27.02.2020  /  13:05

Americano que orquestrou esquema fraudulento milionário pode estar escondido na América do Sul

Inigo Philbrick || Créditos: Reprodução

Procura-se Inigo Philbrick! Nunca ouviu falar no nome? Pois o americano de 33 anos é, nesse momento, um dos criminosos mais procurados pelas autoridades dos Estados Unidos, e as vítimas dele também estão entre as pessoas mais poderosas do país. Philbrick, um art connoisseur muito famoso em seu meio que tem pedigree e tudo (o pai dele, Harry Philbrick, comandou alguns dos museus mais prestigiados dos EUA), orquestrou um esquema de pirâmide que causou prejuízos de US$ 70 milhões (R$ 313,6 milhões) para vários colecionadores americanos, muitos dos quais bilionários.

Basicamente, ele procurava esses donos de obras de arte mais caras e tentava convencer um a um a se desfazer de suas preciosidades, com a promessa de um lucro bem acima da média. O único problema é que essas transações dos sonhos eram realizadas mais de uma vez: Philbrick chegou a vender um único quadro assinado por Rudolf Stingel para três de seus clientes, cada um pagando US$ 6 milhões (R$ 26,9 milhões) pela mesma tela. Durante um tempo, o golpe artsy funcionou às mil maravilhas, mas seu autor acabou sendo desmascarado no fim do ano passado.

Com galerias próprias em Miami e Londres, ambas mantidas pela mesma empresa que chegou a movimentar US$ 125 milhões (R$ 560 milhões) por ano em suas contas, Philbrick, que já foi chamado de “gênio das artes”, fechou as duas sem aviso prévio e sumiu do mapa à medida que foi se tornando alvo de vários processos nos quais é acusado de fraude, falsidade ideológica e outros crimes. Ninguém sabe seu paradeiro, mas rumores indicam que o golpista pode estar escondido em alguma ilha remota do Pacífico. Ou até mesmo na América do Sul. Quem sabe em Cuba…

Caso delicadíssimo, o esquema criminoso dele está trazendo à tona alguns segredos bem guardados por muitos dealers, como a verdadeira provenance de certas peças. Isso explica em parte porque alguns dos golpeados por Philbrick não querem acioná-lo judicialmente, por medo de acabar tendo alguns de seus esqueletos sendo tirados do armário à força. Dos males, o menor, pensam eles. Mas como essa caixa de pandora já foi aberta pela justiça americana, é bastante provável que essa turma acabe se incomodando mais pra frente. E olha que o escândalo Inigo Philbrick está apenas começando… (Por Anderson Antunes)