26.11.2020  /  11:50

André Fran, jornalista e viajante, fala de suas experiências pelo mundo e do maior conflito da atualidade: “A luta pela democracia”

André Fran || Reprodução

André Fran foi o convidado dessa quarta-feira da live de Joyce Pascowitch. O jornalista, viajante, co-autor e diretor do programa ‘Que Mundo É Esse?’, da GloboNews, falou de seu olhar sobre o mundo e dos destinos polêmicos que já visitou. Relatou as melhores e piores experiências, além da importância do avanço digital na hora de fazer registros importantes com equipamento reduzido.

“A gente trata de geopolítica com um olhar diferente, vivenciando um pouco mais as pautas do que meramente observando e fazendo uma análise. Oferecemos esse olhar diferente de quem está entrando em contato com a situação. Vamos pro campo, pra rua, falamos com as pessoas que estão no conflito, no meio do gás lacrimogênio e lutando. Para trazer essa perspectiva às vezes passamos alguns perrengues, mas vale a pena por ser original e diferente”, conta ele.

André ainda ressaltou o fato de se arriscar em situações perigosas para entregar uma boa história ao público: “Temos o lema ‘não peça permissão, peça desculpas’. Porque a gente vai em busca desses lugares que, se chegarmos com muita burocracia, pedir autorização, não vamos conseguir mostrar. Ou vamos ser recebidos por algum órgão do governo que só vai mostrar aquilo que é interessante para eles e que não é nossa proposta. Não vamos em busca de passar perigo, temos toda uma pesquisa, debatemos…”

No papo, ele relembrou de um dos registros mais tristes no programa e como lida com a emoção: “Às vezes, como comunicadores, seguramos um pouco a emoção para conseguir passar informação e detalhes. Um dos momentos mais tristes foi quando estava fazendo a crise de refugiados na Europa e todo mundo deve lembrar daquelas imagens dos botes chegando nas praias gregas, crianças morrendo, gente caindo na água, barco virando… e a gente estava ali em um momento muito crucial dessa crise”.

E depois da pandemia? André Fran já escolheu o próximo destino que quer explorar com o programa: “Quero ir pra Wuhan, na China, onde tudo começou. Pra gente ver que não é aquele lugar que está no imaginário do mundo, sujo, ferrado, ‘esses chineses malucos’, mas que, ao mesmo tempo, tem o lado do autoritarismo que cerceou informação. Tudo tem múltiplos faces, influências e referências. Gosto disso, de mostrar que não é tão óbvio”. Ao final da conversa, ele entregou qual o grande conflito da atualidade, na sua opinião: “A luta pela democracia e não estamos falando só de Brasil. Vimos movimentos extremistas pelo mundo todo, essa onda de extrema direita contagiando vários lugares, na Europa, Estados Unidos (…) Temos exemplos de até onde esse extremismo pode chegar e a pandemia veio para deixar isso ainda mais evidente”. Confira o papo completo!