /  10:44

Barbados anuncia que não quer mais ter a rainha Elizabeth II como sua chefe de estado

Elizabeth II || Créditos: Reprodução

Conhecido tanto por suas belas praias quanto por ser a terra natal de Rihanna, Barbados anunciou nessa quarta-feira que está decidido a dar uma banana para a rainha Elizabeth II. Chefe de estado do país insular localizado na América Central, a monarca nunca foi uma unanimidade entre seus moradores, muitos dos quais não veem sentido em ter como líder alguém que mora a quase 7 mil quilômetros de distância deles e que não pisa lá há anos. E a pandemia, é claro, serviu como mote para que a turma dos descontentes usasse a crise financeira causada pelo novo coronavírus para questionar se ainda é o caso de ter parte de seus impostos enviados para Londres só para ajudar a bancar a família real do Reino Unido enquanto vários de seus problemas em casa causados pela quarentena imposta pela Covid-19 continuam sem solução por pura e simples falta de dinheiro.

Barbados conquistou sua independência dos britânicos em 1966, já sob o reinado de Elizabeth II, mas a manteve como sua figura máxima de liderança, assim como vários outros países que já foram colônias do Reino Unido e ainda se curvam à Sua Majestade. Mas, para sua primeira-ministra – Mia Mottley – o momento requer uma mudança desse panorama. “Chegou a hora de deixar nosso passado colonial completamente para trás”, disse a política nessa quarta, em um discurso apaixonado que fez e que foi transmitido pela televisão local.

Tecnicamente, no entanto, deixar de ser tutelado pela avó dos príncipes William e Harry (e tudo que ela representa) pode não ser tão interessante assim para os barbadianos. Isso porque a independência total dos britânicos acarretaria em uma série de perdas de direitos para eles, como o de entrar livremente no Reino Unido e de permanecer no país por tempo indeterminado (RiRi e seus conterrâneos carregam um passaporte emitido em nome dela), além da suspensão imediata de alguns acordos comerciais. Mas, ao que parece, a questão envolve mais orgulhos do que necessidades, e deverá ser resolvida internamente. “Esse assunto diz respeito apenas ao governo e ao povo de Barbados”, disse um representante do Palácio de Buckingham, a residência oficial de Elizabeth II, em um comunicado em tom de “tanto faz” que emitiu sobre o imbróglio. Pra quem já perdeu a Índia… (Por Anderson Antunes)