31.05.2018  /  15:55

Prestes a dar o start em sua nova turnê, Claudia Leitte se diverte: “preciso fazer uma parceria com Beto Falcão”

“My Carnaval”: 10 anos de Claudia Leitte em um show só || Créditos: Getty Images/Divulgação/Reprodução

Claudia Leitte se prepara para estrear sua nova turnê “My Carnaval”, nesta sexta, dia 1, no Campo de Marte, em São Paulo. Momento ainda mais especial para a cantora, que celebra 10 anos de carreira solo. Os shows de “My Carnaval” vão contar sua trajetória em três atos que se complementam, unido passado e presente: o primeiro traz hits e novos sucessos de Claudinha; o segundo – batizado “Prainha da Claudinha”, é mais intimista e lembra músicas do começo de sua carreira como “Doce Paixão”. E para encerrar em altíssimo astral, o axé toma conta com o bloco “Blow Out”. O nome escolhido para a turnê não foi por acaso e nem veio apenas por conta da música “Carnaval”, novo single da cantora com  o rapper americano – e amigo – Pitbull, mas da vontade de eternizar a energia do Carnaval. ” Vi a oportunidade de fazer com que a fantasia do Carnaval fosse eterna, que todos conseguissem conviver no mesmo espaço, sem saber de onde veio, para onde vai, quem é rico ou quem é pobre, todos em função música, do astral”, resume ela, sobre os show que vão rodar o Brasil, com direito a uma escapadinha para a África do Sul. À entrevista:

Glamurama: Você estreia sua turnê “My Carnaval”, dia 01 de junho em São Paulo, o que tem de novo nesse projeto?
Claudia Leitte: O formato do show, dividido em três atos que contam minha história, com começo, meio e fim. Ou seja, são três palcos, três momentos diferentes, mas que se combinam em um show só. É a realização de um sonho pra mim. Eu brinco que queria ser uma cantora triatleta né! E agora consegui. Outra novidade, é a estreia do meu bloco “Blow Out” em São Paulo. Gostaria que a fantasia do Carnaval fosse eterna, onde todo mundo conseguisse conviver no mesmo espaço, com aquela mesma energia, sem saber de onde veio, para onde vai, quem é rico, quem é pobre, todo mundo em função da música, do astral. E o Blow Out celebra isso, essa diversidade, tanto que a estreia dele na cidade, será – propositalmente – no mesmo final de semana da parada gay, foi tudo muito pensado para trazê-lo pra cá.

Glamurama: A turnê vai rodar todo o Brasil?
Claudia Leitte: Vai, este ano estamos comemorando nossos 10 anos. Então teve a turnê “Claudia 10” e agora a “My Carnaval”, dentro deste projeto de comemorações que começou em outubro do ano passado e vai até o Carnaval do ano que vem.

Glamurama: Terá shows internacionais? 
Claudia Leitte: Tem. Olha, eu não sei datas, mas o primeiro é na África agora em agosto. Queria poder levar o trio para lá, meu sonho (risos). Não vai dar para levar o trio, mas levo repertório, faço as projeções e levo o povo daqui telepaticamente.

Como se prepara para uma turnê dessas?
Claudia Leitte: A gente se prepara trabalhando (risos).  A melhor maneira pra mim, não sei se é por causa da minha experiência – fazendo uma reflexão aqui com você- , acho que é vivendo. Na liga mesmo! Por exemplo, no Carnaval recebi sinais que queria uma turnê de celebração do meu aniversário. Fazia muito sentido pra mim. Essas coisas acontecem muito, quando estou na estrada. E minha preparação também. Não adianta me preparar só pro Carnaval de Salvador, porque faço shows o ano inteiro, então pra mim é alimentação saudável todo dia. Chegou minha comida aqui e meu stylist falou: “de que hospital veio isso?” (ela havia pedido um hambúrguer de frango com trigo e purê de batata doce). Não faço nada para ficar marombada, faço pela minha disposição… Sei que se comer demais vou ter refluxo gástrico. Aprendi isso porque antes eu comia de tudo. Se não tiver disciplina, não vou conseguir subir e descer no palco,  não vou conseguir cantar e dançar ao mesmo tempo… Amo cantar, eu amo tudo isso aí. Tem que ter disposição para fazer, senão vou me lascar.

O figurino bafônico da nova turnê | Créditos: Divulgação

O Pitbull vai participar do show? Conta um pouco sobre essa parceria. 
Claudia Leitte: O Pitbull está em turnê. Aliás, o Carnaval de Salvador (onde os dois se apresentaram juntos) era parte dela. Tudo bem que ele saiu da Índia para vir pra cá (risos), mas era parte da programação dele. A gente fez a Copa do Mundo juntos, mas nos conhecemos uns dois anos antes. E aí, começamos a falar de música. E “Carnaval”, a música,  veio dessa história que vivi com ele, de descobertas. O Pitbull não é só um amigo querido, mas também um dos grandes influenciadores de um novo momento da minha carreira – e nem sei se ele sabe disso. Das minhas percepções como artista, da minha descoberta de um novo estilo de som com aquela minha raiz, minha identidade de Carnaval, de axé, de música da Bahia. Ele é muito responsável por tudo isso.

Glamurama: Tem novos projetos com ele?
Claudia Leitte: A gente tem um monte de música, mas ele é um superstar, não necessariamente estará presente em todas… Acho que vai muito do momento, como aconteceu com ‘Carnaval’. Entendo essas estratégias de conquista de mercado hoje, acho incrível quando uma pessoa tem um planejamento business e na minha empresa a gente senta para falar sobre, mas acho que a música tem que ser muito espontânea, senão ela não passa de um Carnaval, metaforicamente falando. Logo vai ser esquecida. E eu não quero músicas que sejam esquecidas, quero músicas que, quando tocar no show, tipo “Amor Perfeito”, “Largadinho”, “Safado, Cachorro, Sem vergonha”- que é uma música que toco desde que eu tinha 19 anos de idade -,  o povo vai se amarrar. “Amor Perfeito” foi a primeira música que eu fiz e que me deu oportunidade de cantar com o Roberto Carlos. Não tinha pretensões, é uma música da zorra, mas nunca foi pensando: ah quero conquistar o mercado. Se rolar com Pitbull de novo, massa, se não… a gente tá indo.”

Claudia Leitte e Pitbull || Créditos: Getty Images/Divulgação/Reprodução

Glamurama: Se pudesse escolher alguém para fazer uma parceria, quem seria nesse momento?
Claudia Leitte: Beto Falcão.

Glamurama: Quem? 
Claudia Leitte: Beto Falcão (risos)… o cara da novela (Claudinha se refere ao personagem de Emílio Dantas na novela Segundo Sol). É que a gente tava falando da novela das 9 aqui e falei que to achando tão massa, e ontem eu vi Beto Falcão, que é o Emílio Dantas, cantando uma música de Brown e pensei: rapaz ele canta muito bem, ele é cantor. E aí, eu me lembrei que ele fez Cazuza. O cara é incrível. Falei: preciso fazer uma parceria com Beto Falcão.

Emílio Dantas na pele de Beto Falcão || Créditos: Divulgação

Você escolheu SP para iniciar a turnê por conta do sucesso de sua apresentação no último carnaval de rua…
Claudia Leitte:
Foi também por causa da parada gay. Mas é muito engraçado, pois as coisas estão no universo, a gente precisa se conectar com nós mesmas, com Deus e pegar a onda – eu to viajando muito? E o que acontece é que este show da 23 de maio (que aconteceu durante o Carnaval), caiu exatamente no dia em que eu completava 10 anos de carreira. Dia 17 de fevereiro de 2008 foi quando me apresentei pela primeira vez em carreira solo no Rio de Janeiro. Era um sábado pós-Carnaval, tinha sido convidada para fazer uma apresentação aqui, mas durante o Carnaval ficou inviável. Faz alguns anos que decidi não me apresentar fora de Salvador durante o Carnaval, porque já cheguei a ficar 48 horas sem dormir, cansada e cantando. E isso não é nada saudável por mais que seja maravilhoso para um monte de gente. Mas neste caso foi tudo muito perfeito. Foi a celebração oficial quando cantamos “parabéns”. Eu não esperava que fosse tanta gente pra rua naquele dia, apesar de saber que o pessoal de São Paulo é bem “axezeiro”. Então foi tudo muito maior. Em todos os sentidos, inesquecível pra mim.

O inicio de “My Carnaval” vai cair no mesmo dia em que Ivete Sangalo se apresenta com o Gil, para inaugurar um novo espaço no Allianz Parque. A turma do “axezeira” vai ficar dividida?
Claudia Leitte:
Não, acho que dá tempo de ir nos dois. Porque o show de Ivete é mais cedo. Ivete vai cantar umas 22h. O Yan (Acioli, seu figurinista) tá falando aqui que os amigos dele vão nos dois. Acho que vai ser um final de semana massa. As propostas são diferentes, porque acho que Gil e Ivete não vão fazer um Carnaval. Acho que dá para curtir um MPB, uma bossa e depois “Pau no Olho”, como a gente chama na Bahia.

A turnê é parte da celebração dos seus 10 anos de carreira solo… Em todos esse anos, você mudou muito? O que mudou e o que ficou da Claudinha de dez anos atrás?
Claudia Leitte: Quando tenho a oportunidade de me avaliar, consigo me ver na terceira pessoa, mas é raro eu parar para pensar nisso. Vejo que amadureci, mas meu coração continua do mesmo jeito, sabe? Parece uma coisa meio clichê e até meio “para-choque de caminhão”, mas a minha essência continua a mesma. Mas rolou um amadurecimento, ainda bem. 

Então o que ficou da Claudinha, foi o coração mesmo, a essência?
Claudia Leitte: 
Sim, e a bagunça.  Mas agora, num visual mais bonito, porque Yan está comigo há dez anos. Antes ele me vestia bonita, agora ele me veste muito gata!

O sertanejo feminino é a grande onda do momento. Isso beneficia todas as cantoras do Brasil? Acha que esse movimento afeta positivamente o trabalho das mulheres? 
Claudia Leitte: Todo movimento em que a gente se destaca como mulher, independente de ser na música, é de extrema importância. Pra gente se posicionar, dar força para outra mulher se posicionar… acredito que toda manifestação é essencial. É mais por conta de um momento em que a mulher está sendo mais forte, mais participativa, mais dona de si, do seu espaço…

O que Claudia Leitte tem ouvido em sua playlist?
Claudia Leitte: “Chicletinho”, de Michele Brau, personagem de Tais Araújo em Mister Brau, não sai da minha cabeça. Hillsong que é um banda cristã australiana que adoro, Jonny Lang, guitarrista e cantor que acho sensacional… Escuto de tudo misturado, todos os dias.

Em tempo: falando em música, vai ter surpresa no repertório de Claudia Leitte, nesta sexta-feira, no Campo de Marte. Meio receosa, ela revelou ao Glamurama, que como não dá para colocar todas as músicas preferidas dos fãs, ela fez uma “tripa” com trechos das mais, mais… “É uma homenagem”, diz ela. Countdown! (por Stella Prado)