07.03.2021  /  9:00

Aos 33 anos, Maria Luiza Jobim revela “match” com Otto e conta quais são as lembranças do pai, Tom Jobim: “Abraçar as árvores”

Maria Luiza Jobim / Crédito: Instagram

Aos 33 anos, Maria Luiza Jobim, filha caçula de Tom Jobim, não nega as suas raízes. A vontade de seguir a mesma carreira do pai chegou aos poucos, mas logo tomou conta da cantora e compositora, que em 2019 lançou a sua primeira música em português, ‘Casa Branca’, que antecipou a chegada do primeiro álbum com o mesmo nome. Anteriormente, ela havia se aventurado com o duo de pegada eletrônica ‘Opala’, ao lado de Lucas de Paiva.

Criada em ambiente completamente artístico, Maria Luiza gosta de dizer que a música não entrou em sua vida, ela sempre esteve lá. E até mesmo em tempos difíceis de pandemia, a artista ‘dos cabelos amarelos’, como descreve em suas redes sociais, conseguiu encontrar inspiração. “Isolamento é a rotina do compositor”, brinca. E desse isolamento surgiu ‘Farol’, o seu mais novo single em parceria com Otto, música que fala sobre passado e presente. A seguir, confira a nossa conversa inspiradora com Maria Luiza. (por Jaquelini Cornachioni)

Glamurama: Como está lidando com esse período de isolamento social?  

Maria Luiza Jobim: Costumo dizer que o isolamento é a rotina do compositor…(risos). Componho, leio, escuto, escrevo e canto. Passei sete meses no mato com minha filha. Muitas parcerias e músicas novas brotaram, um tempo de reflexão e ócio necessários no processo criativo.

G: Como se manteve criativa apesar de toda a situação? Em algum momento sentiu que estava mais difícil pensar e escrever?

MLJ: A natureza me inspira muito. Mais do que me inspira, me presenteia. Então não foi difícil criar uma rotina produtiva nos últimos tempos.

G: Qual foi o maior desafio que enfrentou nesse período? E o que aprendeu?

MLJ: Certamente, saber que não temos controle de nada. O presente é tudo que temos.

G: Você sente que o sobrenome Jobim coloca uma responsabilidade ou expectativa maior sobre você? Como se sente em relação a isso? 

MLJ: Fui criada num ambiente artístico, minha família nunca colocou pressão para eu ser determinada coisa. Costumo dizer que a música estava lá e eu nasci. Não teve um momento em que a música entrou na minha vida, ela sempre esteve lá. Nos ensaios em casa, nos shows, nas brincadeiras… O mais importante quando se trata de criação, no geral, é ser um canal para sua verdade. Ser fiel ao que sente. Quando resolvi que a música seria minha profissão, queria que fosse algo muito meu. Um processo saudável de busca pela própria identidade, que se deu de forma natural. Hoje tenho tranquilidade para transitar entre os diferentes universos, inclusive a própria obra do meu pai.

G: Em janeiro, seu pai completaria mais um ano de vida. Qual a maior lembrança que tem dele? 

MLJ: Éramos muito ligados e tínhamos uma rotina gostosa. Jardim Botânico, Cobal do Leblon, Plataforma. Só as melhores memórias: abraçar as árvores é uma delas. (Tom Jobim morreu em 1994, quando Maria Luiza tinha apenas seis anos.)

G: Recentemente você lançou ‘Farol’ em parceria com o Otto. Como foi o processo de criação dessa música?  

MLJ: Depois de muitos papos, resolvi mandar uma música que tinha feito um pouco antes para o Otto. Ele gostou e me respondeu com a letra mais bonita. Foi a primeira vez que produzi uma música no estúdio: dos melhores desafios. Com a letra mais densa, eu quis usar timbres solares. O Otto me disse uma coisa linda: “Farol tem um Rio feliz”. Ela tem uma energia otimista. A voz dele entrou por último, gravada em São Paulo, e foi a cereja do bolo. Emocionante ouvir a expressão dele.

G: Como surgiu a ideia da participação de Otto?

MLJ: Nos conhecemos através das redes sociais, mas 2020 foi impossível…(risos). Conhecia e admirava de perto o seu trabalho, sempre sensível e potente. Foi um encontro muito rico e especial artisticamente. Um verdadeiro presente. Deu match!

G: Você escreveu em seu Instagram que a letra da música é profunda e íntima. O que ‘Farol’ significa para você?

MLJ: Viemos de um ano terrível para o mundo e a poesia do Otto bateu forte em mim, de forma pessoal também. Entender o passado como uma construção do presente. A música é uma dança entre passado, presente e futuro.

G: Além de O ‘Farol’, podemos esperar mais músicas em breve? 

MLJ: SIM! Final de março vou lançar um clipe-curta, chamado ‘Sonhos’. Serão duas músicas minhas. Estou bem animada.

G: Sente que já se encontrou dentro de um estilo musical, ou pretende explorar outros?

MLJ: Acho que o desafio e a busca do artista pela identidade nunca termina. Tenho referências diversas e isso reflete na minha sonoridade. Sou muitas e sempre fui.

G: Qual é o seu desejo para 2021? 
MLJ: Vacina para todos.