27.09.2019  /  12:18

Prestes a estrear em série, Alexandre Nero já está com a cabeça em novo papel: “É um vilão tão terrível, que chega a ser engraçado”

Nero em “Filhos da Patria” || Créditos: TV Globo

Como os episódios de “Filhos da Pátria”, que estreia na Globo em 8 de outubro, já estão gravados, Alexandre Nero se prepara para “Nos Tempos do Imperador”, a novela que substituirá “Éramos Seis”, na Globo: “É um vilão e tão terrível, que chega até a ser engraçado. Mas espero que a gente ache isso só na ficção, né?” Até novembro, quando começam as gravações, o ator só quer saber de ficar com a família, ao lado da mulher Karen Brusttolin, e dos filhos Noá, de 4 anos, e Inã, de 1. E diverte-se, comentando as “delícias e dores” de ser pai após os 40 anos. “É um desespero e maravilhoso”, brinca. “É exatamente o que todo mundo fala: é uma mudança de vida mesmo. Estou vivendo intensamente, não consigo pensar em outra coisa. Até porque não tem outro jeito, eles consomem tudo. É uma loucura. Não consigo fazer mais nada. Fiquei mais sensível, tudo ficou mais emocionante. Choro muito. Sou muito mais fofo hoje, mais emocional por conta deles”. E aumentar a família, está nos planos? “Não, pelo amor de Deus (risos). Achamos que está bom com dois.”

O ator com os filhos e a mulher || Créditos: Reprodução

Como pai e cidadão, o momento do país e a extrema polarização de posições políticas, é algo que o preocupa. “Vejo claramente a gente andando para trás. Acho uma pena. E o pior, é que as pessoas estão regredindo não só nos costumes, como nos debates”, frisa.  “As conversas dos eleitos, de alguns ministros, por exemplo, parecem meninos de 12 anos falando. Estamos regredindo mentalmente e isso é assustador.”

Alexandre Nero em Filhos da Pátria || Créditos: Globo / Divulgação

Na segunda temporada de “Filhos Da Pátria”, Nero vive, mais uma vez, o patriarca da família Bulhosa. Casado com a deslumbrada Maria Teresa, vivida por Fernanda Torres, o pai de Geraldinho (Johnny Massaro) e de Catarina (Lara Tremouroux), agora quer fazer carreira pública. Na coletiva desta segunda-feira, no Palácio do Catete, locação de muitas cenas da produção, agora ambientada nos anos 1930, na Era Vargas, Nero diz que apesar da mudança do período, aquele sentimento bem brasileiro de “agora vai”, continua dando o tom da série, que abusa do humor para falar de forma peculiar da história brasileira. “A intenção do humor, além de fazer rir, é colocar luz em que fatos que estão escuros. Acho que o grande equívoco é achar que o humor é só para entreter. O riso é só uma das situações. Com humor podemos fazer pensar, criticar. E é isso que ”Filhos da Pátria” está fazendo: jogar luz num lugar obscurantista”, analisa. “Têm algumas questões que estão nebulosas, sendo discutidas na sociedade, e que a série deseja colocar um holofote ali, para que possamos discutir. Então, acho isso importante, não só na TV, mas como em teatro, em livros, estarmos discutindo coisas e não nos calarmos”, afirma, salientando a atualidade dos temas.

A série dá um século de salto, já que a primeira temporada se passou em 1822, e o ator comenta sobre as mudanças do personagem. “Antes ele era mais inocente. Desta vez, sabe que está errado, mas faz. Se atrai pelo pequeno poder, cumpre ordens, sem questioná-las, por muitas razões”, diz. Nero revela também que ousou mais na sua composição. “Nesta temporada optamos por arriscar um pouco mais nesta brincadeira, por se tratar de uma outra época. Acho que as referências do cinema mudo influenciaram bastante. Tem uma memória afetiva da minha infância, assistia muito “O gordo e o magro”, “Os três patetas”, o Charles Chaplin, Jerry Lewis”, conta. “Tem uma coisa de criança minha mesmo aí.  Acho também que tinha um humor parecido com o da série na década de 1970, com o “Bem-Amado” (1973), por exemplo. E a gente foi esquecendo”.

Nero reforça ainda, a importância de se fazer uma dramaturgia como a de “Filhos da Pátria”. “Um trabalho como esse torna-se fundamental. Não vamos nos calar, vamos falar sempre. Isso não é só o artista. Falo sobre qualquer pessoa que se sinta incomodada com o obscurantismo. A potência não se cala e o poder tenta calar a potência sempre. Podem acabar com o cinema, a TV, mas sempre vamos falar. Qualquer cidadão que se sinta incomodado, deve falar”.

E por falar nisso, no primeiro capítulo da série de Bruno Mazzeo, com direção de Felipe Joffily e de Henrique Sauer, é possível identificar muitas situações do panorama político e social do país, na boca e gestos dos personagens. “A política, a corrupção, são apenas uma das questões. Abordamos coisas como racismo, mulheres ganhando menos do que os homens, aspectos ainda presentes em nossa sociedade.” (por Brunna Condini)