05.07.2015  /  13:58

Arnaldo Antunes solta a voz na Flip e empolga plateia

 

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Arnaldo Antunes encerrou a noite deste sábado, na Flip || Crédito: Flip/Divulgação

Acostumada a debates mais comportados, a plateia da Flip (Festa Literária de Paraty) chamou a atenção na noite desse sábado. O público ficou de pé, cantou junto e bateu palmas durante a mesa “Desperdiçando Verso”, de Arnaldo Antunes e Karina Buhr. O debate, dos mais cobiçados desta edição da Fip, trouxe uma série de poesias e canções do músico, que ainda é poeta e artista plástico, e da pernambucana, que é cantora e escritora.

Arnaldo Antunes, com a sua poesia concreta e de poucas palavras, explicou para a plateia como se dá o processo de escolha entre uma música ou uma poesia. “Tem poemas que eu sei que é para ser lido no papel. E composições que sei que vão ser musicadas. Em geral, ao fazer, já sei o seu destino. Mas as exceções foram se tornando muito frequentes. Comecei a fazer coisas que eram poemas e depois de anos eu acabei musicando. Hoje em dia esse trânsito está mais misturado do que era. Uso a palavra como um trampolim para outras linguagens e acaba sendo muito frequente esse contrabando de uma área para outra”.

Sobre a economia de palavras de sua poesia, Arnaldo explica que muitas vezes escreve páginas e páginas e depois retira apenas uma frase para ser usada. “Como diz João Cabral, é como catar feijões”. O ator diz que escrever é uma alternativa ao mundo em que vivemos. “A poesia anseia de alguma forma combater esse estado de ‘standardização’ dos costumes e da rotina. Ela altera a sensibilidade das pessoas. A gente vive em um mundo que incentiva a onipotência, mas que também oprime pela quantidade de responsabilidades. A poesia é uma alternativa a esse mundo em que vivemos”.

Arnaldo também falou sobre seu novo livro, recém-lançado pela Companhia das Letras, o “Agora Aqui Ninguém Precisa de Si”: “Tem vários poemas que falam de morte, do vazio e da ausência, que a gente convive o tempo todo. Falo muito da morte, mas não da morte no sentido depressivo da palavra”.

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O ponto alto da noite foi o final. Arnaldo recitou com a plateia um verso do novo livro com palmas sincronizadas do público, que ficou todo de pé, em uma só voz. Abaixo, Arnaldo cantando “Socorro”. Play! (Por Denise Meira do Amaral)

Arnaldo Antunes solta a voz na Flip, em Paraty