06.08.2014  /  13:18

Baby do Brasil rouba a cena em noite de reunião do rock no Rio. Como?

Show da “SuperBanda” aconteceu na Cidade das Artes, no Rio

Por Michelle Licory

Dentro do projeto “Inusitado”, de André Midani, na Cidade das Artes, no Rio, Andrucha Waddington dirigiu o show da SuperBanda, composta por Baby do Brasil, Evandro Mesquita, Frejat, Liminha, Dado Villa-Lobos, Pedro Baby, João Barone, Bi Ribeiro e Toni Platão, essa terça-feira. Mikhail Baryshnikov apareceu por lá e, bem discreto, se sentou em um cantinho. Flora e Gilberto Gil, Gilda Midani, Christine Fernandes e Guta Stresser também foram, além de Fernanda Torres, claro, prestigiando o marido.

Vai aonde, Barysh?

* Funcionou assim: primeiro, só os “meninos”. “Meu Erro”, “Ainda é Cedo”, “Exagerado”, “Caleidoscópio”, “Bete Balanço”, “A Dois Passos do Paraíso”, “Você Não Soube Me Amar” e até “Parabéns pra Você” para Barone. Glamurama, que sentou no mesmo nível do palco, bem pertinho, teve a impressão que estava em um ensaio de estúdio… Ou de garagem mesmo, de tão felizes e à vontade que os músicos ficaram. Pareciam, realmente, meninos. Evandro esquecia todas as letras das canções dos outros e improvisava em uma linguagem exótica que inventava na hora, arrancando gargalhadas do público. Frejat, depois de “Nós Não Vamos Pagar Nada”, provocou, dizendo que agora essa era a música da Argentina, e não mais do nosso país. A energia estava a mil, mas Baryshnikov não se mexia. Até que se levantou e foi embora. Não aguentamos e fomos atrás, pra saber o que tinha acontecido. “Não entendo nada de música brasileira, mas gostei, sim. Estou indo porque acabei de chegar no Rio. Estou cansado. E ansioso para encenar ‘The Old Woman’ aqui [a partir desta sexta, ao lado de Willem Dafoe].” Azar de Barysh, que perdeu o ponto alto da noite. Baby surgiu e deu uma aula de como se rouba uma cena, mesmo sem querer. Primeiro teve “Todo Dia Era Dia de Índio” com a banda. Fernanda – de jeans e óculos de grau – pulava tanto, mas tanto! Sacolejava os braços, sorria. E sozinha, já que a plateia era toda sentada.

Andrucha: #eufórico

* Sai todo mundo para o camarim, voltam só Baby, o filho Pedro e dois banquinhos. Andrucha anuncia que tem uma surpresa. E versões lindas de “Acabou Chorare”, “A Menina Dança”… Pedro avisa que está nervoso de tocar violão para o padrinho, Gil. Volta todo mundo para o palco. “Que País é Esse”. Andrucha invade a cena, eufórico, como um garoto de 12 anos podendo circular entre seus ídolos. Aí resolveu dar beijo em todo mundo. Quando chegou em Andrea Coutinho, backing vocal da Blitz e mulher de Evandro, resolveu que ia dar um selinho. Tentou três vezes… E a moça virando o rosto. Depois quis fazer o mesmo com Barone, que estava “protegido” pelo isolamento acústico da bateria, aquela peça que parece um blindex transparente, sabe? Pois o diretor, ao se debruçar, quase derruba isolamento, bateria, tudo. Que susto!

Cada um na sua

* No meio da bagunça boa, reparamos em Gil, quase em alfa em sua poltrona, curtindo tudo só de espectador, com sorriso plácido no rosto e palmas calminhas e ritmadas. Cada um na sua, né, glamurette? Ainda teve “Menino do Rio” e, no bis, apesar de Guta ter gritado por “Sonífera Ilha” mil vezes, rolou “Inútil”. Baby substituía o refrão por “a gente somos útil” e ainda mandou no meio, como se fosse um freestyle, “deixe que digam, que pensem, que falem…”, uma homenagem a Jair Rodrigues. Ah, quem perdeu tem repeteco logo mais, nesta quarta…