11.08.2016  /  13:48

Aos 33, Tata Werneck diz que prefere tocar bateria do que puxar ferro

a
Tatá Werneck em ensaio da Revista J.P de junho || Crédito: Mauricio Nahas

Tata Werneck completa 33 anos nesta quarta-feira querendo mais. Ela, que se consagrou como uma das maiores humoristas da nova geração e se prepara para mais uma empreitada, tem vontade de fazer papéis fora do humor e com mais profundidade. Em conversa com o Glamurama, a carioca que não para quieta revelou que fugia de casa quando criança, já foi expulsa da escola e que não é escrava da beleza. “Acordo às 6h, faço bateria e piano. Então penso: bateria ou spinning? Bateria”. Ah, a nova empreitada, no caso, é o fato de que, além de estar em “Haja Coração”, ela estreia neste mês o programa “O Estranho Show de Renatinho”, cantando.

Por Denise Meira do Amaral

Glamurama – Como era a Tatá de vinte e poucos anos e a de agora?
Tatá Werneck – Acho que estou muito mais realizada. Eu sempre tive medo de não conseguir viver do meu trabalho, porque é muito difícil. Ser atriz é muito instável, nunca nada está garantido. Tive muitos amigos talentosos que tiveram de abandonar a profissão. Por isso estou o tempo todo agradecendo. Quando fiz 26 anos, fui morar sozinha e amadureci bastante. Mas ainda me sinto com 25 anos.

Glamurama – E como você era criança? Li que você já foi expulsa da escola…
Tatá Werneck – Minha infância foi a melhor. Não deixei de viver nada. Brinquei e fiz todas as merdas que podia. Me lembro que bem pequena eu fugia de casa quase toda a semana. Ia para o prédio do lado, por um buraquinho que tinha no meu prédio. Levava uma malinha com uma calcinha e um livro que dizia “eu te amo” em todas as línguas. Minha mãe me procurava lá e falava: “filha, volta”. Depois ela se acostumou e parou de me procurar e parei de fugir (risos). Eu já montei um salão de beleza em casa, fazia artesanato para vender… Porque eu sempre quis ser independente. E depois, como pré-adolescente, era da turma do fundão. Fui expulsa do Santo Agostinho [colégio católico] porque fazia muita bagunça. Fazia palhaçada toda hora.

Glamurama – Foi aí que o teatro entrou? Como uma válvula de escape?
Tatá Werneck – Comecei a fazer teatro com nove anos. Sempre quis ser atriz. Tem vídeo meu com três anos falando ‘”mãe, quero ser atriz”. E depois que comecei, nunca parei. Com 11 anos já fazia peça de quinta a domingo. Sempre fiz muita coisa. Fazia três faculdades ao mesmo tempo: Publicidade, Jornalismo e Artes Cênicas e me formei nas três. Nunca consegui ficar parada. e sempre gostei de humor, de fazer as pessoas rirem. Mas no teatro eu fazia Plínio Marcos, “Medeia”…

Glamurama – Nos últimos anos você tem feito somente papéis de humor. Tem vontade de fazer trabalhos diferentes?
Tatá Werneck – Tenho. Tenho vontade de fazer essas séries da Globo. A novela tem um processo que é tudo muito corrido. No próximo trabalho eu quero tempo de poder curtir, como papéis em cinema ou teatro.

Glamurama – Tem algum papel que você sonha em fazer?
Tatá Werneck – Todos os papéis são bem vindos. Só mandar que eu faço. Já fiz até mosquito da dengue nos ônibus quando estava na faculdade… Mas primeiro preciso tirar férias. Estou gravando, além da novela, meu novo programa no Multishow, o “Estranho Show de Renatinho”.

Glamurama – Ah, que você vai cantar, né?
Tatá Werneck – Cantar é uma palavra forte. Eu não canto bem, mas eu puxo as palmas (risos).

Glamurama – E o que vai fazer nestas férias?
Tatá Werneck – Vou tirar férias em novembro e vou fazer um curso de inglês em Nova York. Pensei: “vou viajar e ficar de bobeira”? Vou fazer um curso.

Glamurama – Como é fazer seu aniversário nas Olimpíadas no Rio?
Tatá Werneck – Hoje eu vou gravar, mas se terminar mais cedo vou ver algum jogo. Esqueci! Meu Deus, esqueci meu sapato! Estou descalça. Como em casa tem uma escada de pedras, eu sempre desço descalça e deixo meus sapatos no carro, mas como vim de táxi, esqueci de pegar. Moço, depois você pode voltar para casa e buscar meus sapatos? Não dá tempo de voltar agora porque estou atrasada para gravar [falando com o taxista]… Mas “voltando”… Quero ver se levo meu pai, quero proporcionar isso a ele. E ver de perto nossos atletas é muito emocionante. A luta do atleta é algo inimaginável. Um treino incessante com pouquíssimo reconhecimento.

Glamurama – Você vai comemorar? Gosta de fazer aniversário?
Tatá Werneck – Hoje devo fazer no máximo um jantar. Mas sempre comemoro, eu adoro. Sou que nem criança: já acordo feliz porque é meu aniversário. Mas ainda não sei o que fazer.

Glamurama – Com essa vida atribulada você tem tempo para namorar?
Tatá Werneck – Não, é muito difícil. O que dificultou meu último namoro longo foi isso: é difícil acompanhar a rotina. Além do que, minha energia se desfoca muito quando estou namorando. Agora ela está focada no meu trabalho.

Glamurama – Depois que você posou para uma revista masculina, se sente mais sensual?
Tatá Werneck – Não é meu objetivo. Mas sou mulher, toda mulher gosta de se sentir bonita e valorizada. Mas não sou escrava de nada disso. Já deixei de pegar papéis porque achavam que eu não poderia fazer. Então posei muito mais para isso, para abrir caminho.

Glamurama – Você aderiu ao veganismo. Por quê?
Tatá Werneck – Eu já tinha sido vegana por três anos, depois fiquei comendo só peixe, e agora voltei a ser vegana. Mas não tem nada a ver com alimentação saudável, porque eu como fritura. Mas eu tenho 12 gatos que peguei na rua, foi muito mais pelos animais.

Glamurama – Você faz exercícios físicos?
Tatá Werneck – Quando posei para a revista eu fiz. Mas parei no dia seguinte. Eu fazia ginástica olímpica e jiu-jitsu quando era menor, então fico definida rapidinho, acho que tenho uma memória muscular. E faço exercício quando tenho algum trabalho que precise. Mas já acordo às 6h, faço bateria e piano. Então eu penso: “bateria ou spinning? Bateria!”

Abaixo, o ensaio completo de Tatá para a J.P de junho.