23.05.2019  /  11:19

Ai Weiwei decidiu processar a Volkswagen por uso indevido de imagem. Entenda o caso!

Weiwei e a instalação “Soleil Levant” || Créditos: Reprodução

Um dos artistas chineses de maior renome, Ai Weiwei resolveu processar uma das marcas mais icônicas da Alemanha: a Volkswagen. A origem do imbróglio judicial está em uma das últimas campanhas veiculadas pela fabricante de carros, que inclui a foto de um Polo estacionado bem na frente a uma instalação feita pelo chinês em Copenhagen, durante a edição de 2017 da famosa feira de arte Kunsthal Charlottenborg que acontece anualmente na capital da Dinamarca.

Em um post de protesto que fez no Instagram no começo de março, Weiwei afirmou em um “textão” que usou para legendar uma imagem da peça publicitária que o pessoal da Volks não pediu a devida autorização para reproduzir sua obra, que foi batizada por ele como “Soleil Levant” (“Sol Nascente”), e avisou que acionaria seus advogados por causa disso – o que de fato fez no começo dessa semana com uma ação que agora corre na cidade dinamarquesa de Glostrup.

Uma audiência de conciliação foi realizada entre as partes envolvidas nessa quarta-feira, mas aparentemente nenhum acordo foi selado. Processos desse tipo têm sido cada vez mais comuns em países do hemisfério norte, e um dos mais que deram o que falar recentemente envolveu o artista britânico Anish Kapoor e a National Rifle Association (NRA) dos Estados Unidos, que também usou imagens de uma escultura dele em um vídeo promocional (tudo foi solucionado fora dos tribunais).

Weiwei, de 61 anos, lançou o “Soleil Levant” em 20 de junho de quase dois anos atrás, quando se comemorou o Dia Mundial dos Refugiados. O trabalho teve como matéria-prima mais de 3,5 mil coletes salva-vidas recuperados em uma praia de Lesbos, na Grécia, que de uns anos pra cá se tornou um dos principais pontos de entrada de imigrantes ilegais na Europa. Todos foram deixados lá por aqueles que sobreviveram as travessias de seus respectivos países de origem. (Por Anderson Antunes)

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Abaixo, o post que o artista chinês fez no Insta reclamando da situação:

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I am suing Volkswagen in Denmark for violating my intellectual property and moral rights. My artwork “Soleil Levant” (2017), which I created for World Refugee Day, was installed at Copenhagen's Kunsthal Charlottenborg from June 20 to October 1, 2017. The work comprises 3,500 lifejackets used by refugees who fled to Lesvos, Greece, escaping persecution and conflict. In October 2017 Volkswagen Denmark used an unauthorized photo of “Soleil Levant” in an ad for its VW Polo campaign. I was not credited as the artist, and my artwork image was uncredited and cropped without permission. The infringing material was circulated to over 200,000 people, giving the false impression that I had authorized Volkswagen to use my artwork in its ad for the new Polo. I was astonished by Volkswagen’s brazen violations of my intellectual property and moral rights. Since November 2017 I have been trying to resolve the matter with Volkswagen. In more than one year of fruitless negotiation, they only engaged in arrogant gestures to trivialize their guilt and dismiss the matter. Intellectual property protection lies at the heart of a society that values human invention and makes our useful accumulation of knowledge possible. Respect of intellectual property law is one cornerstone of a functioning international legal system. As one of the largest European companies, Volkswagen should understand these same laws. Volkswagen and other multinational corporations have tremendous bargaining power in intellectual property protection as well as environmental and human rights. They are not above the law. Human rights, like intellectual property, is a popular concept but one that is difficult to enforce. We should remember that Germany took in one million refugees in 2015, a powerful humanitarian act in a divided world. As one of Germany’s internationally most visible companies, Volkswagen’s disregard for fair play and humanitarian issues is truly disturbing.

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